6 Mitos sobre a Hipertensão

Saúde e Medicina
Última atualização: 12/05/2026
  • A hipertensão é uma condição frequente que pode surgir em qualquer idade e, na maioria dos casos, não apresenta sintomas.
  • O seu desenvolvimento está associado a vários fatores de risco, como o estilo de vida, a predisposição genética e outras condições de saúde.
  • O controlo regular da tensão arterial e a adoção de hábitos saudáveis são fundamentais para prevenir e controlar a doença.
Hipertensão 

A hipertensão arterial afeta 41% da população adulta em Portugal.

De acordo com o Relatório Global da Hipertensão 2025 da Organização Mundial de Saúde, estima-se que cerca de 2,6 milhões de adultos em Portugal, entre os 30 e os 79 anos, vivam com hipertensão arterial, o que corresponde a aproximadamente 41% da população adulta.

Apesar de a maioria dos casos estar diagnosticada (77%) e sob tratamento (72%), apenas 1,4 milhões de doentes têm a condição sob controlo (52%). Estes dados evidenciam que, mesmo com diagnóstico e acompanhamento médico, o controlo da doença continua a representar um desafio em termos de saúde pública.

Neste contexto, a prevenção e a adoção de estilos de vida saudáveis assumem um papel fundamental, assim como a monitorização regular da tensão arterial.

De seguida, apresentamos alguns mitos comuns sobre a hipertensão que importa esclarecer para uma melhor compreensão da doença.

1. A hipertensão só afeta pessoas mais velhas?

A hipertensão arterial não é exclusiva da terceira idade, podendo surgir em qualquer fase da vida, incluindo em jovens adultos. No entanto, o risco tende a aumentar com o envelhecimento devido a alterações fisiológicas naturais dos vasos sanguíneos.

Com o avanço da idade, é comum observar-se um aumento da pressão arterial sistólica (máxima), enquanto a pressão diastólica (mínima) pode manter-se estável ou até diminuir, sobretudo após os 50 anos.

Por outro lado, a presença de hipertensão em idades mais jovens está sobretudo associada ao aumento de fatores de risco ligados ao estilo de vida, como alimentação desequilibrada, excesso de peso, sedentarismo, stress e consumo de tabaco ou álcool. Estes fatores podem contribuir para alterações precoces na função dos vasos sanguíneos e no controlo da pressão arterial. Além disso, existe também a componente genética que pode predispor ao desenvolvimento da doença mais cedo.

2. Se não tenho sintomas, não tenho tensão alta?

A hipertensão arterial é frequentemente designada como uma “doença silenciosa”, uma vez que, na maioria dos casos, não provoca sintomas evidentes. Muitas pessoas podem apresentar valores elevados de tensão arterial durante anos sem qualquer sinal de alerta.

Esta ausência de sintomas não significa ausência de doença. Pelo contrário, a hipertensão pode estar presente e provocar, de forma progressiva, danos nos vasos sanguíneos, no coração, nos rins e noutros órgãos.

Por este motivo, o diagnóstico não deve basear-se na presença de sintomas, mas sim na medição regular da tensão arterial. Importa referir ainda que, um valor de pressão arterial elevado isoladamente não significa que a pessoa seja hipertensa.

Em cada avaliação médica a pressão arterial deve ser medida 3 vezes, com 1 a 2 minutos de diferença. A pressão arterial a considerar é a média das duas últimas avaliações.

3. A dor de cabeça é um sintoma da hipertensão?

A dor de cabeça não é considerada um sintoma típico da hipertensão arterial. Como referimos anteriormente, na maioria dos casos, a hipertensão não provoca sinais evidentes, sendo muitas vezes uma condição silenciosa.

Quando surgem dores de cabeça, estas não estão necessariamente relacionadas com valores elevados de tensão arterial e podem ter outras causas mais comuns, como stress, fadiga ou problemas de visão, por exemplo.

Por este motivo, a presença de dor de cabeça não deve ser utilizada como indicador de hipertensão, sendo essencial a medição regular da tensão arterial para um diagnóstico correto.

4. Se a tensão arterial estiver estável, não é preciso medicação?

A decisão de iniciar ou manter medicação para a hipertensão não depende apenas de valores pontuais da tensão arterial, mas sim do risco cardiovascular global e da evolução da doença ao longo do tempo.

Mesmo quando os valores se encontram controlados, isso pode dever-se ao efeito do tratamento. A interrupção da medicação sem orientação médica pode levar ao aumento da tensão arterial e ao agravamento do risco de complicações.

Assim, qualquer ajuste ou suspensão do tratamento deve ser sempre realizado sob acompanhamento médico, tendo em conta o historial clínico e os fatores de risco de cada pessoa.

5. A hipertensão só acontece a quem consome muito sal?

O consumo excessivo de sal é um dos fatores que pode contribuir para o aumento da tensão arterial, mas não constitui a única causa de hipertensão.

Esta condição resulta, na maioria dos casos, da combinação de vários fatores de risco, incluindo predisposição genética, idade, excesso de peso, sedentarismo, consumo de álcool, stress e outras doenças associadas.

Os fatores de risco estão diretamente relacionados com a alimentação e estilo de vida, sendo um dos elementos a considerar na prevenção da doença.

6. Se há histórico familiar, é inevitável ter hipertensão?

Ter histórico familiar de hipertensão aumenta o risco de desenvolver a doença, indicando uma maior predisposição genética. No entanto, isso não significa que o seu aparecimento seja inevitável.

Como já foi explicado, a hipertensão resulta da interação entre vários fatores. Assim, mesmo na presença de predisposição familiar, é possível reduzir significativamente o risco através da adoção de estilos de vida saudáveis e da monitorização regular da tensão arterial.

Concluindo, a hipertensão arterial é uma condição frequente e, na maioria dos casos, silenciosa, o que reforça a importância da sua deteção precoce e acompanhamento regular.

Apesar de ser influenciada por vários fatores de risco, muitos dos quais modificáveis, o seu controlo adequado é essencial para reduzir complicações e proteger a saúde a longo prazo.

A adoção de estilos de vida saudáveis, aliada à monitorização da tensão arterial e ao cumprimento das recomendações médicas, desempenha um papel fundamental na prevenção e gestão da doença. Desta forma, é possível diminuir significativamente o risco cardiovascular e melhorar a qualidade de vida.

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