Saúde mental no trabalho
- Situações de stress, depressão, ansiedade ou burnout têm vindo a ser mais reportadas por trabalhadores.
- Dormir bem, pedir ajuda, estabelecer limites e fazer exercício podem melhorar o bem-estar mental no trabalho.
- Saber reconhecer sinais de alerta, como ansiedade e fadiga persistentes, perturbações do sono, perda de motivação, etc. podem fazer a diferença.
1 em cada 5 trabalhadores europeus relatou ter problemas relacionados com a saúde mental.
O burnout é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como síndrome ocupacional e é caracterizado por um esgotamento profundo, distanciamento mental do trabalho e redução da eficácia profissional. Em Portugal, segundo o estudo LABPATS, três em cada quatro trabalhadores apresentam pelo menos um sintoma associado ao burnout.
Por outro lado, investir na saúde mental dos colaboradores é de extrema importância para as empresas. Segundo dados da OMS e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), por cada euro investido é gerado um retorno de cerca de 4 euros, quer seja ao nível da produtividade, da redução do absentismo ou pela retenção do talento.
Qual o impacto do trabalho na saúde mental?
O trabalho pode ser uma fonte de bem-estar e de sentido realização. Porém, quando as exigências ultrapassam os recursos, tal como o tempo, energia, autonomia ou o apoio dentro e fora do trabalho, pode gerar-se uma falta de equilíbrio. A OMS reconhece que o ambiente de trabalho amplifica vulnerabilidades individuais e desigualdades sociais, tornando-o um fator determinante na saúde mental de quem nele participa.
Os principais fatores de risco identificados pela OMS e pela Direção-Geral da Saúde (DGS) incluem:
- Sobrecarga de trabalho e prazos irrealistas;
- Falta de autonomia e controlo sobre as tarefas;
- Ambiguidade ou conflito de funções;
- Ambientes de trabalho com assédio ou falta de apoio da chefia;
- Insegurança no emprego e instabilidade contratual;
- Dificuldade em conciliar vida profissional e pessoal.
As consequências de ignorar estes sinais podem ser graves. Para saber mais sobre como o esgotamento profissional afeta o corpo e a mente, leia o nosso artigo sobre burnout: quando o corpo e a mente quebram.
Quais são os sinais de alerta?
Os problemas de saúde mental associados ao trabalho raramente surgem de forma abrupta, muitas vezes estão disfarçados daquilo que se considera um cansaço normal ou um "mau dia". Saber reconhecer esses sinais precocemente é o primeiro passo para agir a tempo.
Sinais de nível emocional e psicológico:
- Irritabilidade frequente, apatia ou sensação de vazio;
- Ansiedade persistente e dificuldade em “desligar” do trabalho;
- Sentimento de inutilidade, frustração ou baixa autoestima profissional;
- Dificuldade de concentração e lapsos de memória.
Sinais físicos:
- Fadiga constante, mesmo após descanso;
- Perturbações do sono: insónia ou sonolência excessiva;
- Dores de cabeça frequentes e tensão muscular;
- Problemas gastrointestinais sem causa orgânica identificada.
Sinais de alerta a nível comportamental:
- Isolamento dos colegas e perda de motivação;
- Aumento do absentismo ou, ao contrário, incapacidade de parar de trabalhar;
- Queda no desempenho e criatividade;
- Recurso crescente ao álcool, cafeína ou outros estimulantes.
Se reconhecer alguns destes sinais, saiba como gerir o stress no trabalho e quais as estratégias que podem ajudá-lo(a) a recuperar o seu equilíbrio.
Nem todos estes sinais indicam doença mental, mas quando persistem ou se intensificam, merecem atenção.
Como prevenir problemas de saúde mental no trabalho?
A prevenção é a resposta mais eficaz e também a mais acessível. Pequenas mudanças de hábitos, quando incorporadas na rotina diária, têm um impacto significativo no bem-estar mental. A DGS, através do Programa Nacional de Saúde Ocupacional, recomenda uma abordagem que combina medidas individuais com responsabilidades organizacionais.
Eis algumas das estratégias de prevenção com maior evidência científica:
1. Estabelecer limites entre o trabalho e a vida pessoal: Definir horários, sabendo quando separar os dois mundos, e respeitar momentos de desconexão é fundamental. A dificuldade em "desligar" do trabalho é um dos fatores que mais contribui para o esgotamento.
