A importância de guardar as células estaminais do cordão umbilical

A importância de guardar as células estaminais do cordão umbilical

Maternidade
Última atualização: 10/08/2022
  • As células estaminais do cordão umbilical são células totipotentes que têm a capacidade de se transformarem nas células especializadas que constituem os órgãos e tecidos do nosso corpo.
  • O potencial das células estaminais passa pelo seu uso para o tratamento de mais de 80 doenças, que incluem doenças do sangue, do sistema imunitário, e ainda doenças metabólicas.
  • O tecido do cordão umbilical é uma fonte de células estaminais mesenquimais, que também têm um grande potencial de tratamento de certas doenças, como monoterapia ou em combinação com células estaminais do sangue do cordão umbilical.

A chegada de um bebé traz o tema da criopreservação de células estaminais. Para que seja uma decisão informada, falamos com Carla Cardoso, Diretora de Investigação e Desenvolvimento da Crioestaminal que nos explicou o potencial da criopreservação das células do cordão umbilical.

Dadas as aplicações atuais e o crescente número de ensaios clínicos com células estaminais do cordão umbilical, a decisão de guardar estas células, cuja colheita pode apenas ser feita no momento do parto, assume grande importância.

 

O que são as células estaminais?

As células estaminais são células com capacidade para se transformarem e darem origem às células adultas que constituem os tecidos e órgãos do nosso corpo, sendo assim chamadas como células totipotentes. Não só têm a capacidade de se dividirem indeterminadamente, mas também de autorrenovação delas próprias e de se diferenciarem em células com diferentes funções e características. Durante o desenvolvimento embrionário, as células estaminais especializam-se originando os vários tipos de células do corpo, como células do músculo cardíaco, neurónios, glóbulos vermelhos ou células da pele. Mais tarde, já em adultos, as células estaminais permitem a reparação de tecidos danificados e substituem as células que vão morrendo. A sua colheita é feita no momento do parto, no entanto, já depois do nascimento do bebé, do corte do cordão umbilical e da expulsão da placenta, sendo um processo seguro e sem risco para a mãe e para o bebé, explica o departamento do Sangue e Transplante do National Health Service do Reino Unido. A sua criopreservação deve ser realizadas dentro das próximas 72h.

O potencial do sangue do cordão umbilical

O sangue do cordão umbilical é atualmente considerado uma fonte de células estaminais alternativa à medula óssea. Pode ser usado para o tratamento de mais de 80 doenças que incluem doenças do sangue (como leucemias e alguns tipos de anemias) e do sistema imunitário, e ainda doenças metabólicas. Já foram realizados mais de 45.000 transplantes com sangue do cordão umbilical em todo o mundo, e mais de 80 entre 2002 e 2019 em Portugal. Já o primeiro transplante com sangue do cordão umbilical em Portugal ficou marcado no IPO de Lisboa com uma criança de 3 anos, que sofria de leucemia mieloide crónica juvenil. Entrou em remissão após ser transplantada com as células do seu irmão. Contudo, o armazenamento de células estaminais para uso individual ou familiar é um processo que implica um gasto monetário. Sendo assim, é crucial fazer uma decisão informada. No entanto, existem bancos públicos de armazenamento que se destinam ao uso por qualquer doente que mostre compatibilidade, sem fins lucrativos. É também importante entender que, em certas condições, a utilização das próprias células do doente não é indicada, pois podem ser a origem da doença.

“Para além da utilização no contexto das doenças do foro hemato-oncológico, a utilização do sangue do cordão umbilical encontra-se em estudo em ensaios clínicos (utilização experimental em humanos), em doenças como paralisia cerebral, autismo, perda auditiva, diabetes tipo 1 e lesões da espinal medula, entre outras, o que poderá aumentar o leque de aplicações clínicas do sangue do cordão umbilical.” como explica Carla Cardoso.

O interesse do tecido do cordão umbilical

O tecido do cordão umbilical é muito rico num outro tipo de células, as células estaminais mesenquimais, que poderão vir a ser úteis para o tratamento de um conjunto alargado de doenças e ter até uma utilização complementar às células do sangue do cordão umbilical, sublinha Carla Cardoso.

As células estaminais mesenquimais podem diferenciar-se em cartilagem, osso, músculo e outros tecidos. Para além disso, estas células têm a capacidade de regular a resposta do sistema imunitário e assim aumentar a probabilidade de sucesso dos transplantes, quando utilizadas em conjunto com células estaminais hematopoiéticas, conferindo-lhes potencial especial para o tratamento de doenças do foro autoimune. Atualmente, existem 301 ensaios clínicos registados para o uso de células estaminais mesenquimais para o tratamento de várias doenças, como diabetes, colite ulcerosa, cirrose hepática, cardiomiopatias, esclerose múltipla, lúpus, doença de Crohn, COVID-19, entre outras. Um dos primeiros ensaios clínicos com este tipo de células envolveu o seu uso contra a doença do enxerto contra hospedeiro, depois de um transplante hematopoiético. Igualmente, novas descobertas na área da biomedicina estão a ocorrer todos os dias, levando a novas terapias para outras doenças, até mesmo doenças raras, onde a característica multipotente e aplicações destas células podem ser cruciais a melhorar significativamente a qualidade de vida da pessoa.

Dadas as aplicações atuais e o crescente número de ensaios clínicos com células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical, a decisão de guardar estas células, cuja colheita pode apenas ser feita no momento do parto, assume grande importância, refere Carla Cardoso.

A Crioestaminal é reconhecida por ser o maior banco de criopreservação da Península Ibérica e um dos mais relevantes da Europa, levando também um papel de promotor de acesso a tratamentos inovadores com células estaminais. Desde o momento em que iniciou a sua atividade em 2003, já foram libertadas várias amostras de células estaminais que resultaram na sua utilização em 19 tratamentos em Portugal, Espanha e Estados Unidos da América. Do contínuo investimento da Crioestaminal em investigação e inovação tecnológica resultou quatro novas patentes com o objetivo de expandir a aplicação clínica das células estaminais.

Para além do reconhecido valor do sangue do cordão umbilical no tratamento de doenças do foro hemato-oncológico, a investigação com esta fonte de células estaminais tem conduzido a resultados muito promissores fora deste contexto. À semelhança do sangue, também o tecido do cordão umbilical tem mostrado potencialidades para o tratamento de um conjunto alargado de doenças. A comunidade científica e médica espera grandes avanços nestas áreas no futuro próximo, conclui Carla Cardoso.

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