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AdvanceCare | Doença de Parkinson: por que está a aumentar?

Doença de Parkinson: por que está a aumentar?

Com a esperança média de vida a estender-se até mais tarde, estima-se que nos próximos vinte anos cerca de 30 000 portugueses venham a ser afetados pela doença de Parkinson. Com entrevista ao neurologista Martinho Pimenta, do Hospital CUF Infante Santo, a AdvanceCare explica-lhe a que sintomas deve estar atento, como minimizar o impacto da doença e quais as terapêuticas existentes.

As causas da doença de Parkinson são desconhecidas. Mas, face a estudos recentes, médicos e comunidade científica acreditam que a doença seja resultado da interação de fatores genéticos e ambientais. “Os fatores genéticos são responsáveis apenas por uma pequena parte dos casos da doença de Parkinson e, regra geral, estão associados a formas mais precoces da doença. Cerca de 90% dos casos não têm uma causa genética identificável”, afirma Martinho Pimenta, neurologista no Hospital CUF Infante Santo.

“Os fatores ambientais têm a ver com estilo de vida e também com o meio envolvente. O uso de pesticidas está identificado como uma das causas mais frequentes para a doença de Parkinson. Por outro lado, também está provado que o consumo elevado de laticínios é um fator de risco para esta doença”, refere o médico. Outros fatores que também estão associados ao aparecimento da doença são a oforectomia (excisão dos ovários) e os traumatismos cranianos. “Enquanto episódio único, quanto mais recente e mais severo o traumatismo, maior o risco de desenvolver a doença. Já os chamados traumatismos cranianos minor, sofridos repetidamente – como acontece em desportos como o boxe –, podem favorecer o aparecimento de parkinsonismo e demência”, explica Martinho Pimenta.

Fatores protetores 

Também existem fatores que a ciência pensa ajudarem a evitar a doença de Parkinson. Substâncias como a cafeína e até a nicotina estão associadas a um menor risco de aparecimento da doença. Atualmente estão a ser feitos estudos para tentar definir as quantidades de cafeína e nicotina necessárias para a prevenção da doença de Parkinson ou para o atraso da sua progressão. Por seu turno, a dieta mediterrânica, com um consumo diário de fruta, vegetais e peixe, parece evitar o desenvolvimento da doença.

 Sintomas: mais do que tremores

Os sintomas mais facilmente associados à doença de Parkinson são o tremor, a rigidez e a bradicinesia – uma lentidão anormal nos movimentos. Contudo, a investigação recente dá cada vez mais atenção aos sintomas não motores, na perspectiva de se alcançar um diagnóstico precoce. Sintomas como obstipação, distúrbios de sono – em particular o distúrbio comportamental do sono REM, com grande agitação noturna – as alterações do olfato e também a depressão surgem associados à doença de Parkinson, por vezes uma ou duas décadas antes do aparecimento da  sintomatologia motora.

 Terapêutica permite manter qualidade de vida

“Das doenças neurodegenerativas, a doença de Parkinson é talvez das que tem uma sobrevida mais longa”, afirma o neurologista, que sublinha a importância da terapêutica farmacológica para o aumento da qualidade de vida do doente que, se for bem acompanhado, pode manter-se autónomo durante vários anos.

O tratamento da doença é feito numa fase inicial com fármacos agonistas dopaminéricos, que atuam sobre os recetores da dopamina. “A levodopa (um fármaco do grupo dos antiparkinsónicos) é o tratamento mais eficaz desta doença. A ausência de resposta a uma dose suficiente de levodopa exclui o diagnóstico de doença de Parkinson. Por outro lado, a melhoria da sintomatologia motora, com levodopa, é um dos critérios de diagnóstico da doença”, garante o especialista. 

 Tratamento cirúrgico

Embora a terapêutica farmacológica seja muito importante – e a aplicar em todos os doentes-, o tratamento cirúrgico, através da estimulação cerebral profunda, é hoje uma técnica muito eficaz. “Normalmente é reservada para fases mais avançadas da doença, em que a terapêutica farmacológica já não atua. A experiência mostra que talvez esta seja uma técnica para não deva reservar-se apenas para fases tardias. A cirurgia – em que é restabelecida a normalidade nos circuitos neuronais da base do cérebro – é feita há cerca de 20 anos e os resultados são muito bons”, afirma Martinho Pimenta.

 Uma casa à medida

E, se o tratamento é importante, em casa família e restantes cuidadores também têm um papel indispensável. “É importante que se criem espaços de circulação mais amplos e que haja uma adaptação da habitação, por exemplo com cadeiras mais altas para que o doente tenha menos dificuldade em levantar-se ou suportes na casa de banho, para evitar quedas e facilitar a locomoção”, exemplifica o especialista. Em casa, ou recorrendo a fisioterapia, o treino da marcha e do equilíbrio também são importantes para manter a mobilidade e evitar quedas.