Anemia

Anemia

Saúde e Medicina
Última atualização: 24/08/2022

A anemia é uma doença muito mais comum do que podemos pensar. Existem várias pessoas que já sofreram ou sofrem de anemia devido a várias causas, descubra quais são.

O que é a anemia?

A anemia é uma patologia em que a hemoglobina (pigmento que dá cor aos glóbulos vermelhos e tem a função de transportar o oxigénio dos pulmões para os tecidos) apresenta valores inferiores ao normal.

A falta do mineral ferro é uma das causas principais da anemia, sendo que o nosso organismo absorve um a dois miligramas de ferro diariamente através dos alimentos, quantidade equivalente à que também perde normalmente por dia.

Quem é mais afetado pela anemia?

Trata-se de uma doença comum que pode afetar qualquer pessoa, no entanto é mais frequente em mulheres em idade fértil, devido à perda de sangue durante a menstruação. Os bebés, crianças e idosos figuram também nos grupos de risco, devido à ingestão e absorção deficitária de ferro.

Impacto mundial

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a anemia é “um grave problema de saúde pública global”, que afeta principalmente crianças pequenas e mulheres grávidas, estimando a OMS que “42% das crianças com menos de 5 anos de idade e 40% das mulheres grávidas em todo o mundo têm anemia”. 

Ainda segundo a OMS, a anemia é um indicador de má nutrição e saúde precária. É um problema em si mesma, podendo ter impacto no baixo peso ao nascer ou obesidade infantil devido à falta de energia para poder realizar exercício físico. O desempenho escolar em crianças e a redução da produtividade no trabalho em adultos devido à anemia pode ter igualmente um elevado impacto social e económicos para o indivíduo e a família.  

Dados sobre a anemia em Portugal

O Anemia Working Group Portugal – Associação Portuguesa para o Estudo da Anemia, à semelhança da OMS, também considera a anemia como um “problema de saúde pública”, tendo este grupo vindo a trabalhar com “o objetivo central de posicionar a anemia na plataforma de importância que tem, enquanto entidade clínica própria, e pelo impacto que assume no contexto de outras patologias, com vista à constituição de um centro de competência para o estudo desta epidemia oculta nas suas diversas vertentes”.

Segundo este grupo, que é constituído por médicos de várias especialidades, os valores da prevalência em Portugal são os seguintes:

  • Anemia no adulto: 20%.

  • Anemia na grávida: 54%

  • Ferropénia no adulto (ferritina <30mg/ml): 32%

  • Ferropénia na grávida: 41%

Causas da anemia

Existem três causas principais para a anemia:

  • Hemorragia: Perda excessiva de sangue devido à menstruação; perda de sangue por problemas gastrointestinais provocados pela toma de medicamentos, lesões, cirurgia ou outras patologias como úlceras, cancro.

  • Produção deficitária de glóbulos vermelhos: Pode ser inata ou adquirida, devido a uma dieta deficitária (pobre em ferro, vitaminas B e C), gravidez, desequilíbrios hormonais, doenças crónicas como a insuficiência renal e tratamentos contra o cancro ou VIH/Sida. Existe ainda uma patologia rara – anemia aplástica – na qual a medula não produz a quantidade se células sanguíneas suficientes. É uma situação congénita e grave que requer tratamento médico hospitalar (transfusão ou transplante de medula).

  • Destruição excessiva de glóbulos vermelhos (hemólise): Pode ter origem em problemas no baço, no sistema imunitário ou devido a infeções, entre outros.

Sintomas da anemia

Nos casos mais ligeiros ou em fases iniciais da doença, os sintomas podem passar despercebidos e ser apenas detetados em análise ao sangue. De um modo geral, a anemia está associada aos seguintes sinais:

  • Fadiga.

  • Fraqueza.

  • Tonturas.

  • Dor de cabeça.

  • Falta de ar durante a prática de exercício físico.

  • Palidez.

  • Dor no peito.

  • Mãos e pés frios.

  • Deformação nas unhas.

  • Alopecia (queda cabelo).

  • Amenorreia (ausência de menstruação).

  • Arritmia. 

Como é diagnosticada?

O diagnóstico é feito através da observação clínica, da análise do historial do paciente e da realização de análises ao sangue (Hemograma), onde são relacionados os valores dos constituintes do sangue (Glóbulos Vermelhos, Hemoglobina, Hematócrito, entre outros).

Tratamento da anemia

O tratamento da anemia pode incluir várias abordagens, dependendo do problema que está na origem da doença, nomeadamente:

  • Alteração da dieta alimentar e toma de suplementos de modo a suprir as deficiências em ferro, vitaminas (C, B e B12) e minerais associados à anemia: Os suplementos podem demorar entre três a seis semanas até fazerem efeito. Devem-se fazer análises periódicas ao sangue.

  • Em casos mais graves poder-se-á recorrer a transfusão de sangue, transplante de medula óssea e à cirurgia para corrigir situações de perda intensa de sangue devido a úlceras ou neoplasia ou para remover o baço.

Alimentos ricos em ferro

Segundo o National Health Service, do Reino Unido, boas fontes de ferro incluem:

  • Fígado

  • Carne vermelha

  • Feijão

  • Grão-de-bico

  • Nozes

  • Frutas secas – como damascos secos

  • Cereais matinais fortificados

  • Farinha de soja.

Quanto ferro eu preciso?

A quantidade de ferro indicada para as várias faixas etárias é a seguinte:

  • 8,7mg por dia para homens com mais de 18 anos.

  • 14,8 mg por dia para mulheres de 19 a 50 anos.

  • 8,7mg por dia para mulheres com mais de 50 anos.

Artigo revisto e validado pelo especialista em Medicina Geral e Familiar, José Ramos Osório.

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