Evite o consumo de antibióticos em excesso

Evite o consumo de antibióticos em excesso

Saúde e Medicina
Última atualização: 27/12/2022

Hoje em dias estamos expostos a inúmeros microrganismos que podem ser desenvolvidos pelo organismo e causar infeções graves. A toma de um antibiótico específico no combate a determinadas doenças pode salvar vidas. No entanto, devemos ter cuidado com o seu uso excessivo.

A penicilina, descoberta em 1928 pelo biólogo, botânico, médico e farmacologista britânico, Alexander Fleming, foi o primeiro antibiótico usado. Desde essa altura que estes fármacos permitem a luta contra cada vez mais bactérias. Além disso, o desenvolvimento da investigação na área da saúde evoluiu de forma considerável na última década e também por isso surgiram inúmeros  antibióticos novos no mercado. No entanto, os especialistas alertam para o facto de o seu uso indiscriminado, principalmente sem orientação e acompanhamento médico, poder ser significativamente prejudicial à saúde. Outra das consequências do seu consumo excessivo incide na probabilidade de o organismo poder desenvolver microrganismos resistentes a determinados antibióticos, o que pode, num futuro a curto/médio prazo, interferir com o tratamento de uma determinada doença.

Para que servem os antibióticos?

Os antibióticos são fármacos que tratam infeções causadas por bactérias, sendo importante ressalvar que estes não atuam em infeções causadas por vírus, como é o caso das constipações e da gripe. Também não servem para tratar a febre ou as dores musculares, de cabeça ou de garganta. Para tal, utilizam-se medicamentos antipiréticos, como o paracetamol, o ácido acetilsalicílico ou o ibuprofeno, entre outros.

Como se criam bactérias resistentes aos antibióticos?

Quanto tomamos antibióticos para tratar infeções ou consumimos repetidamente alimentos que contêm antibióticos, as nossas bactérias podem modificar-se. E sempre que as nossas bactérias ganham uma resistência, torna-se necessário recorrer a um antibiótico mais forte para combater a próxima infeção. Tal, por sua vez, potencia uma nova resistência, criando um ciclo vicioso. É também possível criar bactérias resistentes se contactarmos repetidamente com pessoas ou ambientes contaminados. Procedimentos como a algaliação, entre outros, potenciam igualmente a criação de bactérias resistentes.

Por fim, ao viajarmos para certas zonas do planeta podemos também ficar com bactérias resistentes e até contrair essas bactérias se tivermos um contacto muito frequente com animais vivos que delas sejam portadores.

Resistência aos antibióticos é cada vez maior

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a resistência aos antibióticos é mesmo uma das maiores ameaças atuais à saúde global, segurança alimentar e desenvolvimento, lembrando aquela organização, que “a resistência aos antibióticos pode afetar qualquer pessoa, de qualquer idade, em qualquer país”.

Com efeito, lembra a OMS, a resistência aos antibióticos ocorre naturalmente, mas o uso indevido de antibióticos em humanos e animais está a acelerar este processo, fazendo com que um número crescente de infeções – como pneumonia, tuberculose, gonorreia e salmonelose – sejam cada vez mais difíceis de tratar à medida que os antibióticos usados para as tratar se tornam menos eficazes. Adicionalmente, este fenómeno leva a internamentos hospitalares mais longos, custos médicos mais elevados e aumento da mortalidade.

Com efeito, quando as infeções deixam de poder ser tratadas com antibióticos de primeira linha, obriga à utilização de medicamentos mais caros. Além disso, uma duração mais longa da doença e do tratamento, muitas vezes em hospitais, aumenta os custos dos cuidados de saúde, bem como os encargos económicos para as famílias e sociedades. Por fim, a resistência aos antibióticos está a colocar em risco as conquistas da medicina moderna, pois, por exemplo, os transplantes de órgãos, a quimioterapia e cirurgias como cesarianas tornam-se muito mais perigosas sem antibióticos eficazes para a prevenção e tratamento de infeções.

“O mundo precisa urgentemente mudar a forma como prescreve e usa antibióticos. Mesmo que novos medicamentos sejam desenvolvidos, sem mudança de comportamento, a resistência aos antibióticos continuará a ser uma grande ameaça”, destaca a OMS.

Medidas para evitar a resistência

Para prevenir e controlar a propagação da resistência aos antibióticos, existem medidas que estão ao seu alcance, nomeadamente:

  • Use antibióticos apenas quando prescritos por um profissional de saúde certificado. De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention, nos consultórios médicos e departamentos de emergência dos EUA, pelo menos 28% dos antibióticos prescritos anualmente são desnecessários.
  • Nunca exija antibióticos se o seu profissional de saúde disser que você não precisa deles.
  • Siga sempre os conselhos do seu profissional de saúde ao usar antibióticos.
  • Nunca compartilhe ou use sobras de antibióticos.
  • Previna infeções lavando as mãos regularmente, preparando alimentos de forma higiénica, evitando contato próximo com pessoas doentes, praticando sexo seguro e mantendo as vacinas em dia.

A autoprescrição

A automedicação é uma prática desaconselhável de uma forma geral que pode trazer alguns perigos e problemas graves. Quem já não tomou um analgésico para a dor de cabeça ou para uma dor de dentes sugerido por um amigo ou fornecido por um familiar? A verdade é que a automedicação pode correr bem, mas também pode ter consequências graves. No caso dos antibióticos, ainda existem alguns tipos que são de venda livre, mas lembre-se sempre que o consumo de antibióticos sem prescrição médica, pode causar intoxicação, camuflar uma doença ou ainda agravar uma doença crónica.

4 dicas para tomar um antibiótico

  1. Tenha em atenção os efeitos colaterais de cada antibiótico. Informe-se com o seu médico.
  2. Não beba álcool durante o período em que estiver a tomar o antibiótico. O álcool pode anular ou reduzir o seu efeito.
  3. Tente que a toma seja feita às refeições ou com algum alimento no estômago. Há antibióticos que podem afetar o sistema digestivo.
  4. Se por esquecimento deixar passar uma toma, não espere pela próxima. Tome quando se lembrar e adeque os restantes horários.

 

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