Diabetes e doença hepática: uma combinação perigosa

A relação entre a diabetes e a doença do fígado ainda não é muito clara mas, devido ao facto do número de pessoas com ambas as doenças estar a aumentar, a comunidade científica encontra-se a analisar mais profundamente este problema em busca de respostas. Fique a saber mais.


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Mais de 1 milhão de portugueses, entre os 20 e os 79 anos, sofre de diabetes. A estes números alarmantes divulgados pelo Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes de 2014 juntam-se outros referidos pelo Núcleo de Estudos da Diabetes Mellitus (NEDM) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI): mais de 30% dos doentes com qualquer forma de doença hepática desenvolve diabetes. Atualmente, a doença do fígado (que abrange não só as hepatites como a cirrose biliar e cancro do fígado, entre outras patologias) é já a quarta causa de morte mais comum entre os diabéticos. A combinação destas patologias representa maiores riscos para o doente e desafios adicionais no tratamento, exigindo uma interação constante entre a diabetologia e a hepatologia.


Os vários tipos de diabetes

Como explica Paulo Subtil, coordenador da Unidade Integrada de Diabetes do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro e promotor do Núcleo de Estudos da Diabetes Mellitus (NEDM) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), “ao contrário da diabetes de tipo 1, em que não há insulina ou esta é destruída, na diabetes do tipo 2 há insulina, muitas vezes até em excesso, mas o que habitualmente ocorre é um defeito na sua ação periférica (no músculo, no tecido adiposo e até no fígado), condicionando um aumento da glicose sanguínea”.

Existe ainda a diabetes gestacional, que pode ocorrer durante a gravidez e, geralmente, desaparece depois do parto.


Os vários tipos de hepatite

A doença hepática é provocada, na maior parte dos casos, por infeções virais tipo A, B, C, D e E, abuso de álcool, de medicamentos ou de outras substâncias tóxicas, que levam à destruição progressiva das células deste órgão. No caso da infeção vírica, a hepatite ocorre após a entrada no organismo e a sua multiplicação no fígado. As hepatites A e E transmitem-se de pessoa para pessoa ou através de alimentos mal preparados e água contaminada. Já a infeção pelos vírus da hepatite tipo B (HBV) e tipo C (HCV) acontece por via sanguínea ou contacto sexual. A evolução pode ser para a cronicidade, com consequência de morbilidade e mortalidade precoces.


Hepatite C e diabetes

“Os doentes com infeção pelo vírus C da hepatite desenvolvem mais frequentemente diabetes – cerca de 20 a 30% – enquanto nos portadores do vírus B a prevalência da diabetes é inferior a 10%, não havendo, por enquanto, justificação para esta diferença. Por que será o vírus C mais diabetogénico? Não se sabe exatamente se é por causa da doença hepática, dos tratamentos ou de outras alterações promovidas pelo vírus fora do órgão de eleição. Hoje, a cura da hepatite C é já uma realidade em mais de 90% dos doentes. Caso contrário, a possibilidade de vir a sofrer de diabetes é de 30 %”, afirma Paulo Subtil.


Ligações perigosas

Como descreve o especialista, “nos últimos anos, os médicos começaram a identificar que havia diabéticos com doença hepática, doentes esses que apresentavam sintomatologias singulares. Por vezes, também estavam medicados para a diabetes com fármacos que têm contraindicações na doença hepática, pelo que era preciso criar um núcleo de investigação que aprofundasse a especificidade desta relação bilateral”. Depois de esse núcleo se tornar uma realidade e, perante a ausência de dados científicos, os investigadores lançaram uma hipótese: “A diabetes poderia provocar uma forma de doença hepática específica?” Nessa altura, continua Paulo Subtil, «ainda não havia informação neste sentido. Apenas se sabia que existiam muitos pacientes com doença avançada no fígado que desenvolviam um determinado tipo de diabetes (diabetes hepatogénica). Hoje acredita-se na existência destas 3 entidades: a diabetes hepatogénica, com origem na doença do fígado (ainda não reconhecida pelas instituições internacionais como forma diferenciada de diabetes), a hepatopatia diabética, em que a origem é contrária, ou, num processo mais avançado, a cirrose diabetogénica».


Prevenir: é urgente mudar hábitos

Segundo Paulo Subtil, as razões para o aumento da prevalência da diabetes tipo 2 também não são claras. «Acredita-se que está associado, sobretudo, às rápidas mudanças culturais e sociais, ao envelhecimento da população, à crescente urbanização, às alterações alimentares, à redução da atividade física e a estilos de vida não saudáveis, bem como a outros padrões comportamentais.» Neste contexto, o especialista considera ser urgente a adoção de novos estilos de vida:

  1. Tentar evitar a obesidade, mantendo um peso equilibrado ao longo da vida.
  2. Praticar exercício físico, mas adaptado às necessidades de cada pessoa, em função da idade e do organismo.
  3. Tomar sempre o pequeno-almoço.
  4. Ter uma alimentação saudável, evitando os alimentos com açúcar e as bebidas açucaradas. Comer vegetais, crus ou cozidos, carne e peixe, embora este último seja sempre mais saudável.
  5. Evitar o stress, que aumenta os níveis de açúcar no sangue.
  6. Controlar a tensão arterial, os níveis de colesterol e dos triglicerídeos periodicamente (de acordo com indicações médicas).

O número de pessoas com diabetes que poderão vir a desenvolver doença hepática parece estar em crescimento, pelo que é importante reforçar a prevenção destas doenças, adotando hábitos saudáveis.

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