5 razões para as dores de cabeça nas crianças

5 razões para as dores de cabeça nas crianças

As queixas de cefaleias podem surgir logo nos primeiros anos de vida. Vera Brites, pediatra, explica cinco quadros comuns em idade pediátrica.


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Dores de cabeça são sinónimo de incómodo para as crianças e geram ansiedade nos pais. Das passageiras às mais persistentes, importa saber identificar os sinais de alerta que requerem observação e procurar o diagnóstico atempado junto do médico assistente. 

1) Cefaleias: Aprender a reconhecer os sinais de alerta

Cefaleia é o nome dado de forma genérica a uma dor localizada na cabeça. Embora nem sempre sejam associadas à infância, Vera Brites sublinha que todas as crianças acabam por, em algum momento, ter dores de cabeça. O cenário mais comum, explica a pediatra, é que as cefaleias surjam como manifestação secundária de um quadro febril, constipação ou, por exemplo, associadas à sinusite. “O mais importante é saber reconhecer os sinais de alerta”, frisa Vera Brites. Uma dor de cabeça que não passa após a toma de paracetamol – terapêutica usada numa primeira fase – e que persiste e aumenta de intensidade ao longo de um período de tempo, deve ser valorizada. Da mesma forma, outros sinais também ajudarão os pais a triar uma dor de cabeça comum de uma queixa mais severa. “Uma criança que acorde a meio da noite com dor de cabeça (ou que tenha essa queixa logo pela manhã ao acordar), sendo esta acompanhada de náusea, vómitos e prostração, requer observação”, recomenda a médica. Embora, na maioria das vezes, os quadros sejam benignos, as cefaleias podem ser sintoma de doença grave quando acompanhadas por estes sinais de alarme. Uma das principais preocupações em idade pediátrica é a meningite, uma infeção das membranas que revestem o cérebro e a medula. Dor de cabeça aguda acompanhada de febre alta e rigidez da nuca são os sintomas a que os pais devem estar particularmente atentos. 

2) Enxaqueca: As primeiras crises na puberdade

Quando as dores de cabeça se manifestam de forma recorrente, intensa e em crises (com um período livre), pode estar-se perante um quadro de enxaqueca, um tipo particular de cefaleia que pode ter diferentes causas, como a reação a algum alimento ou outro trigger. Nos adultos é comum a ligação entre enxaqueca e substâncias como o café, chocolate ou tabaco e, também, a períodos de abstinência das mesmas. “Não sendo algo frequente, as primeiras crises de enxaqueca podem surgir na puberdade”, explica Vera Brites. Além de fatores ambientais, há fatores genéticos associados a esta condição, pelo que o historial familiar é algo a ter em conta. “Por vezes são quadros que os pais com enxaqueca valorizam primeiro pois começaram a ter as primeiras crises com a mesma idade que os filhos.” Numa crise, além da medicação prescrita pelo médico, a diminuição dos estímulos, em particular da exposição à luz, pode ser uma medida eficaz. Cada caso deverá, porém, ser avaliado pelo médico assistente. “É importante mencionar sempre a dor de cabeça em consulta, para que possa haver um acompanhamento precoce da situação e uma identificação do padrão.”

3) Quando o problema está nos olhos

Uma em cada cinco crianças tem algum problema de visão. Miopia, astigmatismo e hipermetropia são os distúrbios oculares mais comuns, mas muitas vezes o primeiro sinal é mesmo a sensação de “moinha” insistente na cabeça, em particular ao final do dia. Antes do diagnóstico, e de serem implementadas medidas corretivas do foro oftalmológico, a vista em esforço pode de facto ser a explicação para as dores de cabeça dos mais novos, cenário que se verifica também na idade adulta, explica Vera Brites. Nestes casos, mais uma vez valorizar a queixa na consulta de rotina com o médico assistente pode contribuir para um diagnóstico precoce. 

4) A criança range os dentes?

As dores de cabeça podem igualmente ser sintoma de problemas dentários, mesmo quando não existem queixas evidentes a esse nível. “Por vezes nem a criança nem os pais estabelecem essa ligação”, nota Vera Brites. O ranger dos dentes durante a noite (bruxismo), disfunções da articulação tempero-maxilar ou dentes inclusos são algumas das situações comuns, explica a pediatra. A tensão muscular ou mesmo a má qualidade do sono, resultado do desconforto, podem contribuir para o quadro de cefaleia.  

5) Uma questão de ansiedade

O stress não dá só dores de barriga. Circunstâncias da vida como o nervosismo antes de um teste, um desentendimento com os amigos ou lidar com o divórcio dos pais podem também desencadear episódios de cefaleia. As chamadas cefaleias de tensão, resultado da exposição ao stress e ansiedade, são mesmo das dores de cabeça mais comuns não só na infância como na idade adulta, explica Vera Brites. Geralmente, são passageiras, mas podem tornar-se crónicas, consoante a tendência da criança para somatizar mais ou menos as suas experiências emocionais e afetivas. Nestes casos, importa estabelecer canais de diálogo que permitam perceber a origem das crises e minimizar os fatores de risco, procurando gerir o stress e conseguindo momentos de descanso e equilíbrio físico e psicológico.

Muitas vezes não é possível estabelecer uma causa para as cefaleias, sublinha Vera Brites. Se por vezes são uma forma de as crianças chamarem à atenção (e satisfeita esta necessidade, voltam à sua atividade normal), podem estar associadas a hábitos de jejum prolongado (com hipoglicemia), noites mal dormidas ou hábitos de leitura ou de tempo prolongado ao computador/ tablet. “A distinção destas situações passa muita pela atenção dada a este sintoma, pela identificação dos sinais de alarme e do contexto associado, uma análise orientada sempre pelo médico assistente", conclui a médica.

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