Covid-19 e obesidade: uma relação arriscada e que importa prevenir

Covid-19 e obesidade: uma relação arriscada e que importa prevenir

A obesidade é um fator de risco para mais e maiores complicações em caso de infeção por covid-19, razão por que reduzir o excesso de peso é importante. Para atingir o objetivo, a nutricionista Inês Panão reforça a necessidade de apoio especializado e partilha alguns conselhos para uma perda de peso eficaz e saudável.

Obesidade e Covid-19 

 

O Ano Novo costuma ser uma das alturas escolhidas por toda a gente para o estabelecimento de objetivos a atingir e, entre as resoluções habituais, a perda de peso é uma das mais populares. E a verdade é que, em 2021, atingir esta meta poderá fazer ainda mais diferença na vida de algumas pessoas, tendo em conta a relação cada vez mais conhecida entre o excesso de peso e a covid-19. Com efeito, diversos estudos levados a cabo desde que a pandemia deflagrou revelam que a obesidade constitui um fator de risco para o desenvolvimento de complicações graves em caso de infeção pelo SARS-CoV-2. Uma das pesquisas que permitiram chegar a esta conclusão foi publicada na revista Obesity Reviews, segundo a qual a obesidade aumenta 48% o risco de morte por covid-19, da mesma forma que o risco de internamento cresce 113% e a necessidade de cuidados intensivos sobe 74% nestes doentes. No seguimento das investigações que têm vindo a ser desenvolvidas, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), o instituto de saúde pública dos EUA, passou a considerar a obesidade como um dos problemas de saúde suscetíveis de agravar a covid-19.
Mas o impacto negativo do excesso de peso, no que à infeção pelo SARS-CoV-2 diz respeito, não se fica por aqui. Segundo a nutricionista Inês Panão, da clínica Safegene, em Oeiras, “a obesidade é uma doença que está associada ao aumento de outras complicações de saúde, tais como doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, as quais agravam o risco de contrair a covid-19”. Por tudo isto, fica clara a relevância de se equacionar a perda de peso como forma de minorar o impacto que uma eventual infeção com o SARS-CoV-2 possa ter no organismo.

Confinamento e excesso de peso

A necessidade de perda de peso pode ter ficado ainda mais reforçada após o longo período de confinamento vivido, seguido das muitas restrições à livre circulação que têm vindo a ser estabelecidas como forma de conter a pandemia. Isso mesmo é confirmado por Inês Panão, de acordo com a qual, “durante o confinamento a maioria das pessoas tornou-se mais sedentária, o que por si só contribui para o aumento de peso”.
Outra situação que também ficou muito exposta durante o isolamento foi o aumento da ingestão de comida processada. Inês Panão confirma que “no geral, a alimentação das pessoas durante o confinamento foi menos boa”, o que ficou provado pelas conclusões de um estudo da Direção-Geral da Saúde realizado com o objetivo de analisar os hábitos alimentares dos portugueses nesse período. Com efeito, ficou a saber-se que quase metade da população inquirida (45,1%) diz ter alterado os seus hábitos alimentares durante aquele tempo e 41,8% têm a perceção de que mudou para pior.
A nutricionista sublinha que “o aumento de peso é uma consequência imediata” deste contexto. “Se o estilo de vida não for alterado, através de uma melhoria dos hábitos alimentares e do combate ao sedentarismo, a longo prazo podem surgir complicações, tais como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, dislipidemia, isto é, todas aquelas doenças associadas a um estilo de vida menos promotor de saúde”, refere a profissional. Mas há também exceções à regra, tendo observado igualmente um movimento inverso entre as pessoas que segue em consulta, isto é, indivíduos que, “ao se aperceberem da situação, começaram a ter mais cuidado e até a praticar exercício físico em casa”.

Obesidade ou excesso de peso?

Nem todo o excesso de peso é obesidade, pelo que importa esclarecer de que é que se está a falar quando estes termos são usados. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, considera-se excesso de peso quando o Índice de Massa Corporal (IMC) da pessoa é igual ou superior a 25. Já a obesidade é diagnosticada quando este valor é igual ou superior a 30. O IMC resulta da relação entre o peso e a altura de cada indivíduo.