2. Cuidar do seu sono: O sono é a base de uma mente saudável e de uma boa performance profissional. Dormir mal afeta diretamente a concentração, a boa disposição e a tomada de decisões.
3. Fazer exercício físico: A atividade física regular reduz os níveis de cortisol (a hormona do stress) e estimula a produção de endorfinas. Mesmo uma caminhada de 30 minutos por dia pode fazer a diferença.
4. Tirar férias (mas a sério!): Descansar não é perder tempo, mas sim investir na produtividade e na saúde. As férias permitem ao cérebro recuperar, consolidar memórias e recarregar energia criativa. Saiba porque deve ir de férias e regressar mais produtivo.
5. Investir na sua inteligência emocional: Reconhecer e gerir as próprias emoções, bem como compreender as dos outros, é uma competência essencial para melhor navegar os seus desafios profissionais com maior resiliência.
6. Procurar apoio quando precisa: Pedir ajuda é um sinal de maturidade, não de fraqueza. Se sentir que os sintomas persistem, consulte o seu médico de família ou um profissional de saúde mental. E encontre neste artigo mais estratégias para preservar a sua saúde mental no dia a dia.
Qual o papel das empresas na saúde mental dos colaboradores?
A responsabilidade pela saúde mental no trabalho não é apenas individual. As organizações têm um papel determinante na criação de ambientes psicologicamente seguros. De acordo com as diretrizes da OMS, publicadas em parceria com a OIT, os empregadores devem implementar políticas concretas de prevenção dos riscos psicossociais.
- Formação de líderes para identificar e responder a sinais de sofrimento mental;
- Políticas claras contra o assédio moral e a discriminação;
- Programas de apoio psicológico para colaboradores (Employee Assistance Programs);
- Flexibilidade horária e opções de teletrabalho equilibradas;
- Cultura organizacional que valorize o descanso e os limites saudáveis;
- Comunicação aberta sobre saúde mental, reduzindo o estigma;
Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde, através do Programa Nacional de Saúde Ocupacional (PNSOC), disponibiliza orientações e ferramentas para a avaliação de riscos psicossociais no local de trabalho, um passo essencial para que as empresas possam agir de forma preventiva e informada. Neste sentido, o lema do Dia Mundial da Saúde Mental de 2024 foi: "É hora de priorizar a saúde mental no local de trabalho". Uma mensagem que serviu de alerta, mas também representava um convite à mudança.
E quando é que é mesmo preciso recuperar?
Nem sempre é possível evitar períodos de maior vulnerabilidade. A vida traz consigo fases de mudança, sobrecarga e desequilíbrio. O que podemos controlar é a forma como respondemos e, sobretudo, como procuramos apoio.
Se está numa fase de recuperação emocional, estas estratégias podem ajudá-lo:
- Reconecte-se consigo: explore dicas para recuperar a saúde emocional e aproveite os momentos de pausa para recarregar energias.
- Não se isole: partilhar o que sente com pessoas de confiança alivia a carga emocional e ajuda a ganhar perspetiva.
- Mantenha rotinas básicas: alimentação equilibrada, sono regular e alguma atividade física são a base da recuperação.
- Evite o presencismo forçado: trabalhar em sobrecarga quando está fragilizado agrava o problema e prolonga a recuperação.
- Se está a aproximar-se da reforma, essa nova fase também representa desafios. Saiba como gerir esta transição com serenidade: leia o nosso artigo e desfrute da reforma.
Quando os sintomas se prolongam ou interferem com o funcionamento diário, a opção mais segura será recorrer a um profissional de saúde mental (psicólogo ou psiquiatra). Em Portugal, pode aceder a este apoio através do Serviço Nacional de Saúde ou de um seguro de saúde que cubra consultas de saúde mental.
A AdvanceCare disponibiliza o programa Care & Go – Psicologia com o principal objetivo de o ajudar encontrar soluções para determinados sinais e sintomas, como o stress, as alterações de sono ou a ansiedade.
Mas lembre-se, que a prevenção faz a diferença e começa sempre por pequenas decisões diárias: dormir bem, pedir ajuda, estabelecer limites, fazer exercício, reconhecer o que nos afeta.

Conteúdo revisto
pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
Downloads
Consulte os nossos guias para hábitos saudáveis:





