5 perguntas e respostas sobre o tabaco

Saúde e Medicina
Última atualização: 12/05/2026
  • O tabaco tem um impacto significativo na saúde e é uma das principais causas de morte evitável a nível mundial.
  • A dependência tabágica resulta da combinação de fatores físicos, psicológicos e sociais.
  • Parar de fumar traz benefícios imediatos para a saúde e bem-estar geral.
Tabaco 

Por cada cigarro fumado, perdem-se em média cerca de 8 minutos de vida.

O tabagismo continua a ser um dos principais problemas de saúde pública a nível mundial. Estima-se que cada cigarro fumado represente, em média, uma perda de cerca de 8 minutos de vida, o que se traduz, ao longo de anos de consumo, numa redução significativa da esperança de vida até cerca de 13 anos nos homens e 15 anos nas mulheres.

Apesar da redução do número de fumadores nas últimas décadas, o consumo de tabaco mantém-se elevado, com cerca de 1 em cada 5 adultos a nível global ainda dependente deste produto. As projeções indicam que, se as tendências atuais se mantiverem, o tabaco continuará a ser responsável por mais de 8 milhões de mortes por ano.

Em Portugal, cerca de um quarto da população adulta fuma tabaco convencional, um valor acima da média mundial (19,5%). O impacto do tabaco reflete-se no aumento do risco de doenças respiratórias, cardiovasculares e oncológicas, bem como na redução da qualidade de vida e no agravamento da dependência física e psicológica.

Perante esta realidade, reduzir ou deixar de consumir tabaco continua a ser uma das medidas mais importantes para proteger a saúde. Neste artigo, respondemos a algumas perguntas sobre o tabaco, os seus efeitos no organismo e os benefícios associados à cessação tabágica.

1.Como identificar a dependência do tabaco?

A dependência do tabaco está diretamente associada à ação da nicotina, substância que atua rapidamente no cérebro e provoca alterações no seu funcionamento, favorecendo o desenvolvimento do vício.

O consumo pode iniciar-se de forma ocasional, muitas vezes por experimentação. Contudo, com o tempo, pode evoluir para um padrão de consumo regular, no qual surge uma necessidade difícil de controlar, mesmo quando existe consciência dos riscos ou já estão presentes problemas de saúde associados ao tabaco.

Um dos sinais mais comuns é a vontade intensa e frequente de fumar (craving), bem como o desconforto físico e psicológico que ocorre na ausência de consumo, associado à síndrome de abstinência.

A dependência do tabaco pode manifestar-se de diferentes formas:

  • Dependência física: resulta da ação da nicotina no sistema de recompensa do cérebro, gerando sensação de prazer e bem-estar. Com o uso continuado, o organismo adapta-se, aumentando a necessidade de consumo para obter o mesmo efeito.
  • Dependência psicológica e comportamental: está ligada a hábitos e rotinas do quotidiano, em que determinadas situações, como beber café ou fazer pausas, desencadeiam automaticamente a vontade de fumar.
  • Dependência social: relacionada com o contexto envolvente e a influência do meio, incluindo a pressão social e a normalização do consumo de tabaco, sobretudo em idades mais jovens.

2.Qual a relação entre tabaco e risco cardiovascular?

Quando uma pessoa fuma, as substâncias tóxicas do tabaco provocam lesões na parede das artérias, favorecem a inflamação e aceleram o processo de aterosclerose (formação de placas de gordura nos vasos). Isto conduz ao estreitamento e endurecimento das artérias, dificultando a circulação do sangue.

Além disso, o tabaco:

  • Aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial.
  • Reduz a capacidade do sangue transportar oxigénio devido ao monóxido de carbono.
  • Favorece a formação de coágulos sanguíneos.

Como consequência, o risco de doenças cardiovasculares aumenta de forma significativa. Segundo a Fundação Portuguesa de Cardiologia, as doenças cardiovasculares são 2 a 4 vezes mais frequentes nos fumadores.

3.Quais os benefícios de deixar de fumar?

Deixar de fumar traz benefícios significativos para a saúde, com melhorias que começam logo nas primeiras horas e continuam a evoluir ao longo do tempo.

O que acontece ao corpo após deixar de fumar

  • Após cerca de 20 minutos, a frequência cardíaca e a tensão arterial começam a estabilizar.
  • Ao fim de 8 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue diminuem e a oxigenação melhora.
  • Entre 48 e 72 horas, há uma melhoria da respiração devido à dilatação dos brônquios.
  • Entre 2 a 3 semanas, a circulação sanguínea melhora e o risco cardiovascular começa a reduzir.
  • Entre 1 a 9 meses, diminuem a tosse, a falta de ar e as infeções respiratórias.
  • Após 1 ano, o risco de doença coronária reduz de forma significativa.

Benefícios a curto prazo

  • Normalização progressiva da frequência cardíaca e da pressão arterial.
  • Melhoria da oxigenação do sangue.
  • Aumento da capacidade respiratória.
  • Recuperação gradual do paladar e do olfato.

Benefícios a médio e longo prazo

  • Redução do risco de doenças cardiovasculares, como enfarte do miocárdio e acidente vascular cerebral ( AVC).
  • Diminuição do risco de vários tipos de cancro, em especial o cancro do pulmão.
  • Melhoria da função pulmonar e redução de doenças respiratórias.
  • Aumento da esperança e da qualidade de vida.

A cessação tabágica também protege a saúde de terceiros através da eliminação do fumo passivo e contribui para uma redução significativa dos custos associados ao consumo de tabaco.

4.Quais são os principais riscos do fumador passivo?

O fumo passivo consiste na inalação do fumo ambiental do tabaco por pessoas não fumadoras, resultante da proximidade de fumadores ou da permanência em espaços poluídos pelo fumo.

A exposição ao fumo passivo representa um risco significativo para vários grupos, nomeadamente:

  • Bebés e crianças: com maior risco de síndrome da morte súbita, tosse, asma, infeções do ouvido ou infeções respiratórias como pneumonia e bronquite.
  • Pessoas idosas.
  • Doentes com asma ou outras condições respiratórias.
  • Pessoas com doenças cardiovasculares ou outras doenças crónicas.
  • Indivíduos com o sistema imunitário débil.

A exposição ao fumo do tabaco pode aumentar o risco de várias doenças, incluindo:

  • Doenças respiratórias, como asma e bronquite.
  • Infeções respiratórias, sobretudo em crianças.
  • Doenças cardiovasculares, como enfarte do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
  • Cancro do pulmão.
  • Agravamento de doenças já existentes, como alergias e problemas respiratórios.

5.Os cigarros eletrónicos, o vape e outros produtos de tabaco são menos prejudiciais?

Os cigarros eletrónicos, o vape e outros produtos alternativos ao cigarro tradicional são frequentemente apresentados como opções menos nocivas. No entanto, isso não significa que sejam isentos de riscos para a saúde.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o número global de utilizadores de cigarros eletrónicos já ultrapassa os 100 milhões, o que tem levantado alertas para uma nova vaga de dependência, especialmente entre os mais jovens.

Estes produtos continuam a expor o organismo à nicotina, substância responsável pela dependência, bem como a outras partículas químicas que podem irritar e lesar as vias respiratórias. Para além disso, podem contribuir para a manutenção do comportamento aditivo e dificultar a cessação do consumo de tabaco.

Reduzir ou deixar de fumar continua a ser uma das decisões mais importantes para proteger a saúde e melhorar a qualidade de vida. Para ajudar neste processo, consulte o nosso artigo com recomendações da American Cancer Society para uma cessação tabágica mais eficaz.

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pelo Conselho Científico da AdvanceCare.

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