Saúde mental e obesidade

Numa altura em que tanto se fala das consequências deste momento atípico na saúde mental das populações, não é de descurar a relação que se estabelece entre saúde mental e alimentação. Nas palavras de Inês Panão, estas duas dimensões “estão muito relacionadas, podendo ocorrer tanto um aumento como uma perda de peso”. “Quando o indivíduo não se encontra no seu pleno estado de saúde mental, pode ‘compensar’ as suas perturbações na alimentação”, explica, acrescentando que tal poderá originar “uma redução drástica do apetite, reduzindo a ingestão alimentar, como também pode haver um aumento da ingestão alimentar e até compulsão”.
Além disso, “a ansiedade pode também interferir com o funcionamento intestinal, provocar náuseas e vómitos”, refere a nutricionista, sublinhando que “todas estas respostas são individuais e podem ser multifatoriais, ou seja, não é só o facto de estar confinado que pode provocar alterações na saúde mental e no comportamento alimentar, mas tudo o que está associado, nomeadamente, o isolamento, a falta de comunicação e o défice de vitamina D”.

Este é o momento certo para emagrecer?

Tendo em conta que a obesidade é um fator de risco para complicações numa eventual infeção pelo SARS-CoV-2, poder-se-á partir do princípio de que é sensato iniciar-se um programa de perda de peso. Mas será que este é o momento certo? Segundo a profissional de saúde, “o momento certo para alguém iniciar o processo de perda de peso é individual. A pessoa tem de estar motivada para isso, porque mesmo que o objetivo não seja fazer dieta, é necessário foco e motivação”. Assim, “para uns, pode ser o momento certo porque, por exemplo, têm menos vida social, mas, para outros, a tristeza e o isolamento associados ao confinamento podem perturbar o estado de saúde mental e por isso não se sentem preparados para dar esse passo”, justifica.
Acima de tudo, “a pessoa tem de estar motivada”, frisa a especialista, caso contrário, “os resultados não aparecem”. Por outro lado, lembra que “o acompanhamento por profissionais de saúde especializados é essencial, não só para a obtenção de resultados, mas para não pôr em risco a saúde do utente”. É, pois, relevante ter bem presente que “a promoção de saúde é o objetivo primordial”, razão por que “será importante ter exames recentes, para que o profissional possa aconselhar da melhor forma”.

A importância de procurar ajuda profissional

Entre os vários profissionais habilitados a apoiar neste objetivo, Inês Panão esclarece que “o nutricionista é o profissional de saúde dotado do conhecimento na área da nutrição e alimentação e, por isso, é aquele que não só estipula o plano alimentar do utente, como o acompanha, ajuda e educa para uma alimentação saudável”. Nesse sentido, salienta que “é recomendado que todos aqueles que desejem perder peso procurem um nutricionista, independentemente de já o terem feito no passado, ou não”. Desde logo, porque “o nutricionista, atualizando de forma contínua os seus conhecimentos, será aquele que pode guiar o utente através da mais recente literatura científica”. Por outro lado, porque este profissional “adapta toda a alimentação ao indivíduo de acordo com a sua saúde, história alimentar, gostos pessoais e rotinas”. Por fim, a nutricionista chama ainda a atenção para o facto de atualmente existir “muita desinformação”, logo, “nem tudo o que está online ou é dito por uma pessoa famosa, por exemplo, é correto ou é adequado a cada pessoa individualmente”.

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Dez conselhos para quem quer perder peso

A nutricionista Inês Panão partilha 10 conselhos para ajudar quem pretende concretizar o objetivo de perder peso:

  1. Procurar um nutricionista. O acompanhamento por um profissional especializado é o primeiro passo.
  2. Adequar as expectativas à realidade e não esperar resultados imediatos. 
  3. Manter o otimismo e não pensar, logo à partida, que se vai passar fome ou fazer um esforço gigante, pois dessa forma começará logo derrotado;
  4. Motivação é fundamental.
  5. Manter o foco ao longo do processo, procurando não desanimar facilmente.
  6. Cultivar abertura de espírito e evitar recusar alimentos só porque nunca os experimentou.
  7. Planear a alimentação. A preparação é um fator muito importante.
  8. Dormir bem é fundamental para o objetivo de perder peso. 
  9. Ser ativo, ou seja, reduzir o sedentarismo, passar menos tempo sentado. 
  10. Pensar a longo prazo numa alimentação equilibrada e integrada num estilo de vida saudável.

 

 

 

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pelo Conselho Científico da AdvanceCare.

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