Perímetro abdominal e doenças cardiovasculares

Perímetro abdominal e doenças cardiovasculares

A gordura abdominal é considerada a mais perigosa para a saúde por estar relaciona a um maior risco de desenvolver problemas de saúde associados à obesidade como a diabetes, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Neste artigo vamos explicar-lhe qual é a relação entre o perímetro abdominal e as doenças cardiovasculares e como pode minimizar os riscos.


abdomen


De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), em Portugal, o excesso de peso e a obesidade são um dos principais problemas de saúde e as doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte, sendo prioritário atuar ao nível da prevenção.

O índice de Massa Corporal (IMC) é, regra geral, a medição utilizada para fazer o diagnóstico de obesidade. Mas, atualmente, para avaliar a presença de obesidade e, em simultâneo, o risco de vir a desenvolver doenças associadas à obesidade (aquilo que se designa por risco metabólico), como a diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão arterial, tem sido cada vez mais utilizado como indicador de risco metabólico a medição do perímetro da cintura (perímetro abdominal). Este indicador de risco metabólico permite avaliar, em adultos, a distribuição da gordura corporal.


Como se mede o perímetro abdominal?

É muito simples fazer esta medição: basta colocar a fita métrica em torno do abdómen, acima do osso da anca, e tirar a medida. De acordo com os valores de referência, um perímetro abdominal igual ou superior a 80 centímetros na mulher e igual ou superior a 94 centímetros no homem corresponde a um risco metabólico aumentado. Já um perímetro abdominal igual ou superior a 88 centímetros na mulher e igual ou superior a 102 centímetros no homem corresponde a um risco metabólico muito aumentado. Qualquer um destes resultados deve implicar aconselhamento médico.


Por que é que a gordura abdominal é perigosa?

A gordura que se localiza em torno do fígado e outros órgãos abdominais é metabolicamente ativa, o que significa que liberta mais de 80 substâncias químicas e hormonas que são agressivas para o aparelho circulatório e para o pâncreas, tendo várias consequências graves para a sua saúde:

  • Aumento dos níveis de colesterol: Anomalias nos níveis de colesterol constituem um importante fator de risco para a aterosclerose que, de acordo com a Fundação Portuguesa de Cardiologia, é a principal causa de morte nos países desenvolvidos. A gordura acumulada nas paredes das artérias pode conduzir à obstrução parcial ou total do fluxo sanguíneo que chega ao coração e ao cérebro.
  • Aumento da tensão arterial: Segundo a Fundação Portuguesa de Cardiologia, existem cerca de 2 milhões de hipertensos em Portugal, embora só 50% destes saibam que sofrem deste problema. Por esta razão, e em muitos casos, a hipertensão arterial não é corrigida ou controlada, o que faz com que seja um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
  • Aumento dos níveis de glucose no sangue: Pode conduzir ao desenvolvimento de diabetes, que surge quando o pâncreas não é capaz de produzir a hormona insulina em quantidade suficiente e/ou quando a insulina não atua de forma eficaz. A hiperglicemia é um problema que ocorre quando a glucose se acumula no sangue, deteriorando gradualmente os vasos sanguíneos. A angina de peito, o enfarte agudo do miocárdio (ataque cardíaco) e a morte cardíaca súbita são patologias a que os diabéticos estão mais propícios.

Como prevenir a obesidade e diminuir o seu risco metabólico

Embora a obesidade tenha uma componente genética, está ao seu alcance atuar em diversas esferas:


– Vigilância

Aconselhe-se com o seu médico acerca da periodicidade com que deve medir o perímetro abdominal, a tensão arterial, fazer a avaliação dos níveis de colesterol total e de glicemia em jejum e calcular o IMC (Índice de Massa Corporal). Consoante a sua história clínica, antecedentes familiares e fatores de risco, o médico pode recomendar a realização periódica de exames específicos.


– Alimentação

Segundo a Fundação Portuguesa de Cardiologia, fazer uma alimentação equilibrada, diversificada e fracionada ajuda a controlar o peso, é útil para diminuir o risco de doenças cardiovasculares e ajuda a reduzir os valores de tensão arterial. Fracionar as refeições, não estando em jejum mais de 3 horas, ajuda a manter estáveis os níveis de açúcar no sangue – ajudando a prevenir o desenvolvimento de diabetes. A alimentação diária deve ser rica em fruta e vegetais (no mínimo, 5 porções) e pobre em gorduras (o azeite deverá ser a gordura de eleição para temperar e cozinhar) e sal (substitua-o por ervas aromáticas e/ou limão na confeção das refeições). Procure ingerir peixes gordos (salmão, atum, sardinha, entre outros) 3 vezes por semana. Não consuma bebidas alcoólicas em excesso.


– Exercício físico

Fazer exercício físico durante 30 a 60 minutos todos os dias ajuda a manter o peso adequado ou a perder peso, diminui os níveis de colesterol, reduz o risco de hipertensão e de doenças cardiovasculares. Implemente hábitos como subir as escadas em vez de usar o elevador, se utilizar os transportes públicos, e sempre que possível, saia na paragem/estação anterior à “sua” e durante o fim de semana tente organizar atividades físicas ao ar livre com familiares ou amigos. Se tiver um problema de saúde já diagnosticado, optar pelo treino personalizado poderá ser a opção mais segura.

A gordura abdominal, além de inestética, é um indicador do risco de desenvolvimento de doenças associadas à obesidade e, por isso, é tão importante controlá-la. A prevenção da obesidade e das consequências desta passa pela vigilância da sua saúde, assegurando a manutenção de um peso adequado através de uma alimentação equilibrada e diversificada e da prática regular de exercício físico.

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