Nutrição e cancro da mama: o segredo está à mesa

Nutrição e cancro da mama: o segredo está à mesa

A nutrição em oncologia assume um papel preponderante na prevenção e remissão da doença oncológica. A incontestável relação entre o que comemos e o que adoecemos, faz com que a procura incessante de recomendações e cuidados nutricionais de excelência e a promoção de estilos de vida saudáveis, sejam uma tendência e uma preocupação constante. A Dra. Inês Carretero, nutricionista especializada em nutrição em oncologia e comportamento alimentar explica-nos tudo.


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Se durante o diagnóstico da doença oncológica e respetivos tratamentos, a perda de peso com intenção não é recomendada, podendo inclusive condicionar o prognóstico e tolerância aos tratamentos, durante a prevenção e na remissão, o peso corporal correto assume novamente um papel fundamental. Com uma associação positiva para recorrência e sobrevivência no cancro da mama, deverá por este motivo manter sempre o seu peso correto e respetivo Índice de Massa Corporal Normal, entre os 18,5 e 24,9 kg/m2. Não se esqueça que existe uma forte evidência entre a presença de excesso de peso e obesidade durante a vida adulta e a incidência de novos casos de cancro da mama pós menopausa.

As principais linhas de orientação nutricional para a prevenção e remissão do cancro da mama focam-se nos seguintes pontos:

  • Controlo do peso corporal (evitar o excesso de peso ou obesidade);
  • Aumento do consumo de fibra dietética e alimentos com baixo índice glicémico;
  • Redução do consumo de gordura (especialmente saturada) e açúcar simples (tipo sacarose);
  • Controlo dos níveis de colesterol sérico, uma vez que a elevação do colesterol no sangue parece inibir a capacidade e mediação de resposta do sistema imunitário face às células cancerígenas.

Para facilitar a escolha e minimizar as tentações nutricionais existentes no mercado, aprenda a interpretar o rótulo nutricional e evite o consumo de alimentos em que primeiros ingredientes no rótulo sejam: gorduras, óleos, sal, açúcar (sacarose), mel, melaço, ou ainda outras formas de açúcar (ex.: maltose, glicose, frutose, dextrose, xarope de açúcar). Se tiver dúvidas, recorra ao descodificador de rótulos disponibilizado pela Direção Geral de Saúde, que permite uma rápida interpretação do que deve fazer ou não parte da sua dieta.

Não negligencie os cuidados de higiene e segurança alimentar, uma vez que os alimentos são também portadores de microrganismos e toxicidade patogénica. Na confeção dos alimentos, opte pelos cozidos, guisados sem molho e ao vapor mantendo toda a riqueza nutricional e evitando aminas heterocíclicas (AHC) e Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos (HAP) provenientes da incorreta confeção, por exemplo a exposição a elevada temperatura no churrasco, grelha ou na chapa. Lembre-se que a variedade e moderação são a chave de uma alimentação saudável pois nenhum alimento é completo de forma isolada.

Os vegetais e frutas protetoras são geralmente ricos em betacaroteno e outros carotenoides como alperce, manga, papaia, cenouras, espinafres, tomate, abóbora. Privilegie o seu consumo, sempre com moderação e bom senso, como com qualquer alimento. Se não tiver nenhuma contraindicação, pode e deve promover igualmente o consumo de agrião de água, couve-de-bruxelas, couve-flor, brócolos, nozes/avelãs/amêndoas, morangos, amoras, mirtilos e framboesas, cebola, alho fresco, curcumina, alecrim e gengibre.

Aumente o consumo de fibra, através da ingestão de cereais integrais (arroz integral, flocos de aveia, pão de mistura ou integral) e diariamente privilegie o consumo de leguminosas/hortícolas variadas e fruta fresca com baixo índice glicémico (maça, pera, mirtilo, cereja e ameixa, entre outros). Evite também o consumo de gordura saturada (carne vermelha, manteiga, iogurte/queijo gordo, natas, entre outros). Preferencialmente, consuma gordura monoinsaturada e polinsaturada, provenientes do azeite, frutos secos, abacate, peixes ricos em ácidos gordos ómega 3, como a sardinha, salmão, atum e cavala.

Uma das evidências científicas mais fortes e transversais a qualquer doença oncológica, seja na prevenção ou remissão, diz respeito ao consumo de aditivos e álcool, uma vez que a ingestão de bebidas alcoólicas tem uma associação positiva na incidência e prevalência de casos de cancro. Deverá por isso ser evitado ou moderado, o seu consumo.

Porque a nutrição assume um papel fundamental no tema do cancro, comece já hoje a adotar atitudes preventivas, privilegiando sempre a variedade e a moderação.

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pelo Conselho Científico da AdvanceCare.

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