A doença vascular também afeta os homens

Quando se fala em varizes pensa-se sempre na mulher. Mas os homens também sofrem desta patologia. A diferença, por vezes perigosa, é que pela sua própria constituição, eles têm sintomas apenas numa fase avançada da doença.


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Desengane-se quem pensa que o homem está livre de patologia venosa. Esta também os afeta, embora dê sinais num estágio mais avançado. Como não têm dores nem edemas na fase inicial da doença, regra geral os homens não procuram ajuda especializada a não ser quando a patologia já está numa fase avançada.
Quem o explica é o Dr. Serra Brandão, cirurgião vascular e diretor do Instituto de Recuperação Vascular (IRV) de Lisboa: “As mulheres dirigem-se às consultas em fases iniciais muitas vezes sem saberem que têm varizes (e de facto já as têm) mas porque se queixam de edemas ou de dores e por isso o tratamento é feito num estádio muito mais precoce.”
E o especialista conta que “por outro lado, a maioria dos homens têm pêlos nas pernas e não se preocupam tanto com o aspeto estético. Por vezes é um amigo, ou a esposa, que alertam para a existência de varizes.”.

A grande maioria dos homens que surge na consulta já tem indicação cirúrgica com internamento, ou seja, decidiu procurar ajuda especializada numa fase muito avançada da patologia”, adianta o Dr. Serra Brandão.


Estética é o problema menor

Para os homens, em qualquer dos estádios desta doença, a questão estética nunca é a mais importante.
“Os homens não se preocupam tanto com a parte estética porque as varizes e os derrames escondem-se facilmente entre os pelos e debaixo das calças, aparecendo já numa fase patológica muito avançada que pode implicar cirurgia e internamento”, adianta o especialista. E alerta para o facto de esta ser uma doença crónica mesmo quando se sujeita um doente a uma cirurgia. “A pessoa nasceu com aquela carga hereditária que pode dar origem à doença além das componentes adquiridas”, refere o diretor do Instituto de Recuperação Vascular (IRV), e explica que todos os tratamentos que existem são paliativos.


A pessoa nasce e morre com a doença, mas se for tratada conveniente e atempadamente ao longo da vida e fizer, ocasionalmente, alguns tratamentos, passa toda a vida sem problemas”, refere o Dr. Serra Brandão.

Por isso a prevenção é tão importante. O especialista garante que, de facto, “não existe vacina para a doença”. Existem pacientes que consideram que, ao submeterem-se ao tratamento, ficam “curados” para sempre e não necessitam de mais cuidados. Nada mais errado. “A pessoa pode protelar a sua situação e ultrapassar o estádio em que se encontra”, afiança o Dr. Serra Brandão.


Prevenir e evitar o mal

Existem cuidados que ajudam a prevenir o aparecimento desta doença crónica: evitar usar roupas apertadas, alimentar-se corretamente, beber bastantes líquidos como água ou chá – e o mínimo de álcool possível -, dizer não ao tabaco e praticar exercício regularmente.
Se tem antecedentes é aconselhável algum cuidado na prática de desporto. Os traumatismos diretos nas pernas, vulgares quando se joga futebol ou ténis, podem desencadear o aparecimento de varizes.
Se tem dores, ainda que leves, inchaços nas pernas ou carga hereditária, deve marcar uma consulta para que seja feito um diagnóstico o mais precocemente possível.


Saiba mais…

A doença venosa tem seis estádios. Há pessoas que não passam dos dois primeiros estádios porque se vão tratando e controlando a evolução da patologia. “Outras chegam à primeira consulta no 5º ou 6º estádio porque ignoraram os sinais e foram adiando a procura de ajuda especializada. Essas sim, vão ter um sofrimento constante e provavelmente a única alternativa é a cirurgia”, adianta o diretor do IRV.


Conselhos úteis:

  1. Não adie a ida a um especialista se tem dores, inchaços ou sente as pernas pesadas e cansadas.
  2. Se notar uma mancha na perna que lhe dói depois de fazer algum tipo de exercício físico deve consultar um especialista.
  3. Quanto mais cedo se tratar, mais leves serão os tratamentos, terá melhores resultados e melhora a sua qualidade de vida.
  4. Mais água e chá e menos álcool ajudam a manter a saúde a todos os níveis.

Doença toca a todos

“A doença vascular atinge 1/3 da população em geral mas as estatísticas indicam que 60% das mulheres sofrem desta doença e 40% dos homens também”, refere o Dr. Serra Brandão.
Números que demonstram que a discrepância entre sexos não é assim tão grande.
“Por vezes  existem varizes interiores que não são muito visíveis e só são diagnosticadas através de exames complementares como, por exemplo, o Eco Doppler”, explica o especialista. Daí a real importância de uma consulta da especialidade. Não há que ter medo!

Sabe-se que o homem é mais reticente a tratar-se e tem menos tolerância à dor e ao sofrimento do que a mulher. E, por todas as razões, “o homem deve inspecionar-se a si próprio.
Se notar que tem derrames que começam a aumentar ou veias salientes, mesmo sem queixas, deve marcar uma consulta. Possivelmente o diagnóstico até nem será grave, mas ficará descansado se verificar que está tudo bem passando a ser devidamente vigiado a partir desse momento”, salienta o Dr. Serra Brandão. O especialista alerta os homens para o seguinte: “O facto de virem a uma consulta de cirurgia vascular não significa que serão logo tratados agressivamente. Uma consulta de cirurgia vascular implica fazer o diagnóstico correto, perceber o prognóstico da doença e adequar um conjunto de medidas que o paciente pode seguir sem quaisquer complicações.” Por vezes existe a ideia errada de que a ida à consulta implica de imediato tratamentos invasivos ou mesmo indicação para cirurgia, o que leva a evitar a procura de ajuda e pode acentuar complicações graves para a saúde.
Em suma, não deixe para amanhã a consulta que pode marcar hoje!

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