Hemorroidas, o que deve saber

Saúde e Medicina
Última atualização: 05/04/2023

É uma patologia tabu, mas muito frequente, pelo que não deve sentir-se constrangido/a em consultar o médico. Iniciar o tratamento o quanto antes permite tratar a doença hemorroidária de forma mais eficaz.

Tema pouco falado, mas muito comum

Pouco falada, mas extremamente presente, a doença hemorroidária figura como a doença do ânus e do reto mais comum na sociedade ocidental. De acordo com um estudo recente, a prevalência desta doença hemorroidária na população adulta mundial é de 11%, um valor bastante elevado.

Contudo, apesar de ser uma patologia prevalente, a doença hemorroidária é ainda um tema pouco abordado e muito constrangedor para a maioria da população. Permanecer em silêncio e sem procurar ajuda é um erro comum a evitar, já que apenas agrava os sintomas, o mal-estar associado e pode até dificultar o tratamento. Saiba como agir.

O que é a doença hemorroidária?

Vulgarmente designada por hemorroidas, esta doença caracteriza-se pela dilatação e inflamação das estruturas vasculares situadas no interior do reto e do ânus, cuja função é proteger os músculos e garantir a passagem das fezes. De facto, o termo médico hemorroida denomina este conjunto de vasos sanguíneos e não a patologia.

Tipos de hemorroidas 

A patologia pode ser dividida em duas categorias distintas: interna e externa. No primeiro caso a doença é muitas vezes assintomática, detetando-se apenas a presença de sangue nas fezes após a evacuação. Ocorre na zona do reto e pode originar prolapso através do ânus. O segundo tipo (externo) manifesta-se na zona do ânus, originando um inchaço sob a pele, que pode provocar prurido, dor, por vezes súbita, e levar ao aparecimento de coágulo.

Sintomas

Para além dos sintomas referidos — inflamação, inchaço ou irritação na zona anal, presença de sangue vivo nas fezes (ou visível no papel higiénico) —, esta doença pode provocar dor no momento de evacuar ou ao sentar e causar, até, perda de fezes.

Grávidas são mais suscetíveis de sofrer de hemorroidas

Qualquer pessoa pode ter hemorroidas, mas as possibilidades aumentam durante a gravidez. O peso adicional de um feto em crescimento e as alterações hormonais habituais desta fase, levam a que seja uma patologia comum, especialmente no terceiro trimestre e até um mês após o nascimento do bebé. Segundo dados da Cleveland Clinic, calcula-se que cerca de 30% a 40% das grávidas sofrem de hemorroidas.

As hemorroidas surgem quando a pressão atinge a região pélvica e a parte inferior do trato digestivo (intestino). A pressão pode ser tão forte que até as veias do ânus absorvem o impacto, a ponto de inchar. Durante a gravidez esta pressão deve-se aos seguintes fatores:

  • Pressão do feto. Um feto em crescimento exerce pressão sobre a área pélvica e o intestino. O peso adicional do feto pressiona as veias no ânus, fazendo que estas não sejam capazes de movimentar o sangue por todo o organismo com a mesma facilidade anterior. Em vez disso, o sangue lento escorre e acumula-se, inchando dentro das suas veias.
  • Aumento do volume sanguíneo. A quantidade de sangue no seu organismo aumenta durante a gravidez para sustentar o feto. Isso significa que as suas veias precisam de movimentar mais sangue do que o normal fazendo um maior esforço para o efeito.
  • ObstipaçãoÉ mais provável que sofra de hemorroidas durante a gravidez porque também é mais provável que tenha obstipação nesta fase. Com efeito, as alterações hormonais no seu organismo retardam o processo de digestão que quando é normal ajuda nos movimentos intestinais regulares. O peso extra dos resíduos presos no intestino pode comprimir as veias do ânus, dificultando a circulação do sangue. Por fim, esforçar-se para ir à casa de banho adiciona ainda mais pressão.

 

E, se não há nada que possa fazer para evitar a pressão adicional do feto, pode sempre mudar alguns dos seus hábitos. Ficam algumas dicas:

  • Não permaneça em pé ou sentada durante muito tempo. Em vez disso, deite-se de lado para tirar a pressão da área pélvica e do intestino.
  • Não se esforce ou demore muito na casa de banho se tiver obstipada. Em vez disso, concentre-se em aliviar a sua obstipação com uma alimentação rica em fibras e muita água.
  • Se os cuidados em casa não funcionarem, o seu médico pode recomendar um procedimento para remover as suas hemorroidas que seja seguro para si e para o seu bebé.

Complicações

As complicações das hemorroidas são raras, mas, segundo a Mayo Clinic, estas podem acontecer e incluem:

  • Embora rara, a perda crónica de sangue retal devido às hemorroidas pode causar anemia, pois deixa de ter glóbulos vermelhos saudáveis suficientes para transportar oxigénio para as células.
  • Hemorroida estrangulada. Se o suprimento de sangue para uma hemorroida interna for cortado, a hemorroida pode ser "estrangulada", o que pode causar uma dor extrema.
  • Coágulo sanguíneoOcasionalmente, pode formar-se um coágulo numa hemorroida (hemorroida trombosada). Embora não seja perigoso, pode ser extremamente doloroso e às vezes precisa ser lancetado e drenado.

Como combater as hemorroidas?

Para solucionar este problema, em primeiro lugar, aconselhar-se com um especialista é essencial. Através da observação física e de exames de imagiologia, o médico poderá avaliar o problema e despistar outras patologias. Para aliviar os sintomas, o médico poderá aconselhar a aplicação de pomadas tópicas.

No entanto, logo após o aparecimento dos primeiros sintomas existem alguns cuidados, ao nível do estilo de vida, que permitem minimizar o mal-estar:

  • Aumentar o aporte de água e de alimentos ricos em fibra (como a fruta ou a hortaliça), já que favorecem o trânsito intestinal.
  • Para reduzir a irritação na zona anal, limpá-la com água, em vez de usar papel higiénico, secando-a depois cuidadosamente.
  • Ir frequentemente à casa de banho, o que ajuda a regular o funcionamento dos intestinos.
  • No caso de existir inchaço, deverá recorrer a uma almofada específica (ou pequena boia) para reduzir o desconforto ao sentar-se.

Tratamentos não farmacológicos

Adotar um estilo de vida saudável, seguir as indicações do médico e os cuidados acima descritos permitem fazer face a situações pontuais. A maioria das situações é resolvida através da administração de fármacos, contudo, quando o prolapso ou coágulo não respondem aos tratamentos, pode recorrer-se a outras técnicas como a fotocoagulação, escleroterapia, laqueação ou cirurgia.

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