Parto natural e cesariana: Quais as diferenças?

Parto natural e cesariana: Quais as diferenças?

Constituindo o momento mais esperado da gravidez, o parto é sempre fonte de ansiedade e interrogações. Uma das dúvidas é não saber se o parto será natural ou se por cesariana. Conhecer os contornos dos dois procedimentos permite uma maior adequação das expetativas geradas e um maior bem-estar psicológico em relação à perceção do momento.


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Podendo decorrer de duas formas – parto natural ou cesariana -, a experiência de parto é geralmente percecionada de forma positiva quando as expetativas construídas se adequam à forma como o parto é experienciado.

Estar ciente daquilo que pode acontecer ajudará a adequar-se à situação e ter uma melhor experiência de dar à luz.


Parto natural ou cesariana?

Apesar da maioria dos médicos defenderem o parto natural como a forma mais adequada de dar à luz, é necessário ter em conta que as decisões são tomadas de acordo com as condições gerais da mãe e do bebé.


Parto natural

Constituindo a resposta biológica do organismo à gestação, o parto natural (pélvico ou vaginal) permite uma recuperação bastante mais rápida do que a cesariana. Poupando o organismo a uma invasão cirúrgica, o parto natural não deixa, normalmente, qualquer sequela. Contudo, em algumas situações, a mãe poderá ficar com flacidez na musculatura do períneo. O períneo é constituído por um conjunto de músculos muito importantes para a mulher que têm como missão suportar o útero, a bexiga e o reto, mas também fechar a vagina, a uretra e o ânus.

Normalmente, associada ao parto natural está a dor. Contudo, nem sempre essa dor se revela com a mesma intensidade e atualmente existem técnicas que permitem atenuá-la, como a anestesia epidural. Esta anestesia loco-regional tem como intuito diminuir a sensibilidade na parte inferior do corpo, sem, no entanto, impedir que a mulher tenha um papel ativo no trabalho de parto.

A epidural é aplicada quando a dilatação atinge 4 a 5 centímetros e as contrações se sucedem ao ritmo de uma em cada 4 ou 5 minutos. A anestesia é aplicada entre duas contrações, com a mãe dobrada sobre si e imobilizada, e o anestésico injetado retirará a sensibilidade à parte inferior do corpo. A epidural controla a dor, não tendo qualquer efeito sobre o bebé.

Um parto natural segue um ritmo próprio, que começa com a ruptura da bolsa de águas, contrações e dilatação do colo do útero, até ao nascimento do bebé.

No parto natural, a episiotomia (corte realizado no períneo – entre a vagina e o ânus), facilita a passagem do bebé. Esta incisão implica cuidados especiais, uma vez que a sua localização pode favorecer a infeção do local. A mulher tende a sentir dor local nos dias seguintes e alguma dificuldade em sentar-se, mas esse desconforto passa ao fim de algumas semanas.

O parto natural apresenta algumas vantagens: o internamento é mais curto, a recuperação é, por norma, mais rápida, existe uma maior ligação entre o bebé e a mãe, o risco de morbilidade é menor, os custos hospitalares são menores e os riscos em futuras gravidezes e partos também são menores.

Este é o processo fisiológico natural e por isso o mais aconselhado pelos especialistas.


Cesariana

A cesariana implica uma recuperação mais lenta e dolorosa. Caso decorra sem complicações, a incisão abdominal cicatriza entre 5 a 7 dias, altura em que se retiram os pontos cirúrgicos. Para além disso, a anestesia administrada que pode ser geral (a mulher não está consciente) ou regional (epidural ou raquidiana – impede a mobilização da cintura para baixo, permitindo que a mãe esteja desperta e participativa) -, impede a dor durante o parto, mas não a evita na recuperação.

Obrigando à realização de uma incisão abdominal (normalmente transversal), acima da linha dos pelos púbicos, e ao corte de vários tecidos até se chegar ao bebé, a cesariana pode acarretar complicações como hemorragia (o parto vaginal implica a perda de menor quantidade de sangue), infeções na zona da cicatriz ou a formação de abcessos.

Ao contrário do parto natural, a cesariana implica que a mulher não esforce os músculos abdominais por um período de seis semanas.

A realização de uma cesariana pode condicionar partos futuros. A indução do parto a uma paciente que anteriormente tenha realizado uma cesariana, aumenta o risco de rotura uterina.

Para o bebé existe maior risco de dificuldade respiratória, principalmente se a cesariana for feita antes das 39 semanas.


Situações com indicação para realização de cesariana:

  • Descolamento prematuro de placenta ou placenta prévia (acontece nos casos em que a placenta se implanta na parte inferior do útero).
  • Eclâmpsia, pré-eclâmpsia ou síndrome de Hellp (síndrome que normalmente resulta da evolução da pré-eclâmpsia).
  • Problemas de dilatação, mau posicionamento fetal, sofrimento fetal agudo e lesão por herpes ativa no momento do parto.
  • Mulheres que já foram submetidas a pelo menos duas cesarianas ou que apresentam risco de rutura do útero.

O parto natural constitui o desenlace natural da gravidez. Contudo, a cesariana pode ser a solução em alguns casos mais complicados. Para avaliar todos os prós e contras é aconselhável seguir a opinião do seu médico que irá pesar o que é melhor para a mãe e para o bebé.

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