Pneumonia: saiba como prevenir esta infeção tão comum no inverno

Pneumonia: saiba como prevenir esta infeção tão comum no inverno

A pneumonia é a doença respiratória que mata mais pessoas em Portugal, sendo mais comum no inverno


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Entre as doenças respiratórias, a pneumonia é uma das mais preocupantes, não só porque afeta sobretudo os mais vulneráveis, mas porque é comum e implica grandes riscos. A pneumologista Inês Quininha Faria explica o que é, como se previne e como se trata esta infeção.

Em Portugal, cerca de 44% das mortes por doenças respiratórias são causadas por pneumonia, o que faz de nós o país da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) com a mais elevada taxa de mortalidade por pneumonias. Os dados são da Direção-Geral da Saúde (DGS) e constam do relatório do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias de 2017, vindo reforçar o que se sabe a nível mundial, ou seja, que a pneumonia é a terceira principal causa de mortalidade no mundo, sendo mesmo a primeira se estivermos a falar de crianças até aos 5 anos de idade, segundo a Organização Mundial da Saúde. Tendo em conta que esta doença assume uma expressão relevante, esclarecemos todas as dúvidas com a ajuda da médica Inês Quininha Faria, pneumologista no Hospital CUF Descobertas, Hospital CUF Infante Santo e na Clínica CUF Miraflores.

O que é e como se manifesta a pneumonia?

Segundo a especialista, “a pneumonia é uma infeção nos pulmões, que atinge principalmente os alvéolos, que são as zonas onde se realizam as trocas gasosas e que permitem a distribuição do oxigénio no nosso organismo”. Em relação à evolução desta infeção, pode ser “muito variável, desde benigna ou com pouca gravidade a mais grave e com necessidade de internamento que, por vezes, pode ser em cuidados intensivos”.

Quanto aos sintomas, os mais comuns são febre, tosse – muitas vezes com expetoração –, dor no peito ou nas costas e falta de ar. “Estas queixas ou sintomas podem estar todos presentes na mesma pessoa ou apenas surgirem alguns deles, dependendo da extensão da infeção, do estado de saúde prévio e da idade do doente”, salienta a médica. Mas no caso de alguns grupos etários, como as crianças e os idosos, é preciso atenção redobrada, já que “os sintomas podem ser menos específicos”. Por exemplo, “nos bebés, a pneumonia pode começar a manifestar-se com recusa alimentar ou perda da vontade de brincar e nos idosos pode inicialmente surgir associada a confusão mental”.

Como se dá o contágio?

Na maior parte dos casos, as pneumonias são infeciosas, o que significa que são causadas por micro-organismos, tais como bactérias, vírus, fungos ou parasitas. De acordo com Inês Quininha Faria, “as bactérias são os agentes infeciosos mais frequentes no adulto, sendo o mais comum o Streptococcus pneumoniae, vulgarmente conhecido por pneumococos”. Já nas crianças mais pequenas, principalmente até aos 2 anos de idade, “as pneumonias são frequentemente virais, sendo o vírus sincicial respiratório o micro-organismo mais comummente implicado”.

A pneumologista identifica duas formas distintas através das quais os micro-organismos responsáveis pela doença podem chegar aos alvéolos pulmonares: “Através da aspiração de bactérias que existem na região do nariz e da garganta, que em certas circunstâncias se tornam mais agressivas, ou através de contágio externo, pelo contacto com partículas infetadas que provêm quer de pessoas doentes quando tossem ou espirram, quer de animais ou do meio ambiente, como é o caso de gotículas de água contaminada por legionela”.

Porquê no inverno?

Sabe-se que as pneumonias podem surgir em qualquer altura do ano, mas “o risco aumenta muito nos meses frios, por ser o período das infeções virais”, adverte a especialista. Com efeito, “as infeções virais, tais como a gripe, aumentam o risco de pneumonia, havendo alteração dos mecanismos de defesa do aparelho respiratório, o que torna a pessoa mais vulnerável a outras infeções respiratórias, nomeadamente as de origem bacteriana”, justifica. Além disso, “nesta altura do ano é mais frequente protegermo-nos do frio em locais fechados, como centros comerciais, por exemplo, ou utilizar mais os transportes públicos, onde há um maior aglomerado de pessoas, o que também facilita a propagação das infeções”, acrescenta.

Quem está em risco?

Qualquer pessoa pode desenvolver uma pneumonia, mas “o maior risco para a sua ocorrência é a existência de fragilidade do sistema imunitário”, refere a médica, que identifica os seguintes grupos mais expostos:

  • Crianças em idade pré-escolar;
  • Idosos;
  • Pessoas com doenças crónicas, como doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), diabetes mellitus, infeção pelo vírus da sida e insuficiência cardíaca ou renal;
  • Pessoas com doença oncológica, principalmente se estiverem a fazer tratamento com quimioterapia ou radioterapia;
  • Doentes a usar medicamentos imunossupressores, porque estes podem diminuir as defesas do organismo;
  • Pessoas que vivem em instituições sociais ou lares, “não só pela convivência com outras pessoas debilitadas, mas também pela afluência de visitantes que podem ser facilitadores na propagação de micro-organismos, aumentando o risco de contágio”;
  • O tabagismo e o alcoolismo são também fatores de risco.

Como se sabe se é pneumonia?

