Método Montessori: já ouviu falar?

Método Montessori: já ouviu falar?

Junho começou com o Dia da Criança, que celebra os direitos fundamentais das crianças em todo o mundo. E porque um deles é o direito à educação, quisemos saber mais sobre o método Montessori.


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O que têm em comum o escritor Gabriel García Marques, o cofundador da Google Sergey Brin, e o CEO da Amazon, Jeff Bezos? Todos eles são homens de sucesso, mas o que os une é o facto de terem sido educados segundo os princípios do método Montessori.

Este é um método que deve o nome à pedagoga e psiquiatra italiana Maria Montessori, que viveu entre 1870 e 1952, e que acreditava que o valor da aprendizagem estava em libertar a verdadeira natureza do indivíduo. Só assim – afirmava – seria possível compreender melhor as crianças: e defendia, por isso, que o ensino deveria ser adaptado aos estudantes, o que tornaria a aprendizagem mais eficaz e menos morosa, na medida em que a criança não era obrigada a moldar-se a processos e ritmos iguais para todos.
Maria Montessori assumiu que cada criança deve aprender a um ritmo próprio, mas a observação permitiu-lhe identificar que em cada idade existem os chamados períodos sensíveis ou janelas de oportunidades, que são aqueles momentos em que as potencialidades do aluno são mais propícias a ser exploradas. E, em função desses traços comuns em cada faixa etária, desenvolveu um método assente em seis pilares, sem prejuízo da individualidade:

  1. Autoeducação
  2. Educação como ciência
  3. Educação cósmica
  4. Ambiente preparado
  5. Adulto preparado
  6. Criança equilibrada

Autoeducação: liberdade de escolha

Vejamos o que Maria Montessori entendia por cada um destes pilares. A autoeducação, como o nome indica, assenta na ideia de que a criança é capaz de aprender sozinha. Afinal, é assim desde o nascimento: a criança aprende a reconhecer a voz e a aparência dos outros, a pegar em objetos, a comer, a falar e a andar, bem como a dar e a receber carinho. O que o método Montessori faz é confiar na criança para outras aprendizagens: assim, recorre a materiais específicos que são feitos para ser manipulados pela criança, propõe a resolução de um novo desafio de cada vez e dá-lhe a possibilidade de perceber os próprios erros. No fundo, dá-lhe liberdade para escolher e para repetir cada exercício as vezes que quiser.


Educação cósmica: o universo como fonte de curiosidade

Já a educação cósmica propõe-se despertar o olhar e o interesse da criança para tudo o que a rodeia, transmitindo a ideia de que tudo está ligado e interdependente. Maria Montessori defendia que, havendo ordem, há relações entre as coisas e, havendo relações, é sempre possível fazer mais uma pergunta. E as perguntas são, segundo este método inovador, a forma de transmissão do conhecimento que é preciso estimular, de modo a que a criança queira sempre saber mais. 


De Anne Frank a Jeff Bezos

A história do mundo tem sido escrita por várias personalidades cuja aprendizagem se fez segundo o método Montessori. É o caso de Anne Frank, a adolescente alemã de origem judaica que se tornou famosa após a publicação do diário em que relatava as experiências vividas durante o holocausto. Há registos de que o pai, Otto Frank, terá dito que Anne era uma pessoa muito exigente, que fazia perguntas continuamente e a quem tudo e todos interessavam.
É também o caso do escritor Gabriel García Marquez. Prémio Nobel da Literatura, que tem já dado testemunhos público de como o método o influenciou: “Não acredito que exista um método melhor para tornar as crianças sensíveis às belezas do mundo e para despertar a sua curiosidade sobre os segredos da vida”.
Do mesmo modo, Sergey Brin, cofundador da Google, atribuiu ao método Montessori a virtude de proporcionar aos alunos liberdade para fazerem as coisas à sua maneira, chamando a atenção para o facto de Larry Page, seu parceiro de empreendedorismo, ter igualmente frequentado o ensino pré-escolar numa escola Montessori: “É algo que temos em comum. Acho mesmo que se pode ligar a educação Montessori à nossa vontade de perseguirmos os nossos interesses”.
O mesmo entende Jeff Bezos, fundador de um dos maiores sites de comércio do mundo, a Amazon. Tem afirmado publicamente que o facto de ter frequentado uma escola Montessori foi essencial para que se tornasse no homem e empresário que é hoje, pois proporcionou-lhe um ambiente de confiança para se concentrar na exploração e criatividade pessoais.


Os estudos que confirmam os testemunhos

Este método revolucionário tem sido alvo de vários trabalhos de investigação, em busca da prova científica daquilo que os testemunhos apontam: a ligação com o sucesso.
É o caso de “Preschool Children’s Development in Classic Montessori, Supplemented Montessori and Conventional Programs”, publicado em 2012 no Journal of School Psychology. A autora, Angeline Lilard, mostra que as crianças que aprendem segundo este método apresentam resultados significativamente melhores do que as que aprendem segundo o método tradicional em áreas como a leitura, o vocabulário, a matemática e a capacidade de resolver problemas.
Um outro estudo – “The evidence base for improving school outcomes by addressing the whole child and by addressing skills and attitudes, not just content”, publicado em 2010 – evidencia a importância de a escola se focar na criança como um todo e não apenas nas suas competências académicas. A sua autora, Adele Diamond, professora de Neurociência Cognitiva da Universidade da Colúmbia Britânica, enfatiza as vantagens de acarinhar as necessidades emocionais e sociais da criança, precisamente o que defende o método Montessori.

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