Sinais malignos: quais as implicações?

Sinais malignos: quais as implicações?

O número de casos de cancro da pele tem vindo a crescer na Europa. Examinar os seus sinais regularmente e consultar o médico no caso de encontrar um sinal suspeito é muito importante para detetar sinais malignos, permitindo que o diagnóstico seja atempado e o tratamento mais eficaz.


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O número de casos de cancro da pele está a aumentar e Portugal não é exceção. De acordo com dados da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo, existem mais de 3,5 milhões de casos na Europa a cada ano que passa. Cerca de mil são melanomas, a forma mais agressiva que começa com um sinal maligno. Rui Mendonça, dermatologista da Clínica Europa, em Carcavelos, sublinha que a deteção precoce de sinais malignos é a chave, da fase de diagnóstico ao tratamento. 


Sinais de alerta – à procura do “patinho feio”

O que distingue o melanoma de outros carcinomas da pele é o facto de geralmente ser associado a nevos, os sinais castanhos da pele. Existem outros tipos de sinais malignos, mas geralmente manifestam-se como lesões cutâneas em zonas expostas ao sol e que se apresentam escamadas e rosadas, demorando a sarar. No caso da deteção do melanoma, importa conhecer os sinais, não descurando zonas do corpo que possam estar escondidas como os dedos dos pés ou o couro cabeludo. Muitas vezes, explica o médico, trata-se de descobrir o “patinho feio”, sendo essencial a experiência clínica. Ainda assim, há alguns sinais de alerta que importa ter em conta, de mudanças na configuração a cores diferentes à rapidez de crescimento. 


Quatro ideias a reter

1. O historial de melanoma na família aumenta o risco, sobretudo entre os familiares mais próximos – pais, filhos e irmãos. Se tem antecedentes familiares de melanoma, deve ser observado pelo dermatologista com maior regularidade;

2. A cor é outro aspeto relevante, explica Rui Mendonça. “Se a pessoa tiver muitos sinais castanho-escuros e depois há um quase preto, é um alerta”, diz o médico. É aqui que o clássico infantil do “patinho feio” pode servir de mnemónica: se foge ao coletivo, deve ser avaliado;

3. O bordo assimétrico deve também ser motivo de suspeita. O médico dá uma ajuda: divida mentalmente o sinal em quatro; se os lados não corresponderem como se fosse um espelho, deve consultar um especialista;

4. Os sinais geralmente começam por ser uma pintinha e crescem, mas este é um processo que deve levar anos, diz Rui Mendonça. Um sinal que cresce muito no espaço de meses, seja para os lados, seja em relevo, também deve ser observado. Um sinal que sangra merece especial atenção. 


O diagnóstico

Identificado um sinal suspeito, recomenda-se a sua remoção. Tal deve ocorrer quando o médico tem a suspeita ou confirmação de que se trata de um sinal maligno ou por prevenção, por ser um sinal que no futuro poderá degenerar. A maioria dos melanomas são-no desde o início, explica Rui Mendonça, embora haja casos em que é previsível uma mudança. Em ambos os cenários, é feita a excisão do sinal, um procedimento com anestesia local. O tecido é depois enviado para biopsia, o exame que esclarece a natureza do sinal. 


Vigilância/próximos passos

- Segundo Rui Mendonça, a maioria dos sinais estranhos ou atípicos retirados não se revelam malignos. A biopsia indicará que são sinais atípicos ou displásicos. Perante este resultado, recomenda-se que a vigilância de um sinal suspeito passe a ser mais frequente, dado haver maior risco de aparecimento de melanoma. Em vez de fazer consulta de dermatologia de dois em dois anos ou anualmente, é indicada a observação da pele por um especialista a cada seis meses, diz o médico. Outra preocupação deve ser garantir que o sinal foi totalmente removido.

- Se a biopsia revelar um melanoma, inicia-se uma fase de estudo e planeamento do tratamento, com o doente a ser encaminhado da dermatologia para a oncologia. 


Sinais malignos: quanto mais cedo agir, melhor

Perante um diagnóstico de melanoma, o primeiro passo será medir a extensão do mesmo. Existem melanomas planos e outros em relevo, consoante a configuração do sinal, mas os médicos vão medir a sua profundidade a até que ponto as células cancerígenas invadiram a derme, conjugação que ditará o prognóstico.

Por regra, há uma nova cirurgia onde são removidas margens mais alargadas, explica Rui Mendonça. Seguem-se análises e exames de imagiologia que permitem verificar se há outros órgãos afetados e se os gânglios linfáticos foram envolvidos. “Diz-se que o melanoma é o cancro da pele mais agressivo pois além de poder alastrar via linfática, o que acontece com os outros tipos de cancro da pele (espinocelular e basalioma) pode também espalhar-se via vascular até outros órgãos, mesmo sem ter um tamanho muito exuberante”, esclarece o médico. 

A extensão e disseminação vão ditar a abordagem. Há vários tratamentos, nomeadamente a imunoterapia, que procura modular o sistema imunitário para combater as células cancerígenas. Mais uma vez, quando mais cedo a deteção, melhor o prognóstico. “Se um melanoma não tiver alastrado, a probabilidade de cura é de 90%. Se tiver uma extensão inferior a 0,7 milímetros, a probabilidade de alastrar é mínima”, diz Rui Mendonça, reforçando o apelo. “Especialmente pessoas com muitos sinais, devem ser vistas com regularidade. Pessoas que não têm muitos sinais mas de repente têm um que se destaca devem encará-lo como um alerta. Só com esta preocupação seria possível evitar-se muitos problemas”.

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