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AdvanceCare | Diabetes a doença silenciosa

Diabetes a doença silenciosa

Considerada (erradamente) por muitos a mera consequência do consumo excessivo de açúcar ou do avançar da idade, a diabetes é uma patologia crónica e que deve ser levada a sério.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca-a no quarto lugar das principais causas de morte nos países desenvolvidos, atribuindo ao nosso país uma das taxas mais elevadas na Europa. Um cenário preocupante, na perspetiva de Ana Filipa Novais Lopes, endocrinologista na Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP): “13 por cento dos portugueses têm diabetes e 27 por cento tem pré-diabetes (condição que precede o aparecimento da diabetes), o que representa 40 por cento da população portuguesa afetada por esta doença.”

Crónica e com complicações

“A diabetes mellitus é uma doença caracterizada por hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) crónica”, explica Ana Filipa Novais Lopes, alertando que a “existência de níveis relativamente elevados de açúcar pode, por si só, não levar ao aparecimento de sintomas imediatos e, por isso, a pessoa tem a falsa sensação de que está bem.”

Quando se manifesta de forma prolongada, a hiperglicemia pode dever-se à falta de insulina ou a uma resistência do organismo à sua ação. As repercussões na saúde são várias, bem como a gravidade. De acordo com a endocrinologista, “a hiperglicemia continuada, sobretudo quando não controlada, pode levar ao aparecimento de complicações em vários órgãos e a sua disfunção ser causadora de diminuição da qualidade de vida ou de incapacidade. São particularmente afetados os olhos, os rins e os nervos (sobretudo dos membros inferiores), existindo ainda um risco muito acrescido de doenças cardiovasculares. Infelizmente, a diabetes ainda é a principal causa de doença renal crónica com necessidade de hemodiálise e causa de números significativos de cegueira e amputações.”

Tipos de diabetes

A diabetes pode subdividir-se em vários tipos, alguns deles raros. Contudo, existem três tipos mais comuns: a diabetes tipo 1, tipo 2 e a diabetes gestacional. Como descreve Ana Filipa Novais Lopes, “a diabetes mellitus tipo 1 representa cerca de cinco a dez por cento do total e surge maioritariamente em crianças e jovens. Deve-se a uma destruição autoimune do pâncreas, ou seja, o organismo produz células que vão atacar o próprio pâncreas com consequente ausência da produção de insulina. Sabe-se que certos indivíduos têm genes que favorecem o desenvolvimento da doença, enquanto outros apresentam genes protetores”.

Já a diabetes tipo 2 “surge em cerca de 90 a 95 por cento dos casos e afeta sobretudo adultos a partir dos 50 anos.” A diabetes gestacional, que pode ocorrer durante gravidez e geralmente desaparece após o parto, aumenta o risco de, mais tarde, a mãe e o bebé desenvolverem diabetes tipo 2.

 Sinais de alarme

O aparecimento da diabetes tipo 1 é repentino e provoca sintomas como micções frequentes, sede excessiva, muita fome, emagrecimento rápido, sensação de fadiga e dores musculares, náuseas, vómitos ou dores de cabeça.

Pelo contrário, a diabetes tipo 2 surge muito lentamente e os sintomas podem ser discretos, incluindo sede, urinar frequentemente, cansaço, comichão intensa (especialmente na região genital) e, por vezes, perda de peso. Como o diagnóstico tende a ser tardio dado as queixas não serem muito pronunciadas, nesta fase já poderão existir complicações como problemas sexuais, mãos e pés dormentes ou com formigueiro ou diminuição da visão.

Na diabetes gestacional, os sintomas podem incluir a necessidade de urinar com mais frequência, muita fome, sede e visão turva.

Diabetes na infância e adolescência

As crianças e jovens são os mais afetados pela diabetes de tipo 1 e precisam de recorrer à administração diária de injeções de insulina para controlar os níveis de glicose. Embora menos frequente do que a diabetes de tipo 2, a variante tipo 1 tem registado um aumento nos últimos anos. O envolvimento de toda a família na adoção de hábitos saudáveis é fundamental para que a criança ou jovem aceite melhor a doença e aprenda a viver com ela. Existe, inclusivamente, desde 2012, uma norma da Direção-Geral da Saúde (DGS) para orientar a comunidade escolar no acompanhamento de crianças e jovens diabéticos, tanto na medição da glicemia e administração de insulina, como no sentido de estarem alerta aos sinais de alarme.

Tratamento da diabetes

No caso da diabetes tipo 1, o tratamento engloba a administração de insulina, uma alimentação adequada e a prática de exercício físico regular. É necessária a autovigilância para avaliar diariamente os níveis de glicemia e ajustar a insulina, alimentação ou exercício físico.

Na diabetes tipo 2, segundo a endocrinologista, “o rastreio das complicações na diabetes tipo 2 deve ser feito logo na altura do diagnóstico porque, muitas vezes, a doença já existe há vários anos sem que a pessoa tenha conhecimento”. Estas medidas assentam sobretudo no estilo de vida saudável – alimentação, atividade física regular e eventual perda de peso. Por vezes, estas medidas são suficientes para restabelecer os valores normais, noutras é necessária a toma de fármacos ou a administração de insulina.

Como a diabetes gestacional termina, na maior parte dos casos, a seguir ao parto, o tratamento da diabetes gestacional passa pela vigilância dos níveis de açúcar no sangue de forma a assegurar que estes se mantêm estáveis.

Autocontrolo vital

Como explica Ana Filipa Novais Lopes, “a avaliação do controlo da diabetes é baseada num parâmetro denominado Hemglobina glicada (HbA1c), apurado através de análises sanguíneas. A HbA1c reflete a glicemia dos últimos três meses e, por isso, é um indicador dos valores médios de açúcar nesse período.” No entanto, isso “não permite perceber as variações da glicemia ao longo do dia e com certos estímulos como a alimentação ou o exercício físico. Assim, é através da autovigilância que se torna possível a avaliação do controlo da diabetes não só como complemento da interpretação da HbA1c, mas essencialmente para a gestão da doença pela própria pessoa.”

A autovigilância traduz-se em “picar o dedo” com um dispositivo de punção e avaliar os valores de glicemia recorrendo a um pequeno aparelho portátil (glucómetro).” Este autocontrolo é realmente imprescindível nos casos da terapêutica com insulina, como sucede na diabetes de tipo 1. O diabético ou a família recebe orientação médica para gerir as doses de insulina mediante os resultados, tornando-se proactivos na gestão da doença.

Prevenção

A alimentação equilibrada é fulcral na prevenção da diabetes. Mas está ao seu alcance fazer mais para prevenir esta doença. Como explica Ana Filipa Novais Lopes, “o exercício físico é um dos pilares da prevenção da diabetes tipo 2. São várias as suas ações benéficas. A principal é, sem dúvida, a melhoria da sensibilidade à insulina. Esta é uma ação direta que é também reforçada pela perda de massa gorda e ganho de massa magra. Por outro lado, existem muitas vezes outros fatores associados à diabetes que elevam o risco cardiovascular, e o exercício físico ajuda a diminuí-los. Alguns estudos demonstraram que caminhar cerca de 30 minutos por dia pode ser o suficiente para reduzir em 30 por cento o risco de vir a desenvolver diabetes.”

Conteúdo revisto pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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