Flexitarianismo: um vegetariano em construção

Flexitarianismo: um vegetariano em construção

Aposta numa alimentação à base de pratos vegetarianos, legumes e frutos da época e de produção local. Apesar destas regras, quem segue a dieta flexitariana não nega um prato de peixe ou carne ocasionalmente. Esta flexibilidade é um dos grandes atrativos para quem quer seguir uma alimentação mais consciente, sem ter que abdicar totalmente do consumo de produtos de origem animal.


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Há os que eliminaram o glúten e a lactose, os que retiraram as proteínas da alimentação e até aqueles que optam pelo jejum. Existem ainda os veganos, que não comem qualquer tipo de produto de origem animal, os vegetarianos, cujas variantes podem admitir o consumo de ovos e laticínios, e há aqueles que cortam apenas na carne mas mantêm o peixe na alimentação.

As dietas são cada vez mais variadas e peculiares e, talvez por isso, tenha surgido recentemente um nome para designar aquela que, apesar de seguir algumas regras, não é taxativa. Falamos aqui do flexitarianismo, um termo que funde os conceitos de “vegetarianismo” e de “flexível”, uma vez que defende um dia a dia com base numa dieta vegetariana, sem pôr totalmente de lado a carne e o peixe, cujo consumo se fica, normalmente, para dias festivos.

“Só o facto de ter a palavra ‘flexível’ já me agrada”, diz Lillian Barros. Como defensora de uma dieta o mais variada possível, a nutricionista vê o flexitarianismo como uma boa opção como dieta em si, ou até como um passo intermédio para passar a uma dieta vegetariana.


 Dieta popular

Apesar de já se falar em flexitarianismo desde os anos 90, principalmente nos Estados Unidos, a verdade é que o termo só se tornou popular com a publicação do livro “The Flexitarian Diet”, da nutricionista norte-americana Dawn Jackson Blatner. Nele, a autora refere que, se seguida ao longo da vida, esta dieta diminui o risco de desenvolver doenças cardíacas, diabetes, cancro e pode ajudar a viver mais anos (cerca de mais de 3,6 anos, em média).

Esta dieta divide-se num plano de cinco semanas e a ideia é que pequeno-almoço seja o equivalente a uma ingestão de 300 calorias, o almoço não ultrapasse as 400 e ao jantar o máximo sejam 500. Entre as refeições principais, podem ser acrescentados dois lanches com cerca de 150 calorias. Feitas as contas, temos um número redondo: 1500 calorias diárias, número que autora considera ideal para uma perda de peso sem sacrifícios. No entanto, estes valores podem oscilar, uma vez que devem ser equacionados também o nível de atividade física, a idade, altura e peso.   

Para ajudar os que querem iniciar uma alimentação mais saudável e veem no flexitarianismo a solução, Dawn criou três níveis: iniciado, avançado e expert, no qual cada pessoa se insere de acordo com a quantidade de carne que ingere. Os iniciados fazem dois dias sem carne, os avançados três a quatro e os expert cinco dias sem carne. No entanto, a autora faz questão de recordar no livro que “o importante não são os dias sem carne, mas sim a quantidade de refeições vegetarianas que passam a ser feitas”, lembrando ainda que essas refeições têm por base legumes mas devem contemplar também leguminosas, frutos secos e cereais.


Dieta sustentável a longo prazo

“Ao contrário de muitos outros planos alimentares, seguir esta dieta não significa eliminar nada do seu dia a dia. Muito pelo contrário”, refere Lillian Barros. Quem segue o flexitarianismo privilegia o consumo de vegetais e fruta e tem ainda um especial cuidado com a escolha de alimentos sazonais e de produção local. “São só vantagens”, lembra a nutricionista, que defende que este tipo de dieta pode ser benéfica pra qualquer pessoa e pode ser mais sustentável a longo prazo do que uma dieta totalmente vegetariana.

“Não sou defensora de passar de omnívoro a vegetariano de um dia para o outro. É um choque muito radical para o corpo e que pode acarretar falhas a nível de nutrientes”, explica. A nutricionista lembra que uma dieta vegetariana, quando feita sem acompanhamento, pode levar a baixos níveis de ferro, pela falta de carne, e de iodo, pela falta de peixe e frutos do mar.

Mesmo assim, há combinações que os vegetarianos podem fazer para colmatar essas falhas. “Idealmente, um prato vegetariano deve ter uma junção de cereal com leguminosas para fornecer os aminoácidos essenciais, aqueles que o corpo não produz e que vai buscar aos alimentos”, refere. E não é preciso grande mestria para chegar a esta fórmula. “Arroz com feijão, por exemplo, é uma combinação perfeita”.

Com cada vez mais pessoas a chegarem-lhe ao consultório preocupadas em comer melhor e que, por isso, já começaram a fazer alguns ajustes que passam, por exemplo, por comer menos carne e mais vegetais, Lillian considera que há cada vez mais flexitarianos, ainda quem nem sempre seja dado um nome ao que praticam.

A nutricionista considera que pode tratar-se de “uma dieta da moda”, mas apenas porque lhe foi dado um nome. “De resto, parece-me uma dieta muito equilibrada, com regras, mas ao mesmo tempo flexível, e que permite uma adaptação a cada pessoa”, reforça, aproveitando para lembrar que, ainda assim, um acompanhamento dado por um profissional da área da nutrição é essencial para que a transição para uma vida mais saudável seja feita sem erros.


Cada dieta deve-se adequar à realidade de quem a pratica, isto é, às suas tolerâncias e limitações em termos de saúde. O acompanhamento por um profissional de nutrição especializado é indispensável.

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