Doentes terminais: Como minimizar a dor?

Os cuidados paliativos são uma importante área da medicina que tem como intuito proporcionar algum conforto físico e psicológico a doentes terminais. O cuidador é um importante elemento dos cuidados paliativos que não deve ser descurado.


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Minimizar o sofrimento numa fase de dor intensa e permanente é o principal desafio de quem presta cuidados a doentes em fase terminal. Os cuidados paliativos têm como objetivo aliviar sintomas, proporcionar algum conforto físico e psicológico e apoiar os familiares ou outros cuidadores de doentes com dor crónica na reta final das suas vidas. Em casos como este sofre o doente, sofre o cuidador e sofrem tantas vezes grande parte das pessoas que compõem o seu círculo de familiares e amigos.


Cuidados paliativos e fase terminal

Na fase terminal de uma doença, que se caracteriza por sofrimento constante, “Para além do controlo da dor, é fundamental encarar o doente no seu todo biopsicossocial e ensinar ao doente como utilizar a medicação de forma eficaz e segura e a que estratégias deverá recorrer para prevenir ativamente os múltiplos sinais e sintomas da doença, corrigir os efeitos secundários de medicação em curso (analgésica ou oncológica) e permitir menor repercussão na sua qualidade de vida”, explica Rosário Alonso, responsável da Unidade de Dor do Hospital Beatriz Ângelo.

No caso dos doentes oncológicos existe a agravante da sua situação clínica sofrer múltiplas intercorrências ao longo da evolução do seu processo de doença, contribuindo para uma progressiva degradação da sua performance física, funcional e psicológica.


O que pode ser feito para minimizar a dor?

Para minimizar a dor poderão ser apresentadas ao doente estratégias farmacológicas e não farmacológicas, sendo que a importância de cada uma delas deverá ser adequada às necessidades de cada doente.


Abordagem farmacológica

“Nas abordagens farmacológicas, privilegia-se a medicação oral (preferencialmente opioides adjuvados por antidepressivos e/ou anticonvulsivantes ou outros analgésicos, associados ou não a tratamentos oncológicos específicos), de forma a permitir a autonomia do doente e possibilitando uma resposta favorável em cerca de 90% dos doentes”, revela Rosário Alonso. Sempre que a resposta a esta medicação seja insatisfatória, ponderam-se hipóteses de administração de fármacos por via subcutânea, endovenosa, epidural ou intratecal, ou mesmo a realização de bloqueios nervosos, periféricos ou centrais.


Abordagem não farmacológica

Já na abordagem não farmacológica podem entrar em ação: psicólogos, fisiatras, assistentes sociais, nutricionistas, entre outros profissionais que promovem abordagens complementares que atuem ao nível físico e psicológico. Acupunctura, termoterapia, drenagem linfática, relaxamento ou meditação são apenas algumas das técnicas utilizadas em muitos doentes.


O papel do cuidador

Extremamente relevante é o papel assumido em todo este processo pelo cuidador, enquanto elo de uma cadeia de cuidados paliativos que vê o seu rol de funções aumentar à medida que o doente vai perdendo autonomia. “É geralmente o responsável pela correta administração de medicação e de cuidados ao doente, o acompanhante em múltiplas consultas e exames, o depositário de ‘más notícias’ e a pessoa significativa para o doente”, reconhece a responsável da Unidade de Dor do Hospital Beatriz Ângelo, lembrando que este cuidador se encontra habitualmente submetido a um grande desgaste, pelo esforço físico, psicológico e até económico aqui subjacente. Por isso mesmo, “para além de ser incluído no plano e objetivos de tratamentos do doente, devem-lhe ser prestadas informação e ensino sobre medicação, cuidados e estratégias de igual forma que ao doente”, sugere Rosário Alonso.


Cuidar de quem cuida

Como reforça esta especialista, ao cuidador “Deverá ser assegurado também um espaço clínico para reportar a evolução clínica do doente e um espaço psicológico onde possa verbalizar medos, receios e angústias e ser ajudado na gestão do seu processo de cuidador”, acrescenta.

Em paralelo, o corpo clínico que acompanha o doente não deverá perder de vista o cuidador, detetando eventuais sinais de exaustão e mobilizando possíveis retaguardas de apoio, como o internamento de curta duração do doente, para permitir o descanso e recuperação do cuidador.

Minimizar a dor e proporcionar algum bem-estar a doentes em fase terminal é a tarefa principal dos cuidados paliativos. Uma missão que não é fácil e que engloba não só elementos farmacológicos, mas também psicológicos. Quer o doente quer o cuidador, devem procurar apoio para ajudar a enfrentar a fase mais difícil da doença, a fase terminal.

 

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