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AdvanceCare | 6 mitos sobre a infertilidade

6 mitos sobre a infertilidade

A infertilidade é um problema cada vez mais frequente mas em torno do qual surgem ideias que nem sempre estão corretas. Para que possa planear e viver uma gravidez tranquila, esclarecemos os principais mitos.

A espera por um filho muito desejado faz, muitas vezes, com que surjam explicações populares sem sustentação científica. Assim, embora a incidência da infertilidade tenha vindo a aumentar, subsistem ideias que nem sempre são muito corretas e que devem ser esclarecidas.

Eis seis dos principais mitos sobre este tema e a versão científica dos factos.

1. “A infertilidade é um problema feminino”

A infertilidade pode ter origem num problema da mulher, do homem ou de ambos os membros do casal. Segundo a API, a taxa de infertilidade masculina é similar à taxa de infertilidade feminina e, em média, 80% dos casos apresentam infertilidade em ambos.

Nas mulheres, algumas causas são alterações hormonais ou da ovulação, síndrome dos ovários poliquísticos, endometriose, obstrução das trompas de Falópio, problemas do muco cervical, anomalias do cariótipo (cromossomas), patologia uterina, tumores malignos, malformações anatómicas, gravidez ectópica, doenças autoimunes, entre outros.

Nos homens, a infertalidade pode dever-se, entre outras situações, a anomalias do sémen, anomalias endócrinas, anomalias do cariótipo (cromossomas), criptorquidia (descida incompleta dos testículos para o escroto), problemas na ejaculação, azoospermia (vitalidade reduzida ou falta de espermatozoides), lesões do escroto, tumores malignos.

2. “A principal causa de infertilidade é o stress

O papel do stress na infertilidade é um assunto pouco consensual. Segundo a Associação Portuguesa de Infertilidade (API), o stress e ansiedade podem ser uma causa indireta de infertilidade, afetando a conceção espontânea, a qualidade do sémen e a implantação, mas não provocam diretamente alterações dos espermatozoides nem dos ovócitos. De acordo com informação da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, as evidências científicas indicam que é raro o stress causar infertilidade, sendo mais comum ser a infertilidade a motivar o stress.

De forma a reduzir o potencial papel deste factor e a tornar o processo de conceção mais agradável, a mesma fonte aconselha que se cultive a comunicação com o parceiro, que se procure apoio emocional (através de aconselhamento, grupos de apoio, livros), que se aprenda técnicas de meditação ou yoga, bem como que se pratique exercício físico regularmente e evite a ingestão excessiva de cafeína e outros estimulantes.

Uma vez que alguns distúrbios psicológicos podem gerar disfunção sexual, com incapacidade de ter relações sexuais (ausência de ereção ou vaginismo), pode ser importante para os casais com dificuldade em engravidar procurarem acompanhamento psicólogo para além do suporte das consultas médicas, aconselha a API.

3. “ A infertilidade não pode ser prevenida”

Embora a maioria dos tipos de infertilidade não possam ser prevenidos, há medidas que ajudam a aumentar as probabilidades de gravidez, nomeadamente:

  • Adotar uma alimentação variada e equilibrada, com hidratos de carbono, vegetais, saladas, fruta (2 a 3 peças por dia), leite (0,5 a 1 L por dia) e derivados, carne e peixe (100 gramas por refeição; equilibrar peixe e carne) e 1,5 L de água por dia.
  • Evitar açúcares e gorduras, carne de animais alimentados com rações químicas e derivadas de produtos animais, produtos hortícolas e frutas tratadas quimicamente e todos os produtos que contêm ingredientes químicos.
  • Praticar desporto regularmente de forma moderada.
  • Dormir 8 horas por noite.
  • Não consumir tabaco, álcool e drogas.
  • Evitar a toma de medicação que possa prejudicar a fertilidade.
  • Manter um peso adequado.
  • No caso dos homens, evitar a exposição a toxinas industriais ou ambientais e a temperaturas elevadas (devem usar boxers, calças pouco justas, evitar banhos quentes e a vapor).

4. “As mulheres são férteis até à menopausa”

Na verdade, a fertilidade das mulheres começa a abrandar por volta dos 28 anos, quando se inicia uma perda progressiva da capacidade de resposta dos folículos primordiais aos níveis hormonais, informa a API. Como consequência, embora os ciclos menstruais se mantenham geralmente ritmados, o ovário tende a deixar de formar folículos maduros, dando origem, cada vez com maior frequência, a folículos contendo ovócitos imaturos ou anormais, podendo mesmo não ovular. Estas anomalias devem-se ao envelhecimento dos ovócitos, por estarem parados há vários anos, uma vez que a mulher deixa de produzir ovócitos após o nascimento. Como resultado, a taxa de trissomia 21 aumenta para 1/500 recém-nascidos aos 34 anos e 1/100 aos 39 anos. Entre os 31 e os 35 anos a probabilidade de gravidez diminui cerca de 3 % por ano e, depois dos 35 anos, o declínio acelera. Aos 45 anos, as mulheres têm menos 5% de hipótese de engravidar.

5. “A fertilidade do homem não diminui com a idade”

Ao contrário da mulher, o homem nasce com células-mãe nos testículos e só inicia a produção dos espermatozoides a partir da puberdade. Embora esta produção se mantenha toda a vida, a concentração, a morfologia normal e a mobilidade dos espermatozoides tende a diminuir com a idade. Nos últimos anos, cada vez mais estudos se têm focado nos efeitos da idade do homem sobre a fertilidade. Em 2011, um estudo publicado na revista científica Reviews in Urology mostrou que a idade tem um impacto significativo na função sexual masculina, nos parâmetros do sémen e na fertilidade, nos fatores que contribuem para uma menor fecundação, maior tempo de conceção e maiores taxas de aborto espontâneo. Na origem deste efeito estavam problemas de saúde relacionados com a idade, a diminuição da qualidade do sémen e aumento das taxas de fragmentação do ADN no esperma.

6. “Já tenho um filho, devia ser mais fácil engravidar outra vez”

Infertilidade secundária é a expressão usada para descrever casais que já tiveram filhos sem recorrer a técnicas de reprodução medicamente assistida, mas não conseguem alcançar uma segunda gravidez. Os motivos para este tipo de infertilidade são quase tão variados como as causas da infertilidade primária, pelo que pensar que se está protegido da infertilidade por já se ter tido filhos é um erro. Os desafios emocionais que se colocam são tão intensos como numa infertilidade primária.

Em suma, como sucede muitas vezes na área da saúde, nem todas as ideias comuns sobre a infertilidade correspondem à realidade. A melhor forma de evitar equívocos é pedir aconselhamento médico se tiver dificuldade em engravidar. Só assim será possível averiguar o que se passa e, se for o caso, fazer o diagnóstico de infertilidade, investigar as causas e encontrar soluções adequadas.

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
A presente informação não vincula a AdvanceCare a nenhum caso concreto e não dispensa a leitura dos contratos de seguros/planos de saúde, nem a consulta de um médico e/ou especialista.