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AdvanceCare | Rinite alérgica: sabe mesmo o que é?

Rinite alérgica: sabe mesmo o que é?

Para esclarecer todas as dúvidas sobre rinite alérgica – e para que não a confunda com outras patologias –, entrevistámos Cármen Botelho, Assistente Hospitalar de Imunoalergologia no Hospital Privado da Trofa, Clínica LouroMédica, Hospital Privado Braga e Hospital Lusíadas Porto.

Considerada, erradamente, uma espécie de constipação que parece não dar tréguas, a [glossary]rinite alérgica[/glossary] é um problema com solução. O primeiro passo consiste em identificar os sintomas e realizar um diagnóstico o mais precocemente possível. “A [glossary]rinite alérgica[/glossary] é uma doença crónica que, apesar de não ser curável, tem tratamento que pode conduzir à estabilidade clínica. Mas, se não for devidamente tratada, pode ter repercussões graves na saúde e na qualidade de vida dos doentes”, alerta Cármen Botelho, Assistente Hospitalar de Imunoalergologia.

O que é a [glossary]rinite alérgica[/glossary]?

É uma doença crónica caracterizada por inflamação da mucosa nasal causada por uma resposta exagerada do sistema imunológico a partículas alergénicas, como por exemplo os ácaros, pólenes, faneras (unhas, pelos, penas) de animais, entre outros. Os doentes podem ter mais ou menos sintomas de acordo com a exposição ao alergénio.

O que está na origem?

As causas desta doença não estão completamente esclarecidas. Sabemos que existem fatores genéticos (nomeadamente história familiar de [glossary]alergias[/glossary]), ambientais e associados ao próprio indivíduo que, em conjunto, fazem com que uma pessoa fique alérgica a determinada substância e outra não. No fundo, o que existe é uma resposta imunológica exagerada à presença de uma substância que normalmente é tolerada pela maioria da população. Numa fase inicial, dita de sensibilização, o doente cria defesas contra os alergénios. Depois, sempre que contactar com esses alergénios, tem uma resposta alérgica muito exagerada.

Quais são os principais grupos de risco?

É difícil definir um grupo de risco. O que sabemos é que filhos de pais alérgicos têm maior probabilidade de serem alérgicos (esta pode ser superior a 50 % se ambos os pais forem alérgicos). Sabemos também que a prevalência de doença alérgica em Portugal tem vindo a aumentar nos últimos anos. Em vários estudos nacionais verificou-se que cerca de 25 % da população sofre deste tipo de doença crónica.

Existem alturas do ano mais propícias a crises de rinite alérgica?

A fase do ano em que os doentes podem ter sintomas é variável e depende do tipo de sensibilizações de cada um. Um indivíduo com alergia aos ácaros do pó acaba por ter sintomas todo o ano, pois este tipo de alergénios está sempre presente em casa. Quem é alérgico a animais domésticos tem sintomas quando está em contacto com eles. Um doente com alergia aos pólenes só vai ter sintomas quanto estes estiverem presentes na atmosfera. Por norma, há maiores concentrações entre os meses de março a setembro, mas cada pólen tem uma época específica que pode ser consultada no Boletim Polínico publicado pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica em www.rpaerobiologia.com.

O que distingue a rinite de patologias respiratórias como a asma ou a sinusite?

A rinite alérgica é uma doença da mucosa nasal e a asma é uma doença inflamatória dos brônquios. Sabemos que a asma e a rinite alérgica se encontram frequentemente associadas, sendo a rinite alérgica um fator de risco para asma. Quanto à [glossary]sinusite[/glossary], trata-se de uma inflamação dos seios perinasais. Embora seja uma patologia distinta, muitas vezes os doentes com rinite têm sinusite. Quando a mucosa nasal está muito inflamada pode dificultar a drenagem dos seios perinasais e provocar sinusite. Todas estas doenças podem estar interligadas e coexistirem num mesmo doente. Se na origem estiver a alergia, o tratamento desta pode conduzir à estabilidade clínica de todas estas patologias.

Quais são os principais sintomas de alergia?

São os espirros, o prurido, a obstrução e o corrimento nasal, que ocorrem após a exposição ao alergénio a que o doente está sensibilizado – como acontece, por exemplo, na primavera, em doentes alérgicos aos pólenes.

A que sinais devemos estar atentos?

No caso da rinite, antes do diagnóstico, os doentes queixam-se de estarem sempre constipados. Normalmente, os sintomas não são acompanhados de [glossary]febre[/glossary], atingimento do estado geral ou dores musculares como nos casos infeciosos. Por vezes há doentes que só vão à consulta quando apresentam complicações como a obstrução nasal crónica, que conduz a uma respiração bucal predominante e pode estar associada a roncopatia e alterações do sono.

Que outras complicações podem surgir?

A obstrução nasal crónica e consequentemente a respiração bucal podem provocar alterações dentárias devido ao palato ficar mais arqueado. Alguns doentes têm sono fragmentado, acordam cansados e apresentam um baixo rendimento escolar e no local de trabalho. Muitas crianças são rotuladas como sendo hiperativas e, na realidade, têm uma obstrução nasal que lhes desregula o sono. Outros doentes já apresentam complicações como sinusite e mesmo evolução para asma. Por isso é que um diagnóstico correto e precoce é fundamental.

Quando devemos procurar um médico?

Deve consultar um médico se os sintomas são persistentes. Se tal acontecer deve fazê-lo o mais cedo possível. O diagnóstico correto do tipo de alergias permite adotar medidas adequadas a cada caso e que visam evitar o despoletar da alergia. O início precoce da medicação permite o controlo dos sintomas minimizando o risco de complicações.

Que tratamento é prescrito?

Quando os sintomas são intermitentes, normalmente, são prescritos anti-histamínicos para o alívio dos espirros, comichão e corrimento nasal. Se os sintomas são mais persistentes, associamos ao tratamento anterior os anti-inflamatórios tópicos nasais ou sistémicos. Nestes casos também podemos prescrever vacinas antialérgicas.

Que mitos e receios ainda persistem relativamente à [glossary]rinite alérgica[/glossary]?

Muitos doentes, por pensarem que estão frequentemente constipados, recorrem, de forma frequente e abusiva, a vasoconstritores nasais. A utilização destes fármacos pode ser feita em casos pontuais, durante três a cinco dias, mas se for prolongada pode conduzir a lesão irreversível da mucosa nasal.

Nos casos de rinite persistente utilizamos anti-inflamatórios tópicos nasais que são derivados da cortisona. Se estes fármacos forem utilizados nas doses e frequências prescritas têm apenas ação local, não sendo significativa a sua absorção sistémica e o aparecimento de efeitos secundários.

A [glossary]rinite alérgica[/glossary] é uma reação exagerada do sistema imunológico a um agente externo como, por exemplo, o pólen. O diagnóstico precoce permite controlar a doença e minimizar o risco de outras complicações. Perante sintomas persistentes procure ajuda médica especializada.

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
A presente informação não vincula a AdvanceCare a nenhum caso concreto e não dispensa a leitura dos contratos de seguros/planos de saúde, nem a consulta de um médico e/ou especialista.