Dores nas costas nas crianças e adolescentes: como prevenir e tratar

Dores nas costas nas crianças e adolescentes: como prevenir e tratar

Saúde e Medicina
Última atualização: 29/11/2022
dores nas costas nas criancas

Mochilas pesadas, má postura, sedentarismo e obesidade podem ser o princípio de distúrbios musculoesqueléticos. Saiba a que sinais estar atento e como educar as crianças e jovens para hábitos saudáveis.

O transporte de mochilas demasiado grandes e pesadas, as horas à frente da televisão, a má postura frente aos dispositivos eletrónicos e as posições desaconselhadas ao estudar são alguns hábitos comuns das nossas crianças e adolescentes. É de pequenino que se adquire uma boa postura, e é também na infância e adolescência que podem surgir os primeiros sinais de alerta para doenças na coluna. Numa altura em que muitas crianças e jovens regressam às aulas, José Ramos Osório, clínico geral, ajuda a perceber que sintomas valorizar para evitar problemas futuros e como incutir hábitos saudáveis aos mais pequenos. 

“É muito frequente haver queixas de dores da coluna na idade infantil e adolescente que, na maioria das situações, têm a ver com atitudes posturais e não com patologias concretas”, explica o clínico. Assim, as dores de costas dos mais novos podem não significar propriamente uma lesão ou alteração da coluna, mas não devem ser desvalorizadas, já que, se nada se alterar, o desfecho pode ser esse.

Atenção ao corpo

Antes de mais, importa observar os hábitos e posturas da criança. “Existem muitas atitudes escolióticas, que é como quem diz 'corcunda' acentuada, e alterações da dimensão dos membros inferiores que levam a tomada de posições viciosas da coluna para não andarem como a Torre de Pisa”, descreve o médico. Em consulta, cabe ao médico avaliar o quadro geral. “Deve ser o médico assistente que o acompanha a decidir a investigação das situações e posterior tomada de atitudes para as corrigir”, recomenda José Ramos Osório.

Em casa, na escola ou nos tempos de lazer, a preocupação deve ser transmitir às crianças que não devem sobrecarregar a coluna, mesmo quando podem estar mais distraídas. “Hoje em dia, com o uso e abuso de aparelhos como telemóveis, tablets e computadores, devemos ensinar desde muito cedo às nossas crianças os hábitos de postura saudável que não sobrecarreguem a coluna. Pior que o tempo de utilização é a forma como são utilizados, nomeadamente com posturas erradas do pescoço”, alerta o médico. A promoção de uma vida ativa é também fundamental, do combate ao sedentarismo à promoção de estilos de vida saudável com exercício físico contínuo.

Em busca da melhor atividade para os filhos

Com o início das aulas, muitos pais e filhos organizam o seu ano e escolhem novas atividades extracurriculares. No campo da saúde e bem-estar, não é mito: a natação é mesmo uma prática muito completa, diz José Ramos Osório. “É um desporto unanimemente aconselhado para a coluna pois promove um crescimento e desenvolvimento muscular harmonioso”.

A corrida também pode ser uma prática saudável, mas tudo com conta, peso e medida. Em particular quando se trata de trabalho de ginásio, que se for excessivo pode ser contraproducente quando estão em causa fases de desenvolvimento e crescimento. “Com a vontade de ganhar músculo, por vezes aplicam-se cargas excessivas que podem ser prejudiciais para a coluna e para todo o esqueleto em geral. Para ganhar músculo deve-se fazer repetidamente o mesmo exercício muitas vezes com pouca carga e não poucas com muita carga”, explica José Ramos Osório.

A eterna discussão em torno do peso das mochilas

A preocupação repete-se todos os anos, com os encarregados de educação a ter de prevenir as “faltas de material” e, ao mesmo tempo, a ter de garantir que não é a coluna que paga a fatura. A regra é fácil de decorar: o peso das mochilas não deve exceder 10% do peso corporal das crianças, mas, em muitos casos, este valor continua a ser largamente ultrapassado.

Já pesou a mochila do seu filho hoje?

Use esta tabela com alguns valores de referência, tendo em conta o percentil médio, para avaliar a mochila do seu filho antes de sair de casa. Como previamente mencionado, por regra, as crianças não devem carregar às costas mais de 10% do seu peso corporal.

  • 3 anos – 14 quilos – 1,4 kg na mochila (máximo)
  • 4 anos – 16 quilos – 1,6 kg na mochila
  • 5 anos – 18 quilos – 1,8 kg na mochila
  • 6 anos – 20 quilos – 2 kg na mochila
  • 7 anos – 22,5 quilos – 2,2 kg na mochila
  • 8 anos – 25 quilos – 2,5 kg na mochila
  • 9 anos – 27,5 quilos – 2,7 kg na mochila
  • 10 anos – 32,5 quilos – 3,2 kg na mochila

 O excesso de peso das mochilas pode ter um efeito visível na postura das crianças ao fim de apenas alguns meses. A conclusão é de uma investigação publicada na revista “BMC Musculoskeletal Disorders”, que teve por base 155 crianças entre os sete e os nove anos de idade. Os alunos foram avaliados no início das aulas e dez meses depois, no final do ano letivo. O peso médio das mochilas era de 6,3 quilos, sendo que os investigadores notaram uma maior tendência dos rapazes para andarem mais carregados. Verificou-se uma rotação do torso acentuada num terço das raparigas e em 60% dos rapazes.

Além do peso das mochilas

Ainda relativamente ao estudo mencionado, os investigadores constataram que as raparigas têm uma maior tendência a usar as alças das mochilas desniveladas, sendo que essa assimetria também tem impactos na coluna.

De acordo com um artigo da Harvard Medical School, existem algumas dicas que podem ser seguidas a respeito da utilização correta da mochila:

  • A mochila não deve ser posicionada a mais de poucos centímetros da cintura – quanto mais baixa, mais peso os ombros irão carregar;
  • Prefira mochilas que têm alças largas e almofadadas, para que não magoem os ombros;
  • Explique ao seu filho que deve utilizar ambas as alças da mochila, de forma a não ter o peso desnivelado nas suas costas;
  • As mochilas com alça de quadril podem ajudar no caso do transporte de objetos mais pesados, porque elas ajudam a distribuir o peso entre as costas e o quadril;
  • Os objetos mais pesados devem ser colocados mais perto das costas;
  • Ao pegar na mochila, o seu filho deve dobrar os joelhos e utilizar a força das pernas para a levantar, evitando dobrar a coluna;
  • Considere, se fizer sentido, a compra de uma mochila com rodas, prevenindo o transporte da mesma nas costas.

Resta esperar que cada ano letivo seja para todos mais saudável e que se cuide da aprendizagem, mas também do corpo, já que tudo requer empenho. “É na idade infantil e adolescente que se devem adquirir hábitos saudáveis e é nessas idades que se constrói o futuro da nossa coluna”.

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