Sinais malignos: quais as implicações?

Sinais malignos: quais as implicações?

Saúde e Medicina
Última atualização: 12/08/2022
  • A incidência e prevalência de cancro da pele tem vindo a aumentar a nível mundial nos últimos anos.
  • Conheça os sinais de alerta do melanoma, o tipo de cancro da pele mais agressivo, para que consiga identificá-lo com 4 dicas fundamentais.
  • Compreenda a importância do diagnóstico, remoção e vigilância deste tipo de lesões, que, se forem atempados, indicam um melhor prognóstico

Segundo a OMS, o número de casos de cancro da pele tem vindo a crescer a nível mundial. Examinar os seus sinais regularmente e consultar o médico no caso de encontrar um sinal suspeito é muito importante para detetar sinais malignos, permitindo que o diagnóstico seja atempado e o tratamento mais eficaz.

O número de casos de cancro da pele está a aumentar a nível mundial, e Portugal não é exceção. De acordo com dados do GLOBOCAN 2020 da International Agency for Research on Cancer, a incidência de novos casos na Europa Ocidental, onde o nosso país se encontra inserido, é superior a 200 mil por ano. Destes, mais de 60 mil são melanomas, a forma mais agressiva que é principalmente identificada por um sinal maligno. Rui Mendonça, dermatologista, sublinha que a deteção precoce de sinais malignos é a chave, desde a fase de diagnóstico à de tratamento. 


Sinais de alerta – à procura do “patinho feio”

O que distingue o melanoma de outros carcinomas da pele é o facto de geralmente ser associado aos nevos, os sinais castanhos da pele – assim, está frequentemente associado aos melanócitos, um tipo de células que produz melanina, a substância que dá cor à nossa pele. Existem outros tipos de sinais malignos, mas geralmente manifestam-se como lesões cutâneas em zonas expostas ao sol e que se apresentam escamadas e rosadas, demorando a sarar.

No caso da deteção do melanoma, importa conhecer os sinais, e a identificação destas lesões não pode descurar zonas do corpo que estejam mais escondidas, como os dedos dos pés ou o couro cabeludo. Muitas vezes, explica o dermatologista, trata-se de descobrir o “patinho feio”, sendo essencial a experiência clínica. Ainda assim, há alguns sinais de alerta que importa ter em conta, como as mudanças na configuração, alteração na cor e rapidez de crescimento. 


Quatro ideias a reter

  1. O historial de melanoma na família aumenta o risco, sobretudo entre os familiares mais próximos – pais, filhos e irmãos. Se tem antecedentes familiares de melanoma, deve ser observado pelo dermatologista com maior regularidade;
  2. A cor é outro aspeto relevante, explica Rui Mendonça. “Se a pessoa tiver muitos sinais castanho-escuros e depois há um quase preto, é um alerta”, diz o médico. É aqui que o clássico infantil do “patinho feio” pode servir de lembrete: se foge ao coletivo, deve ser avaliado;
  3. O bordo assimétrico deve também ser motivo de suspeita. O dermatologista dá uma ajuda: divida mentalmente o sinal em quatro; se os lados não corresponderem como se fosse um espelho, deve consultar um especialista;
  4. Os sinais geralmente começam por ser uma pintinha e crescem, mas este é um processo que deve “levar anos”, diz Rui Mendonça. Um sinal que cresce muito no espaço de meses, seja para os lados, seja em relevo, também deve ser observado. Igualmente, um sinal que sangra merece especial atenção. 


O diagnóstico

Identificado um sinal suspeito, recomenda-se a sua remoção. Tal deve ocorrer quando o médico tem a suspeita ou confirmação de que se trata de um sinal maligno, ou por prevenção, se for um sinal que no futuro poderá degenerar. A maioria dos melanomas são esta patologia desde o início, explica Rui Mendonça, embora haja casos em que é a progressão para melanoma seja previsível. Em ambos os cenários, é feita a excisão do sinal, um procedimento com anestesia local. A técnica de remoção a laser é a técnica não-cirúrgica mais utilizada, e pode ser uma opção viável em alguns casos. O tecido é depois enviado para biópsia, o exame que esclarece a natureza do sinal. 


Vigilância/próximos passos

Segundo Rui Mendonça, a maioria dos sinais estranhos ou atípicos retirados não se revelam malignos – o resultado da biópsia indicará que são sinais atípicos ou displásicos (não-cancerígenos).

Perante este resultado, recomenda-se que a vigilância de um sinal suspeito passe a ser mais frequente, dado haver maior risco de aparecimento de melanoma. Em vez de fazer consulta de dermatologia de dois em dois anos ou anualmente, é indicada a observação da pele por um especialista a cada seis meses. Outra preocupação deve ser garantir que o sinal foi totalmente removido.

Se a biopsia revelar um melanoma, inicia-se uma fase de estudo e planeamento do tratamento, com o doente a ser encaminhado da dermatologia para a oncologia. 


Sinais malignos: quanto mais cedo agir, melhor

Perante um diagnóstico de melanoma, o primeiro passo será medir a extensão do mesmo. Existem melanomas planos e outros em relevo, consoante a configuração do sinal, mas os médicos vão medir a sua profundidade a até que ponto as células cancerígenas invadiram a derme – camada situada imediatamente por baixo da epiderme, que é a camada superior da pele – conjugação que ditará o prognóstico.

Rui Mendonça explica que, agora, “há uma cirurgia onde são removidas margens mais alargadas”. Seguem-se análises e exames de imagiologia que permitem verificar se há outros órgãos afetados e se os gânglios linfáticos foram envolvidos. “Diz-se que o melanoma é o cancro da pele mais agressivo pois além de poder alastrar-se por via linfática, o que acontece com os outros tipos de cancro da pele (como o espinocelular e basalioma), pode também espalhar-se via vascular até outros órgãos, mesmo sem ter um tamanho muito exuberante”, esclarece o dermatologista. 

A extensão e disseminação vão ditar a abordagem. Há vários tratamentos, nomeadamente a imunoterapia, que procura modular o sistema imunitário para combater as células cancerígenas. Mais uma vez, quando mais cedo a deteção, melhor o prognóstico. “Se um melanoma não tiver alastrado, a probabilidade de cura é de 90%. Se tiver uma extensão inferior a 0,7 milímetros, a probabilidade de alastrar é mínima”, diz Rui Mendonça, reforçando o apelo. “Especialmente pessoas com muitos sinais, devem ser vistas com regularidade. Pessoas que não têm muitos sinais mas de repente têm um que se destaca devem encará-lo como um alerta. Só com esta preocupação seria possível evitar-se muitos problemas”, conclui.

Em conclusão…

Mantenha-se atento aos seus sinais, fazendo uma avaliação periódica junto de um especialista.

Igualmente, evite comportamentos de risco que possam promover o aparecimento de cancro da pele. Uma das principais causas destas patologias é a exposição a raios ultravioleta provenientes do sol – assim, é importante saber proteger-se deste fator, recordando alguns cuidados essenciais para o cuidado da sua pele.

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