Saúde mental dos jovens: sinais de alerta e o impacto das redes sociais
- As redes sociais podem ter influência significativa na saúde mental, especialmente entre os jovens.
- Pais, educadores e profissionais desempenham um papel essencial ao guiar os jovens para um uso saudável destas plataformas digitais.
- Quando usadas de forma equilibrada, as redes sociais também oferecem benefícios importantes para os jovens.
Um estudo da Universidade de Cambridge revelou que os jovens com problemas de saúde mental passam, em média, quase 50 minutos por dia a mais online.
A utilização das redes sociais pelos jovens tem levantado cada vez mais questões. Um estudo da Netsonda, publicado no Observador, revelou que metade dos jovens portugueses gostaria de passar menos tempo online. A preocupação estende-se às escolas: em Portugal, os telemóveis estão proibidos até ao 2.º ciclo, enquanto a União Europeia pondera limitar o acesso das crianças às redes sociais.
Os efeitos do uso excessivo das redes sociais na saúde mental são cada vez mais evidentes. Investigadores da Universidade de Cambridge demonstraram que adolescentes com problemas de saúde mental passam, em média, quase 50 minutos a mais por dia online, comparando-se frequentemente com os seus pares. Além disso, cerca de um em cada seis jovens até aos 16 anos enfrenta dificuldades emocionais significativas, como ansiedade ou depressão.
Quais os sinais de alerta?
Existem diversos sinais de que um jovem pode estar a enfrentar dificuldades emocionais ou problemas de saúde mental. Estar atento a estes sinais permite agir atempadamente e prevenir possíveis complicações.
- Alterações de humor frequentes e sintomas emocionais: sentimentos persistentes de irritação, tristeza ou ansiedade, desânimo prolongado, sensação de inutilidade ou alterações no apetite.
- Problemas de sono: dificuldade em adormecer, despertares noturnos frequentes ou cansaço constante durante o dia.
- Queda no rendimento escolar: dificuldade de concentração, distração frequente e recurso constante às redes sociais durante as pausas.
- Isolamento social: menor convívio presencial com os amigos, desinteresse pelas atividades fora do digital e preferência por interações exclusivamente online.
- Baixa autoestima: comparação constante com os outros, sobretudo ao nível da aparência ou do estilo de vida, acompanhada de sentimentos de inferioridade.
- Comportamentos compulsivos: necessidade frequente de verificar o telemóvel ou as notificações e sensação de ansiedade ao ficar sem acesso ao telemóvel.
Como ajudar os jovens a lidar com as redes sociais?
Pais, educadores e profissionais das áreas de educação e de saúde desempenham um papel fundamental na promoção de hábitos digitais equilibrados, no incentivo ao diálogo sobre as emoções e na deteção de alterações de comportamento.
Existem diversas estratégias que podem contribuir para um uso mais saudável das redes sociais e para a proteção do bem-estar emocional dos jovens.
Definir limites de utilização
- Estabelecer um tempo diário para utilizar as redes sociais.
- Utilizar ferramentas de controlo do tempo de ecrã, com alertas ou bloqueios automáticos.
- Criar momentos livres de ecrãs, como por exemplo durante as refeições ou antes de dormir.
- Evitar a utilização noturna, protegendo a qualidade do sono.
Promover o uso consciente
- Incentivar pausas regulares ou dias de detox digital.
- Refletir sobre o tipo de conteúdos consumidos e as contas seguidas.
- Privilegiar interações positivas (conversas, partilhas, aprendizagem) em vez de navegação passiva e prolongada.
Valorizar atividades fora do digital
- Incentivar a prática de desporto, atividades artísticas, leitura ou contacto com a natureza.
- Estimular o convívio presencial com amigos e momentos de qualidade em família.
- Promover a participação em projetos, como voluntariado ou associações.
Reforçar o apoio emocional
- Ensinar estratégias de regulação emocional e gestão do stress.
- Incentivar a expressão de sentimentos e o diálogo.
- Procurar apoio especializado sempre que necessário.
Quando procurar ajuda profissional?
Em algumas situações, o apoio familiar e as mudanças nos hábitos digitais podem não ser suficientes. Se estes sinais persistirem durante várias semanas ou interferirem no dia a dia, na vida escolar ou social e surgirem alterações marcadas no sono ou no apetite, pode ser necessária ajuda especializada.
Sentimentos intensos de tristeza ou ansiedade que não diminuem com o tempo, bem como comportamentos de risco (como autolesões ou consumo de substâncias) exigem atenção imediata.
Nestes casos, o acompanhamento especializado é essencial para garantir uma intervenção adequada e atempada.
Com o selo AdvanceCare, oferecemos várias opções de consultas de Psicologia online com o principal objetivo de ajudar a encontrar soluções para determinados sinais e sintomas.
Que benefícios podem as redes sociais trazer aos jovens?
Apesar dos riscos da utilização excessiva, quando as redes sociais são usadas de forma equilibrada e consciente, podem ter um impacto positivo na vida dos jovens.
- Manutenção de relações à distância: facilitam o contacto regular com familiares e amigos que vivem longe, ajudando a manter laços afetivos.
- Participação cívica e social: permitem acompanhar e envolver-se em causas sociais, ambientais ou políticas.
- Sentido de pertença: ajudam a encontrar comunidades, grupos ou associações com interesses semelhantes.
- Acesso a informação e eventos: tornam mais fácil descobrir iniciativas culturais, educativas ou desportivas e participar em atividades fora do ambiente digital.
- Apoio emocional: possibilitam a partilha de experiências e o contacto com redes de apoio.
O impacto das redes sociais depende do tipo de utilização que é feita. Manter um equilíbrio é fundamental, dando prioridade às relações presenciais, definindo limites claros e estando atento a possíveis sinais de alerta.

Conteúdo revisto
pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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