Andropausa e disfunção erétil

Muito comum mas ainda tabu, a disfunção erétil pode surgir na andropausa. Apesar de se tratar de uma situação constrangedora para o homem, a medicina já tem soluções para este problema.


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A andropausa define o período da vida de um homem no qual se verifica um défice hormonal que terá impacto em várias esferas. As alterações nos níveis da hormona testosterona ocorrem de forma gradual após os 50 anos e podem até nem vir a manifestar-se. Quando acontecem, têm um impacto físico (aumento de gordura localizada), a nível da memória, humor e autoestima, bem como repercussões na libido e desempenho sexual. A par da perda de desejo ou da ejaculação precoce, a disfunção erétil é uma das manifestações mais comuns nesta fase. Mas, ao contrário do que se pode pensar, existem já várias soluções e tratamentos para este problema. Importa, por isso, reconhecê-lo e saber quando consultar um especialista.


O que é a disfunção eréctil?

Vulgarmente designada por impotência, a disfunção erétil traduz-se na incapacidade de obter e/ou manter uma ereção que permita um desempenho sexual satisfatório. Considera-se um problema que requer avaliação médica quando esta dificuldade ocorre de forma persistente e recorrente (por exemplo, por um período igual de 3 meses). Embora possa surgir em homens mais jovens, a maioria dos casos verifica-se a partir dos 50/55 anos, estimando-se uma incidência na ordem dos 80% na faixa dos 75 anos.


As causas

A origem da disfunção erétil pode ser psicológica (stress, depressão, ansiedade) ou de ordem física, motivada por outras patologias (hipertensão, diabetes, problemas vasculares) e pela toma continuada de fármacos (antidepressivos, antihistamínicos, antihipertensores, fármacos para tratamento oncológico). Também pode ser originada por uma combinação de vários fatores, entre os quais os relacionais, e alguns traços de personalidade (perfecionismo, baixa autoestima). Apesar de ser conotada como uma patologia do foro psicológico, a maioria dos casos deve-se a problemas orgânicos. Além da idade, a lista de fatores de risco inclui ainda hábitos de vida pouco saudáveis (consumo de tabaco, de bebidas alcoólicas ou de drogas) e obesidade.


Como lidar com a situação

Tal como se verifica noutras disfunções sexuais, o principal erro consiste em tentar ignorar ou ocultar o problema e adiar a procura de ajuda médica. De facto, esta patologia ainda é considerada tabu e, embora afete cerca de 13% por cento da população portuguesa (segundo dados da Sociedade Portuguesa de Andrologia), verifica-se ainda alguma relutância em consultar um médico.

É muito importante que o homem converse abertamente com a companheira e, muitas vezes, é esta que incentiva o marido a procurar um médico. O casal deverá ter uma atitude positiva e manter-se unido ao longo de todo o processo.

Depois, o passo seguinte consiste em expor a situação ao médico assistente de família que, regra geral e após uma análise preliminar, encaminha o caso para um urologista ou especialista em andrologia especialista.


O diagnóstico

A avaliação médica tem como ponto de partida a história clínica e psicossexual, que o especialista deverá ficar a conhecer de forma detalhada. É também realizado um exame físico e análises ao sangue para avaliar a componente hormonal e despistar outras patologias. O leque de exames disponíveis neste âmbito inclui ainda o ecodoppler peniano (exame de imagem para avaliação vascular), um estudo neurológico, provas de rigidez peniana noturna e cavernosografia (drenagem venosa e estudo anatómico dos corpos cavernosos do pénis). Dependendo das causas associadas poderá estar indicada a realização de uma consulta psicológica e ser solicitada a participação da parceira.


Tratamentos disponíveis

A abordagem terapêutica a esta patologia pode assumir várias frentes, consoante as causas e outras patologias associadas. Assim, além de mudanças ao nível do estilo de vida (tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade), controlo de outras patologias (dislipidemias, hipertensão, diabetes) e medicação, pode englobar terapias comportamentais, acompanhamento psicológico ou terapia sexual. No que respeita a fármacos, os inibidores da fosfodiesterase, que favorecem a resposta sexual, são considerados uma opção de primeira linha (desde que o paciente não tenha contraindicações, nomeadamente a nível cardíaco). Existem outras soluções, como por exemplo os dispositivos de ereção por vácuo, o tratamento hormonal por via oral ou injetável e, em último recurso, a cirurgia, usada para colocação de próteses penianas ou correção da componente venosa (indicada para homens mais novos com alterações a nível vascular).

A disfunção erétil é uma das principais queixas associadas à andropausa. O seu impacto ultrapassa a esfera da sexualidade, repercutindo-se na autoestima da pessoa e no relacionamento do casal. Reconhecer que existe um problema e procurar ajuda médica é, por isso, essencial.

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pelo Conselho Científico da AdvanceCare.

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