Chuva e humidade: como o ar influencia a nossa saúde
- A humidade é um problema frequente em Portugal, sobretudo nos meses mais frios e chuvosos.
- A exposição prolongada a ambientes húmidos pode afetar a saúde.
- É possível reduzir a humidade no interior da casa e proteger a saúde adotando algumas medidas.
Cerca de 30% da população europeia sofre de alguma doença alérgica respiratória
A humidade é essencial para o conforto e para a saúde, refletindo diretamente a qualidade do ar no interior das casas. Níveis demasiado baixos de humidade (inferiores a 40%) podem provocar secura da pele, irritação das vias respiratórias e maior vulnerabilidade a infeções respiratórias.
Por outro lado, uma humidade excessiva (superior a 60%) favorece o crescimento de fungos, bactérias e vírus. Estes microorganismos podem afetar a saúde e agravar doenças respiratórias ou alérgicas.
De acordo com especialistas, o intervalo ideal de humidade relativa em ambientes interiores situa-se entre 40% e 60%, garantindo conforto e reduzindo riscos para a saúde. Em Portugal, manter estes níveis é particularmente desafiante durante os meses mais frios e chuvosos, quando a condensação, a precipitação e a ventilação insuficiente aumentam o risco de excesso de humidade dentro de casa.
Qual é o impacto da humidade elevada na saúde?
A exposição prolongada a ambientes com excesso de humidade pode provocar ou agravar sintomas como tosse, congestão nasal, irritação ocular e dificuldade respiratória. Tal como referido anteriormente, a humidade excessiva facilita o crescimento de microrganismos nocivos, cujas partículas e esporos podem ser inalados, comprometendo a saúde respiratória.
Pessoas com asma, rinite alérgica ou outras doenças respiratórias são particularmente vulneráveis. Podem ter crises mais frequentes e intensas. Este impacto é especialmente relevante se considerarmos que, de acordo com a Academia Europeia de Alergologia e Imunologia Clínica, cerca de 30% da população europeia sofre de algum tipo de alergia respiratória.
Para além dos sintomas mais comuns, a exposição a ambientes húmidos também pode contribuir para condições mais complexas, como a rinossinusite fúngica alérgica (RFA), frequentemente associada à presença de fungos no ambiente.
Quais são os grupos mais vulneráveis à humidade?
- Crianças: os seus sistemas respiratórios ainda estão em desenvolvimento, o que as torna mais suscetíveis a irritações, alergias e infeções respiratórias.
- Idosos: o sistema imunitário tende a ser mais frágil com a idade, aumentando a probabilidade de doenças respiratórias crónicas e de complicações associadas à humidade.
- Pessoas com doenças respiratórias ou imunossupressão: indivíduos com condições como asma, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), VIH, cancro ou transplantados têm risco elevado de infeções respiratórias graves.
Quais os sinais de alerta?
Os sintomas relacionados com a exposição a ambientes húmidos ou com problemas respiratórios podem variar de ligeiros a graves. Estes sinais podem afetar diferentes partes do corpo, incluindo vias respiratórias, olhos e o bem-estar geral.
Respiratórios
- Espirros repetidos
- Congestão nasal
- Tosse crónica ou noturna
- Pieira
- Falta de ar ou aperto no peito
Oculares
- Olhos vermelhos
- Comichão nos olhos
- Lacrimejo excessivo
Sinais gerais
- Fadiga constante
- Dores de cabeça recorrentes
- Irritação na garganta
Sinais de alarme mais graves
- Tosse com sangue
- Perda de peso sem motivo aparente
- Febre prolongada
- Sinusites que não melhoram com tratamento
Quando procurar ajuda médica?
É fundamental não desvalorizar os sintomas respiratórios, mesmo que pareçam ligeiros no início. Procurar avaliação médica atempadamente pode prevenir complicações e garantir o tratamento correto.
- Tosse persistente: com duração de mais de três semanas e sem sinais de melhoria.
- Sintomas mais intensos em determinados ambientes: sintomas que se intensificam em casa ou em locais húmidos e aliviam ao sair desses espaços.
- Crises respiratórias frequentes: episódios repetidos de asma, chiado ou falta de ar, mesmo com medicação habitual.
- Alterações no dia a dia: quando a tosse, falta de ar ou outros sintomas dificultam o sono, estudo, trabalho ou atividades de lazer.
- Sinais preocupantes: presença de sangue na tosse, febre contínua, perda de peso inexplicável ou cansaço extremo.
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Como reduzir ou controlar a humidade em casa:
Manter os níveis de humidade controlados é fundamental não só para o conforto da família, mas também para proteger a saúde respiratória e evitar o agravamento de condições preexistentes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem várias medidas que podem ajudar a manter o ar mais seco e saudável:
- Ventilação diária: abrir as janelas todos os dias, especialmente nas cozinhas, nas casas de banho e nos quartos, permitindo a renovação do ar e reduzindo a humidade acumulada.
- Monitorização dos níveis de humidade: em zonas mais húmidas, usar desumidificadores ou aparelhos que controlem a humidade relativa, mantendo-a idealmente entre os 40% e 60%.
- Evitar secar roupa dentro de casa: optar sempre que possível por locais exteriores ou bem ventilados.
- Reparações na estrutura da casa: corrigir infiltrações, problemas de isolamento térmico ou outros defeitos na construção que estejam a facilitar a entrada da água.
- Manutenção de sistemas de ar condicionado e ventilação: limpar regularmente os filtros do ar condicionado ou outros sistemas de ventilação para reduzir a humidade e a presença de microrganismos.
- Controlo da temperatura interior: as temperaturas mais baixas favorecem a condensação, por isso para reduzir a humidade é importante manter a temperatura interior estável.
- Remoção de bolor: limpar manchas de bolor visíveis com produtos antifúngicos seguros ou recorrer a profissionais especializados.
- Evitar o excesso de tapetes ou cortinas pesadas: estas peças de decoração podem acumular humidade e dificultar a ventilação natural.
- Prevenir a humidade na cozinha: ao cozinhar, tapar as panelas e ligar o exaustor.
- Limpeza regular de locais propensos a humidade: limpar regularmente rodapés, cantos, armários, sótãos e garagens, onde a ventilação é mais limitada.

Conteúdo revisto
pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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