Chuva e humidade: como o ar influencia a nossa saúde

Saúde e Medicina
Quotidiano
Última atualização: 18/02/2026
  • A humidade é um problema frequente em Portugal, sobretudo nos meses mais frios e chuvosos.
  • A exposição prolongada a ambientes húmidos pode afetar a saúde.
  • É possível reduzir a humidade no interior da casa e proteger a saúde adotando algumas medidas.
chuva e humidade 

Cerca de 30% da população europeia sofre de alguma doença alérgica respiratória

A humidade é essencial para o conforto e para a saúde, refletindo diretamente a qualidade do ar no interior das casas. Níveis demasiado baixos de humidade (inferiores a 40%) podem provocar secura da pele, irritação das vias respiratórias e maior vulnerabilidade a infeções respiratórias.

Por outro lado, uma humidade excessiva (superior a 60%) favorece o crescimento de fungos, bactérias e vírus. Estes microorganismos podem afetar a saúde e agravar doenças respiratórias ou alérgicas.

De acordo com especialistas, o intervalo ideal de humidade relativa em ambientes interiores situa-se entre 40% e 60%, garantindo conforto e reduzindo riscos para a saúde. Em Portugal, manter estes níveis é particularmente desafiante durante os meses mais frios e chuvosos, quando a condensação, a precipitação e a ventilação insuficiente aumentam o risco de excesso de humidade dentro de casa.

Qual é o impacto da humidade elevada na saúde?

A exposição prolongada a ambientes com excesso de humidade pode provocar ou agravar sintomas como tosse, congestão nasal, irritação ocular e dificuldade respiratória. Tal como referido anteriormente, a humidade excessiva facilita o crescimento de microrganismos nocivos, cujas partículas e esporos podem ser inalados, comprometendo a saúde respiratória.

Pessoas com asma, rinite alérgica ou outras doenças respiratórias são particularmente vulneráveis. Podem ter crises mais frequentes e intensas. Este impacto é especialmente relevante se considerarmos que, de acordo com a Academia Europeia de Alergologia e Imunologia Clínica, cerca de 30% da população europeia sofre de algum tipo de alergia respiratória.

Para além dos sintomas mais comuns, a exposição a ambientes húmidos também pode contribuir para condições mais complexas, como a rinossinusite fúngica alérgica (RFA), frequentemente associada à presença de fungos no ambiente.

Quais são os grupos mais vulneráveis à humidade?

  • Crianças: os seus sistemas respiratórios ainda estão em desenvolvimento, o que as torna mais suscetíveis a irritações, alergias e infeções respiratórias.
  • Idosos: o sistema imunitário tende a ser mais frágil com a idade, aumentando a probabilidade de doenças respiratórias crónicas e de complicações associadas à humidade.
  • Pessoas com doenças respiratórias ou imunossupressão: indivíduos com condições como asma, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), VIH, cancro ou transplantados têm risco elevado de infeções respiratórias graves.

Quais os sinais de alerta?

Os sintomas relacionados com a exposição a ambientes húmidos ou com problemas respiratórios podem variar de ligeiros a graves. Estes sinais podem afetar diferentes partes do corpo, incluindo vias respiratórias, olhos e o bem-estar geral.

Respiratórios

  • Espirros repetidos
  • Congestão nasal
  • Tosse crónica ou noturna
  • Pieira
  • Falta de ar ou aperto no peito

Oculares

  • Olhos vermelhos
  • Comichão nos olhos
  • Lacrimejo excessivo

Sinais gerais

  • Fadiga constante
  • Dores de cabeça recorrentes
  • Irritação na garganta

Sinais de alarme mais graves

  • Tosse com sangue
  • Perda de peso sem motivo aparente
  • Febre prolongada
  • Sinusites que não melhoram com tratamento

Quando procurar ajuda médica?

É fundamental não desvalorizar os sintomas respiratórios, mesmo que pareçam ligeiros no início. Procurar avaliação médica atempadamente pode prevenir complicações e garantir o tratamento correto.

  • Tosse persistente: com duração de mais de três semanas e sem sinais de melhoria.
  • Sintomas mais intensos em determinados ambientes: sintomas que se intensificam em casa ou em locais húmidos e aliviam ao sair desses espaços.
  • Crises respiratórias frequentes: episódios repetidos de asma, chiado ou falta de ar, mesmo com medicação habitual.
  • Alterações no dia a dia: quando a tosse, falta de ar ou outros sintomas dificultam o sono, estudo, trabalho ou atividades de lazer.
  • Sinais preocupantes: presença de sangue na tosse, febre contínua, perda de peso inexplicável ou cansaço extremo.

A Rede Médica AdvanceCare reúne profissionais de saúde qualificados em 120 especialidades. Se precisa de apoio especializado na área respiratória, pode marcar uma consulta de forma rápida e segura, presencial ou online, garantindo orientação adequada.

Como reduzir ou controlar a humidade em casa:

Manter os níveis de humidade controlados é fundamental não só para o conforto da família, mas também para proteger a saúde respiratória e evitar o agravamento de condições preexistentes.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem várias medidas que podem ajudar a manter o ar mais seco e saudável:

  • Ventilação diária: abrir as janelas todos os dias, especialmente nas cozinhas, nas casas de banho e nos quartos, permitindo a renovação do ar e reduzindo a humidade acumulada.
  • Monitorização dos níveis de humidade: em zonas mais húmidas, usar desumidificadores ou aparelhos que controlem a humidade relativa, mantendo-a idealmente entre os 40% e 60%.
  • Evitar secar roupa dentro de casa: optar sempre que possível por locais exteriores ou bem ventilados.
  • Reparações na estrutura da casa: corrigir infiltrações, problemas de isolamento térmico ou outros defeitos na construção que estejam a facilitar a entrada da água.
  • Manutenção de sistemas de ar condicionado e ventilação: limpar regularmente os filtros do ar condicionado ou outros sistemas de ventilação para reduzir a humidade e a presença de microrganismos.
  • Controlo da temperatura interior: as temperaturas mais baixas favorecem a condensação, por isso para reduzir a humidade é importante manter a temperatura interior estável.
  • Remoção de bolor: limpar manchas de bolor visíveis com produtos antifúngicos seguros ou recorrer a profissionais especializados.
  • Evitar o excesso de tapetes ou cortinas pesadas: estas peças de decoração podem acumular humidade e dificultar a ventilação natural.
  • Prevenir a humidade na cozinha: ao cozinhar, tapar as panelas e ligar o exaustor.
  • Limpeza regular de locais propensos a humidade: limpar regularmente rodapés, cantos, armários, sótãos e garagens, onde a ventilação é mais limitada.

Este artigo foi útil?

Conselho cientifico

Conteúdo revisto

pelo Conselho Científico da AdvanceCare.

A presente informação não vincula a AdvanceCare a nenhum caso concreto e não dispensa a leitura dos contratos de seguros/planos de saúde nem a consulta de um médico e/ou especialista.

Downloads

Consulte os nossos guias para hábitos saudáveis:

Sympton Checker

Utilize a nossa ferramenta de diagnóstico de sintomas.

Programas AdvanceCare relacionados

Artigos relacionados