Dores nas costas nas crianças e adolescentes: como prevenir e tratar

Mochilas pesadas, má postura, sedentarismo e obesidade podem ser o princípio de distúrbios musculoesqueléticos. Saiba a que sinais estar atento e como educar as crianças e jovens para hábitos saudáveis.


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Transportar mochilas demasiado grandes e pesadas, horas à frente da televisão, má postura frente aos tablets, posições desaconselhadas ao estudar, são alguns hábitos comuns das nossas crianças e adolescentes. É de pequenino que se adquire uma boa postura e é também na infância e adolescência que podem surgir os primeiros sinais de alerta para doenças na coluna. Numa altura em que muitas crianças e jovens regressam às aulas, José Ramos Osório, clínico geral da CUF Cascais e coordenador de formação e informação médica na instituição, ajuda a perceber que sintomas valorizar para evitar problemas futuros e como incutir hábitos saudáveis aos mais pequenos. 

“É muito frequente haver queixas de dores da coluna na idade infantil e adolescente que, na maioria das situações, têm a ver com atitudes posturais e não com patologias concretas”, explica o médico. Assim, as dores de costas dos mais novos podem não significar propriamente uma lesão ou alteração da coluna, mas não devem ser desvalorizadas, já que, se nada se alterar, o desfecho pode ser esse.

Atenção ao corpo

Antes de mais, importa observar os hábitos e posturas da criança. “Existem muitas atitudes escolióticas, que é como quem diz 'corcunda' acentuada, e alterações da dimensão dos membros inferiores que levam a tomada de posições viciosas da coluna para não andarem como a Torre de Pisa”, descreve o médico. Em consulta, cabe ao médico avaliar o quadro geral. “Deve ser o médico assistente que o acompanha a decidir a investigação das situações e posterior tomada de atitudes para corrigir”, recomenda José Ramos Osório.

Em casa, na escola ou nos tempos de lazer, a preocupação deve ser transmitir às crianças que não devem sobrecarregar a coluna, mesmo quando podem estar mais distraídas. “Hoje em dia, com o uso e abuso de aparelhos como telemóveis, tablets e computadores, devemos ensinar desde muito cedo às nossas crianças, hábitos de postura saudável que não sobrecarreguem a coluna. Pior que o tempo de utilização é a forma como são utilizados, nomeadamente com posturas erradas do pescoço”, alerta o médico. A promoção de uma vida ativa é também fundamental, do combate ao sedentarismo à promoção de estilos de vida saudável com exercício físico contínuo.

Em busca da melhor atividade para os filhos

Com o início das aulas, muitos pais e filhos organizam o seu ano e escolhem novas atividades extracurriculares. No campo da saúde e bem estar, não é mito: a natação é mesmo uma prática muito completa, diz o médico. “É um desporto unanimemente aconselhado para a coluna pois promove um crescimento e desenvolvimento muscular harmonioso”.

A corrida também pode ser uma prática saudável, mas tudo com conta, peso e medida. Em particular quando se trata de trabalho de ginásio, que se for excessivo pode ser contraproducente quando estão em causa fases de desenvolvimento e crescimento. “Com a vontade de ganhar músculo, por vezes aplicam-se cargas excessivas que podem ser prejudiciais para a coluna e para todo o esqueleto em geral. Para ganhar músculo deve-se fazer repetidamente o mesmo exercício muitas vezes com pouca carga e não poucas com muita carga”, explica José Ramos Osório.

A eterna discussão em torno do peso das mochilas

A preocupação repete-se todos os anos, com os encarregados de educação a ter de prevenir as “faltas de material” e, ao mesmo tempo, a ter de garantir que não é a coluna que paga a fatura. A regra é fácil de decorar: o peso das mochilas não deve exceder 10% do peso corporal das crianças mas, em muitos casos, este valor continua a ser largamente ultrapassado.

Já pesou a mochila do seu filho hoje?

Use esta tabela com alguns valores de referência tendo em conta o percentil médio para avaliar a mochila do seu filho antes de sair de casa. Por regra, as crianças não devem carregar às costas mais de 10% do seu peso corporal.

  • 3 anos – 14 quilos – 1,4 kg na mochila (máximo)
  • 4 anos – 16 quilos – 1,6 kg na mochila
  • 5 anos – 18 quilos – 1,8 kg na mochila
  • 6 anos – 20 quilos – 2 kg na mochila
  • 7 anos – 22,5 quilos – 2,2 kg na mochila
  • 8 anos – 25 quilos – 2,5 kg na mochila
  • 9 anos – 27,5 quilos – 2,7 kg na mochila
  • 10 anos – 32,5 quilos – 3,2 kg na mochila

Não se esqueça das alças da mochila

O excesso de peso das mochilas mas também o ajustamento das alças podem ter um efeito visível na postura das crianças ao fim de apenas alguns meses. A conclusão é de uma investigação publicada na revista “BMC Musculoskeletal Disorders”, que teve por base 155 crianças entre os sete e os nove anos de idade. Os alunos foram avaliados no início das aulas e dez meses depois, no final do ano letivo. O peso médio das mochilas era de 6,3 quilos, sendo que os investigadores notaram uma maior tendência dos rapazes para andarem mais carregados. Verificou-se uma rotação do torso acentuada num terço das raparigas e em 60% dos rapazes. Os investigadores constataram que as raparigas têm uma maior tendência a usar as alças das mochilas desniveladas, sendo que essa assimetria também tem impactos na coluna.

Resta esperar que cada ano letivo seja para todos mais saudável e que se cuide da aprendizagem mas também do corpo, já que tudo requer empenho. “É na idade infantil e adolescente que se devem adquirir hábitos saudáveis e é nessas idades que se constrói o futuro da nossa coluna”.

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