Automedicação: um risco ou um erro?

Automedicação: um risco ou um erro?

Quem nunca se automedicou atire a primeira pedra… e quem nunca disponibilizou um medicamento para a dor de cabeça de um amigo ou colega de trabalho, também. Mas este hábito tão tipicamente português pode trazer riscos sérios para a sua saúde. Saiba quais!


automchupa


Uma pessoa sente arrepios, dores de cabeça e febre. Alguém diz-lhe que quando costuma estar assim toma determinado medicamento (paracetamol, por exemplo) e oferece-se para ajudar com a melhor das intenções. Identifica-se com esta situação? É natural que sim. Mas deve saber que esta atitude, aparentemente boa, comporta riscos:


A automedicação leva a que pessoa tome um medicamento sem saber o que tem e sem ter a certeza se os seus sintomas correspondem a determinada doença e esta decisão é sempre um perigo, explica o Dr. Ramos Osório, especialista em Medicina Geral e Familiar da Clínica Cuf Cascais.

Mesmo que determinada medicação tenha sido eficaz para um familiar próximo, a avaliação deve ser feita individualmente. “Não quer isto dizer que o medicamento não possa realmente funcionar, mas só o saberemos ao certo se fizermos o diagnóstico da situação”, adianta o especialista. E acrescenta: “Só ao médico cabe a prescrição médica, embora este seja um tema muito polémico, nomeadamente entre as farmácias e os médicos.”

Para o Dr. Ramos Osório, no entanto, pode haver alguma exceção: nos casos em que determinada medicação tenha sido prescrita anteriormente, numa situação semelhante: “O que combino com os meus doentes de há muitos anos, no caso da gripe, por exemplo, é que não será necessário vir a correr para o médico a menos que tenham dúvidas. Mas se sabem que têm os sintomas que ambos já debatemos em consulta, podem fazer a medicação que lhes sugeri – e que resultou naquele caso – durante 2 a 3 dias. Ao fim desse tempo, se os sintomas não passarem, aí sim é obrigatório procurar ajuda especializada”, diz-nos. Há que ter sempre em conta a idade, o facto de ser ou não fumador e as doenças crónicas, pois tudo “depende do bom senso dos doentes e da sua própria história clínica”.


Terapêuticas alternativas

Muitos doentes optam por procurar alternativas à medicina dita tradicional. Na opinião do Dr. Ramos Osório, a decisão é de cada doente mas é indispensável informar o seu médico assistente e, sobretudo, que nunca o esconda. “Formalmente, não tenho nada contra as medicinas e terapêuticas alternativas. E enfatiza:


Não tenho absolutamente nada contra um doente procurar uma medicina alternativa, mas deve dizê-lo ao seu médico assistente, pois existem medicamentos ditos naturais que interferem com a eficácia da medicação vendida na farmácia.


Automedicação programada é a única exceção

A questão da gripe e da automedicação já anteriormente programada é muito frequente no caso das crianças, quando as mães já foram informadas pelo pediatra sobre como agir face aos sintomas gripais. “Todas as outras situações, tanto em crianças como em adultos, que não foram combinadas ou discutidas com o médico assistente são de uma grande irresponsabilidade. Até porque devemos ter em conta não só os efeitos secundários dos medicamentos, mas o facto de poderem interagir uns com os outros de forma prejudicial”, explica o Dr. Ramos Osório.


3 conselhos para evitar a automedicação

  1. Não abuse do paracetamol: “Por norma, as pessoas desconhecem que paracetamol em excesso pode levar a complicações, como por exemplo insuficiência renal. Há doses de paracetamol altamente tóxicas”, explica o Dr. Ramos Osório.
  2. Procure responsáveis: Todas as pessoas devem ser seguidas pelo seu médico assistente porque é ele quem tem a responsabilidade clínica. “Se uma pessoa for à farmácia buscar um medicamento e se a situação correr mal ou não ficar resolvida, o farmacêutico não pode ser chamado à atenção porque não tem responsabilidade médica”, alerta o médico.
  3. Cuidado com a internet:“Normalmente, as pessoas que investigam doenças na internet vêm sempre assustadas porque essas pesquisas não dão resposta às suas dúvidas. Fico muito satisfeito quando os doentes chegam devidamente informados, ou seja, de alma aberta para conversarem comigo. Mas estar mais informado não significa enfrentar o médico.”

Este artigo foi útil?

Conselho cientifico

Conteúdo revisto

pelo Conselho Científico da AdvanceCare.

A presente informação não vincula a AdvanceCare a nenhum caso concreto e não dispensa a leitura dos contratos de seguros/planos de saúde nem a consulta de um médico e/ou especialista.

Downloads

Consulte os nossos guias para hábitos saudáveis:

Sympton Checker

Utilize a nossa ferramenta de diagnóstico de sintomas.

Programas AdvanceCare relacionados

Artigos relacionados