Saúde além da Covid-19: Sinais e sintomas a que e preciso estar atento

Saúde além da Covid-19: Sinais e sintomas a que e preciso estar atento

Quotidiano
Última atualização: 25/11/2022
Saúde além da COVID-19

É importante que se continue a ir ao médico sempre que necessário apesar da pandemia de COVID-19.

O cancelamento de consultas e exames foi uma das consequências da pandemia, mas o regresso à normalidade possível é importante. A médica Patrícia Maia realça a necessidade de se prestar atenção a alguns sintomas e procurar o médico sempre que se justifique.

Ainda que as consultas telefónicas ou por videochamada tenham sido adotadas em muitos serviços de saúde para evitar deslocações a hospitais, clínicas e centros de saúde, a verdade é que muitos foram os portugueses que deixaram de ir ao médico desde que a pandemia começou a ganhar relevo. Por exemplo, em maio de 2020, a Entidade Reguladora da Saúde observou quedas de 31% no número de consultas médicas hospitalares, 57 % no de cirurgias planeadas e de 15% no de cirurgias urgentes, quando comparados com o mesmo período do ano anterior.

Cenário idêntico verificou-se um pouco por todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde estudou este fenómeno da interrupção da prestação de cuidados em 95 países ao longo da pandemia. Durante o período entre novembro-dezembro de 2021, sofreram disrupção de serviço:

  1. 53% dos cuidados de saúde primários, 8% dos quais num valor superior a 50%;
  2. 38% dos cuidados de emergência, críticos e operativos;
  3. 48% de cuidados de reabilitação e paliativos;
  4. 58% das consultas com especialistas.

No entanto um regresso à normalidade possível continua a importar. Segundo a especialista Patrícia Maia, “a população tem de continuar a ser muito sensibilizada sobre o quão fundamental é manter a sua vigilância médica habitual, mesmo em época de COVID-19”.

Para tal, é também relevante compreender e desmistificar o medo que muitas pessoas passaram a sentir e que as está a impedir de procurar os cuidados de saúde de que necessitam: “O tomar consciência da dimensão desta pandemia e todas as restrições que foram sendo impostas, obviamente consciencializaram – ou deviam ter consciencializado – a população para as medidas de proteção a tomar, mas numa franja importante também criaram o medo e hoje sentimos que o medo impede parte da população de retomar a sua vigilância médica.”

Consequências dos adiamentos

 

De acordo com Patrícia Maia, muitas são as eventuais consequências dos cancelamentos e adiamentos de consultas e exames: “O constante adiar, seja por medo ou por dificuldade de acesso, garantidamente vai descontrolar doenças crónicas e dificultar diagnósticos precoces.” Concretamente, a médica prevê que “vamos ter uma população cada vez mais doente e um consequente aumento da mortalidade não COVID-19”, ao mesmo tempo, acredita que “tenhamos mais perda de qualidade de vida e custos com a saúde acrescidos, com tratamentos mais prolongados, cirurgias mais complicadas e sequelas de doenças não controladas”. Como exemplo desta última situação, aponta “o AVC em pessoas com hipertensão não controlada, cancros diagnosticados em fases tardias e com menor probabilidade quer de sobrevida quer de qualidade de vida”.

Segundo a especialista, a situação é mais complexa do que parece, pois “não são só as consultas que estão a ser evitadas, mas também as urgências e quando os doentes recorrem a um serviço de urgência apresentam já quadros mais críticos, quer de doença aguda ou de doença crónica descompensada”.

Importante: cuide da sua saúde

 

Perante o contexto pelo qual passamos, que motiva grande preocupação, Patrícia Maia não hesita em sublinhar a importância de cada um zelar pela sua saúde, “mesmo em época de COVID-19”, até porque os problemas de saúde não se limitam aos provocados por este coronavírus. A especialista defende que “quem tem uma doença crónica e não é vigiado há mais de seis meses tem obrigatoriamente de regressar aos serviços de saúde, tem de ser proativo na sua saúde, sob pena de tardarmos com tratamentos e o tempo ser irreversível”.

Também no caso de “adultos aparentemente saudáveis, mas que não fazem nenhuma revisão há mais de um ano, estes devem ser incentivados a fazê-la, para seu próprio benefício e bem-estar”. Já no que diz respeito às crianças, a especialista confia que o problema possa não ser tão grave, tendo em conta que os intervalos de vigilância nestas faixas etárias são mais apertados, “havendo sempre uma preocupação acrescida por parte dos pais”.

Não esquecer a saúde mental

 

Outra dimensão destacada por Patrícia Maia prende-se com a saúde mental da população, depois de um momento tão específico da nossa existência e em que tantas variáveis estiveram em constante mudança, muitas das quais contribuindo para um aumento generalizado da ansiedade. Nas suas palavras, merece atenção “o facto de vivermos uma época de grande instabilidade e de incógnita, que vai continuar a prolongar-se temporalmente criando grande instabilidade emocional”. Em concreto, a médica explica que “o isolamento social, a falta de afetos físicos, a falta de contacto humano, a falta de convívio com amigos e familiares, a ausência de partilha, o medo de ficar doente ou de ser transmissor de doença e os projetos de vida adiados originam problemas emocionais e psicológicos incalculáveis, traduzidos por tristeza, depressão, ansiedade, perturbações do sono, perturbações da nossa relação com a comida, nomeadamente através de excessos alimentares”. O risco que se correu após “todas estas perturbações emocionais e psicológicas tendam a agravar doenças já existentes, bem como a fazer surgir novas doenças, como obesidade, hipertensão, diabetes, dependências medicamentosas, entre outras”.

Confiar e procurar cuidados

 

A necessidade de se continuar a zelar pela saúde de todos – sem focar apenas na infeção de COVID-19 – é, pois, uma prioridade, com Patrícia Maia a sublinhar que “temos de prosseguir o nosso caminho com todas as precauções acrescidas, na certeza de que os prestadores de saúde querem uma população mais saudável e têm oferecido condições de segurança para que se retome a atividade clínica minimizando os riscos, não só para os doentes, mas também para todos os profissionais que mantêm o sistema a funcionar”.

A médica observa que “ainda há muito receio na procura dos cuidados de saúde”. Referindo-se à sua prática clínica diária, salienta que “a procura está a tender para níveis pré-pandemia, mas notando-se um misto de doentes habituais com novos doentes, estes pela dificuldade de chegarem ao contacto com o seu médico habitual”. No local onde trabalha, não só foram mantidas as consultas presenciais, como também telefónicas e videoconsultas, o que se justifica com o facto de ser importante “garantir a acessibilidade e perceber as necessidades de quem procura”.

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pelo Conselho Científico da AdvanceCare.

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