Quem se enquadra nos grupos de risco ou apresenta sintomas há mais de três dias deve consultar um médico, “já que a auscultação pulmonar e a realização de uma radiografia de tórax poderão confirmar a presença desta infeção”, esclarece a pneumologista. Ao contrário do que por vezes se julga, “a tomografia computorizada torácica não tem indicação em todas as situações de pneumonia, devendo ficar reservada para os casos mais graves ou para aqueles em que a evolução não está a ser favorável”, salienta, acrescentando que “existem outros exames complementares que podem ser úteis para o diagnóstico, nomeadamente análises ao sangue ou à expetoração”.

Como se trata?

O provérbio “sopas e descanso” aplica-se no tratamento da pneumonia, mas só por si não chega. Com efeito, além de “uma adequada nutrição e descanso”, Inês Quininha Faria destaca a necessidade de “medicamentos para a infeção e para ajudar a minimizar os sintomas com vista a uma recuperação mais rápida”. Em relação aos antibióticos, estes apenas “estão indicados no caso das pneumonias bacterianas e, quando são receitados, devem ser tomados de acordo com as indicações do médico no que diz respeito às horas de administração e à duração do tratamento”, afirma, realçando que “é totalmente desaconselhado deixar de tomar o antibiótico logo que os sintomas diminuam ou desapareçam”.

Além disso, há que reforçar a ingestão de líquidos que, “em casos mais graves, poderá ter de ser através de soro administrado pelas veias”. “A hidratação serve para repor a perda de líquidos causada pela febre e pode facilitar a eliminação da expetoração”, justifica.

Saliente-se que a utilização de medicamentos para a tosse (antitússicos) “é geralmente desaconselhável, porque a tosse é um mecanismo de limpeza das vias aéreas”. Quanto aos medicamentos para baixar a febre (antipiréticos), a médica diz que “temporariamente podem ser utilizados”, mas chama a atenção para o caso de a temperatura elevada persistir: “Pode ser sinal de má evolução da pneumonia sendo aconselhável uma reavaliação médica.”

Quais são os riscos?

Tendo em conta que a pneumonia atinge sobretudo os alvéolos pulmonares, “se a infeção for extensa ou ocorrer numa pessoa com outras doenças crónicas, pode haver insuficiência respiratória e, nos casos mais graves, pode mesmo ser necessário a ajuda exterior de uma máquina para respirar, ou seja, um ventilador”. Entre todas as doenças respiratórias, as pneumonias são as responsáveis pelo maior número de internamentos em Portugal. E embora os dados da DGS revelem um decréscimo deste indicador entre 2011 e 2016, a verdade é que só nesse ano se registaram 40 519 internamentos motivados por pneumonia bacteriana.

A médica explica que “mesmo com um correto tratamento podem existir casos em que surgem complicações associadas a esta infeção, que devem ser prontamente identificadas e tratadas, pela gravidade que podem vir a ter”. De facto, “em alguns casos de maior gravidade, os micro-organismos podem atingir a corrente sanguínea e assim disseminar a infeção, podendo haver falência de vários órgãos”. É precisamente nesta situação de muita gravidade que se impõe o internamento numa unidade de cuidados intensivos.

Inês Quininha Faria lembra que “o tratamento inicial da pneumonia bacteriana é feito com antibióticos que, apesar de serem prescritos sem se conhecer o micro-organismo causador da infeção, são, na maioria dos casos, eficazes. Contudo, nalguns casos a infeção poderá não ter uma evolução favorável, havendo manutenção ou agravamento das queixas entre o segundo e terceiro dia de tratamento, o que pode implicar mudança de antibiótico após avaliação pelo médico”. Por isso, o doente deve estar sempre atento à evolução do seu estado de saúde e voltar ao clínico se não notar evolução positiva. Isto é importante na maior parte dos problemas de saúde, mas torna-se ainda mais pertinente quando em causa está o tratamento de uma pneumonia.

Como prevenir?

Estes são alguns dos conselhos da especialista para ajudar a prevenir a pneumonia já este inverno:

  • Estilo de vida saudável – Alimentação equilibrada, sem consumo de tabaco, saúde oral cuidada, prática regular de exercício físico e bons hábitos de sono. Desta forma é possível preservar e até estimular as defesas naturais do nosso organismo.
  • Vacina antipneumocócica – A indicação para a vacinação está relacionada com a idade e com a existência de doenças crónicas, pelo que a sua prescrição deve ser sempre discutida com o médico.
  • Vacina antigripal – Aconselhável em certos grupos de pessoas, porque a gripe está associada ao aumento do número de casos de pneumonia. Para saber se integra algum dos grupos em que a vacina está recomendada é importante falar com o médico ou farmacêutico.
  • Hábitos de higiene – Lavar as mãos com frequência (sobretudo depois de usar transportes coletivos ou frequentar espaços públicos, como centros comerciais ou hospitais) e tossir ou espirrar na direção do cotovelo ou para um lenço de papel que deve ser deitado fora de imediato.
  • Medidas de proteção – Nos casos de pessoas com maior fragilidade ou pertencentes aos grupos de risco para ter pneumonia, deve ser evitado o contacto com outros indivíduos com sintomas de infeção respiratória ou, em caso de necessidade, devem ser utilizadas medidas de proteção.

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pelo Conselho Científico da AdvanceCare.

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