Adolescente no pediatra?

Adolescente no pediatra?

Enquanto os filhos são bebés as visitas ao médico pediatra são regulares. Com o crescimento há tendência para descurar esse hábito muitas vezes porque o próprio adolescente não quer ir ao pediatra – mas deve ir ou não?


adolescente-no-pediatra


As consultas de saúde infantil e juvenil vão diminuindo de frequência desde o nascimento. Além de existirem menos etapas para avaliar, a necessidade dos pais em verificar se está tudo bem com a saúde dos seus filhos vai diminuindo, sobretudo na adolescência, a idade com mais saúde física. No entanto, “a diminuição do número de visitas ao médico não deve, nem pode, reduzir a vigilância e a preocupação com a saúde neste grupo etário”, avisa o médico pediatra Emídio Carreiro, diretor do Centro da Criança e do Adolescente do Hospital Cuf Porto. Os pais devem permanecer atentos. O especialista explica que há 3 momentos em que a saúde do adolescente deve ser avaliada: entre os 11 e os 13 anos, outra aos 15 anos e entre os 17 e 18 anos.


Palavra pediatra “assusta” adolescentes

O adolescente gosta de se ver como “pessoa crescida” e o mais distante possível de ser criança. Mas a passagem dos 14 para os 18 anos como idade até à qual o acompanhamento clínico é efetuado por pediatras trouxe algumas dificuldades também para os médicos.


Segundo o especialista, isto conduziu a situações de profissionais não preparados para orientação destas idades devido à falha no ensino, não só na faculdade mas também na formação clínica que era, efetivamente, deficitária, pois os adolescentes não pertenciam à pediatra.

E os próprios adolescentes “têm muitas vezes dificuldade em aceitar que na sua idade a responsabilidade de observação clínica é do pediatra, um médico associado a bebés, que geralmente trabalha em ambientes muito infantilizados”.


Passar o testemunho

Depois dos 18 anos importa, naturalmente, fazer a melhor ligação possível entre o pediatra e o médico de família. Esta passagem de “testemunho” ganha, de acordo com o Dr. Emídio Carreiro, especial relevância se existirem doenças crónicas graves que, em resultado de melhores cuidados de saúde, atingem mais frequentemente a idade adulta. “Nestas situações a passagem deverá ser cuidadosa, com estabelecimento de contacto personalizado e apresentação do adolescente e da patologia em causa. Esta situação não invalida a realização de um resumo da evolução na saúde e na doença deste ser”, explica o especialista, e acrescenta que “se o pediatra preencher corretamente o boletim de saúde infantil e juvenil a transição será facilitada”.


Sinais de alerta que não deve ignorar

Por norma a adolescência é o período com mais saúde física da nossa vida mas podem surgir problemas. Veja quais são os mais comuns:

  • Dores de crescimento: Apesar de mais comuns na infância, podem surgir até aos primeiros anos da adolescência. São dores nos ossos que desaparecem ao fim de algumas horas. Não têm gravidade alguma e não deixam sequelas.
  • Acne: Tem como causa a atividade hormonal habitual da pré-adolescência e da adolescência. O principal cuidado preventivo é manter uma boa higiene da pele e não espremer as lesões. Nos casos mais severos os tratamentos são, naturalmente, indicados caso a caso, mas podem incluir antibióticos tópicos, retinóides ou tratamentos hormonais.
  • Distúrbios alimentares: As raparigas, sobretudo, sofrem com a constante exigência do corpo perfeito alimentada pelos media e em alguns setores da sociedade. A melhor prevenção é levar os jovens a seguirem uma alimentação correta e variada e a praticarem exercício físico.
  • Gripes e constipações: É normal que um adolescente tenha 1 ou 2 constipações/gripes por ano. Normalmente duram 3 a 5 dias e não exigem grandes cuidados.
  • Anemias: Podem ocorrer períodos menstruais abundantes ou frequentes que provoquem anemia nas raparigas. Caso note que a sua filha está mais cansada ou pálida, fale com o pediatra. Regra geral, a avaliação é feita através de um hemograma (análise de sangue) e, em caso de anemia, necessita de orientação médica.

Este artigo foi útil?

Conselho cientifico

Conteúdo revisto

pelo Conselho Científico da AdvanceCare.

A presente informação não vincula a AdvanceCare a nenhum caso concreto e não dispensa a leitura dos contratos de seguros/planos de saúde nem a consulta de um médico e/ou especialista.

Downloads

Consulte os nossos guias para hábitos saudáveis:

Sympton Checker

Utilize a nossa ferramenta de diagnóstico de sintomas.

Programas AdvanceCare relacionados

Artigos relacionados