Como prevenir a Covid-19 durante as férias?

Em tempo de férias é importante conhecer as medidas de prevenção para evitar o contágio de covid-19.

 

 

Verão é tempo de férias e evasão, mas em altura de pandemia todos os cuidados são poucos. Falámos com o infeciologista Vítor Laerte para saber como evitar o contágio.

Depois de um longo período de isolamento, o verão chegou e, com ele, vieram as férias e a imensa necessidade de sair de casa e espairecer. Porém, apesar do desconfinamento, a pandemia de covid-19 é ainda uma realidade com que todos temos de lidar e evitar o contágio é imperativo para proteger a saúde individual e coletiva. Para saber como desfrutar das férias em segurança, perguntámos a Vítor Laerte, especialista em medicina do viajante e doenças infeciosas da CUF, quais as opções mais indicadas e seguras para fazer férias este verão. Segundo o médico, é importante não esquecer que “as medidas de prevenção da transmissão do vírus continuam a valer, já que o agente continua a circular e a causar casos em Portugal, como demonstram as estatísticas divulgadas pela Direção-Geral da Saúde”. Nas suas palavras, “a medida mais segura é permanecer em casa e adotar o distanciamento social”. No entanto, caso a viagem já esteja marcada, o especialista sublinha a necessidade de se “usar sempre a máscara, higienizar as mãos frequentemente e evitar as aglomerações”, sendo que “estes cuidados são particularmente importantes nas estadias em hotéis e ao frequentar locais públicos como cafés e restaurantes”.

Alugar uma casa ou ir para um hotel?

Qualquer que seja a opção para passar uns dias de férias este verão, Vítor Laerte é taxativo: “O risco existe e aumenta com a aglomeração de pessoas.” Assim, “as medidas de distanciamento social e a etiqueta respiratória são mandatórias.”

Alugar uma casa está a ser a escolha de muitos portugueses, mas tendo em conta que esta decisão não é totalmente isenta de riscos, há alguns cuidados que devem ser observados. Segundo o médico, “o contacto com superfícies infetadas tem o potencial de transmitir o vírus, no entanto, esta via é menos importante que a transmissão pessoa a pessoa, como observado com os outros vírus respiratórios”. Nesse sentido, “as medidas de higiene básicas e a utilização de substâncias de base alcoólica, como o álcool-gel, para a higienização das mãos são indispensáveis”. Por outro lado, é também recomendável que “as superfícies com maior manipulação, como braços de cadeira, os tampos de mesa, as torneiras, os interruptores e os corrimãos, entre outras, sejam higienizadas mais frequentemente com substâncias antisséticas”. O especialista sublinha ainda que “é importante manter a ventilação adequada dos ambientes”.

É seguro ir à praia?

Muito se tem falado sobre a ida à praia este verão, devido às lotações das mesmas. Vítor Laerte reconhece que tendo em conta que “a praia é um ambiente aberto com incidência de luz solar em abundância e constante circulação de ar, ou seja, com fatores que dificultam a transmissão do vírus”. Todavia, mesmo neste contexto, “há muitas oportunidades de transmissão”, apontando “a aglomeração de pessoas e o contacto com superfícies contaminadas, nomeadamente, cadeiras, garrafas, alimentos, barracas de praia, etc.”. Em situações em que o distanciamento social não pode ser assegurado, o clínico reforça a necessidade de se usar máscara e higienizar as mãos. Porém, lembra que “o uso de máscara não é aconselhável para crianças menores de dois anos, indivíduos com dificuldades respiratórias ou que não sejam capazes de retirar a máscara por si mesmos”. Acrescenta ainda que “não se pode usar máscara no banho de mar, pois a máscara molhada perde o efeito protetor e torna a respiração mais difícil”.

Viajar de avião: sim ou não?

Embora as viagens de avião estejam autorizadas sem restrições, a verdade é que, de acordo com o especialista em medicina do viajante, estas “podem aumentar a oportunidade de transmissão respiratória, pois os passageiros estão perto uns dos outros e a circulação do ar é feita de forma a favorecer a climatização, pressurização e oxigenação da cabine, mesmo havendo mecanismos de filtração e controlo do fluxo de ar”. Desta forma, frisa que “o uso de máscaras durante a viagem é aconselhável, bem como a higienização das mãos, sempre que tocar em superfícies que possam ter sido manipuladas previamente”.

Vítor Laerte reforça também a importância de se marcar previamente uma consulta do viajante, com o objetivo de “avaliar se o destino tem restrições em relação às viagens, como a imposição de quarentena aos viajantes, assim como perceber as medidas de prevenção e as situações em que o uso de máscara não é aconselhável”. A este propósito, informa que “as viagens são desaconselhadas para quem está doente”.

Quanto à necessidade, ou não, de quarentena, recorda que esta não é exigida “a quem chega ao território nacional por via aérea e que não tenha covid-19, no entanto, alguns países ainda estão com as fronteiras fechadas e exigem quarentena”. Ainda assim, sublinha a necessidade de alguns cuidados, por exemplo, “durante toda a duração da viagem e até 14 dias após o retorno, as medidas de distanciamento social têm de ser rigorosamente aplicadas”. Após o regresso, “é importante que se fique muito atento ao aparecimento de sintomas” e, caso tal aconteça, há que comunicar às autoridades sanitárias, através da linha SNS24.

Vem aí uma segunda vaga?

Para o infeciologista, neste momento, “é precoce” falar-se de uma segunda vaga, ou seja, “pelos dados de que dispomos não é possível fazer essa previsão”. No entanto, “espera-se que, com o desconfinamento e a maior vontade de as pessoas estarem juntas nesta altura do ano, aumente a incidência da doença”. Outro aspeto que o especialista destaca é o facto de o vírus causar menos doença aparente nos grupos etários mais jovens, o que “pode favorecer ainda mais a transmissão”. Porém, “não há como saber se o comportamento do SARS-CoV-2 irá ser semelhante ao da influenza pandémica”, refere.

Outra questão que tem vindo a ser abordada prende-se com o contágio de pessoas pertencentes a grupos sociais mais vulneráveis, que, segundo Vítor Laerte será o que “está mais relacionado com o atual aumento de casos na região de Lisboa”. As condições precárias de residência, a aglomeração de pessoas em casas com pouco espaço e a necessidade de percorrer grandes distâncias nas deslocações para o trabalho, “num sistema de transportes públicos que não se encontra preparado para impedir a disseminação de um vírus altamente contagioso”, são os fatores que, na sua perspetiva, “mais contribuem para a situação corrente”. Ainda que outros contextos possam estar igualmente envolvidos, considera que “são necessários mais estudos para melhor compreensão da situação”.

Cinco regras para frequentar restaurantes e esplanadas

  • Usar máscara sempre que não estiver a beber e/ou a comer;
  • Desinfetar as mãos à chegada ao estabelecimento e sempre que tocar em locais potencialmente contaminados (terminal de multibanco, por exemplo);
  • Procurar, sempre que possível, ficar no exterior, mantendo distância em relação às outras mesas;
  • Se tiver de ficar no interior do estabelecimento, procure situar-se perto de janelas, caso estas possam ser abertas;
  • Cumpra o requisito de usar máscara para se deslocar no interior do restaurante, por exemplo, quando vai à casa de banho.

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pelo Conselho Científico da AdvanceCare.

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