Aftas o que as provoca e como tratar

Saúde e Medicina
Última atualização: 04/10/2022

São muito comuns, mas podem ser bastante incomodativas e dolorosas. Embora as causas das aftas não sejam completamente conhecidas, há fatores que parecem contribuir para o seu desenvolvimento, como realça a médica Andreia Maduro.

É muito provável que já tenha sentido o incómodo provocado por uma afta, uma vez que este é um dos problemas de saúde relacionados com as mucosas orais mais comuns. Estima-se que cerca de 10 a 25% da população geral sofra de aftas, também designadas por úlceras aftosas ou estomatites aftosas, as quais surgem frequentemente em crianças, adolescentes e adultos jovens.

Como explica Andreia Maduro, especialista em Medicina Geral e Familiar (MGF) no Hospital Lusíadas, em Lisboa, “a afta é uma pequena úlcera que pode surgir em praticamente qualquer ponto da cavidade oral, nomeadamente, língua, lábios, gengiva, garganta ou úvula, entre outras”. “São lesões ovais, esbranquiçadas, às vezes amareladas, rasas e limpas, ou seja, não apresentam pus, bactérias ou outros sinais de infeção, além de que podem ser únicas ou múltiplas, pequenas ou grandes”, acrescenta a especialista. Entre os principais sintomas das aftas, além da sua apresentação, destaca-se a dor e o incómodo causado e que “frequentemente atrapalham atividades simples, tais como falar ou comer”. É possível que, antes do surgimento da afta, a pessoa detete uma “sensação de queimadura”, mas tal não acontece sempre.

Sistema imunitário, refluxo e genética

Segundo Andreia Maduro, as causas das aftas “não estão completamente esclarecidas”, pelo que ainda se desconhece a razão por que algumas pessoas desenvolvem aftas e outras não. Ainda assim, a médica refere que o seu aparecimento poderá estar relacionado com “uma disfunção local do sistema imunitário”, além de que se sabe que “há um risco aumentado para o desenvolvimento de aftas em pessoas que têm o hábito de se deitar pouco tempo após a última refeição”. A justificação para que tal aconteça prende-se com o refluxo gastroesofágico, que “leva ao aumento da acidez da cavidade oral”, explica. “As aftas costumam aparecer um ou dois dias depois, fazendo com que os doentes, muitas vezes, não associem um facto ao outro.” 

Por outro lado, “estima-se que 40% dos pacientes têm antecedentes familiares de aftas, com episódios frequentes desde a infância, o que pode ser sugestivo de existência de predisposição genética”, destaca a especialista.

O que causa as aftas?

São conhecidos alguns fatores que podem levar ao aparecimento de aftas:

  • Traumas locais, como mordidelas acidentais;
  • Stress psicológico;
  • Poucas horas de sono;
  • Presença de Helicobacter pylori, uma bactéria que pode provocar úlcera gástrica;
  • Algumas pastas de dentes que têm como ingrediente o lauril sulfato de sódio;
  • Refluxo gastroesofágico;
  • A ingestão de alguns alimentos ou bebidas, como tomate, abacaxi, chocolate, café ou refrigerantes;
  • Tabaco;
  • Alterações hormonais durante o ciclo menstrual;
  • Deficiência de algumas vitaminas e minerais, tais como vitamina B12, vitamina C, zinco, ferro ou ácido fólico;
  • Certos medicamentos, como anti-inflamatórios, rapamicina, captopril, metotrexato, aspirina e atenolol.

Nem todas são iguais

Segundo a Healthline Journal, é possível classificar as aftas em três principais grupos, de acordo com o seu tamanho e caraterísticas:


- Aftas minor

São as mais comuns e caracterizam-se por serem úlceras superficiais e redondas, circunscritas por um halo avermelhado com um diâmetro que varia entre cinco e sete milímetros. Surgem sob a forma de úlcera simples ou lesões múltiplas, desaparecendo sem deixar qualquer cicatriz.

- Aftas major

São menos frequentes do que as aftas  , apresentando-se como grandes úlceras bucais, com cerca de três centímetros de diâmetro. Podem ser simples ou múltiplas, mas são profundas e com bordos irregulares. Aparecem geralmente no interior dos lábios, na bochecha, língua e no palato mole (a parte posterior do céu da boca), demorando uma a duas semanas a desaparecer. Devido à extensão e profundidade, podem deixar pequenas cicatrizes.

- Estomatite aftosa herpetiforme

Esta é uma situação pouco frequente, que se caracteriza pelo aparecimento, em qualquer zona da cavidade bucal, de múltiplos grupos de aftas rasas, pequenas, com um a dois milímetros de diâmetro.

Evite a confusão

De acordo com Andreia Maduro, as aftas não são contagiosas, pois “não são provocadas por agentes como vírus, bactérias ou fungos”. Todavia, há algumas situações em que a confusão pode surgir, como explica a médica de MGF: “Apesar de diferentes, as aftas são por vezes confundidas com lesões provocadas pelo vírus do herpes . As úlceras provocadas por este vírus são precedidas de pequenas vesículas e estas têm partículas virais.”

Outra patologia que pode também motivar alguma confusão em termos de sintomas é a doença de Behçet (uma doença inflamatória crónica, rara), uma vez que “os doentes apresentam lesões idênticas a aftas, mas as lesões podem afetar outras áreas além da região oral, nomeadamente os olhos e os órgãos genitais”.

Como se tratam as aftas?

Quem sofre de aftas com frequência gostaria que a realidade fosse outra, mas a verdade é que “não existe tratamento totalmente eficaz para as aftas”, afirma a especialista, sublinhando que “nenhuma substância consegue tratar a úlcera de um dia para o outro”. Em média, “as aftas curam-se espontaneamente entre oito e dez dias” e os tratamentos disponíveis visam sobretudo “acelerar o processo de cicatrização da lesão”, nomeadamente através de corticoides e anti-inflamatórios. É também possível recorrer a pomadas anestésicas, as quais servem apenas para alívio dos sintomas. Por seu turno, se o médico suspeitar da presença simultânea de algum fungo, poderá prescrever também antifúngicos orais. 

Ainda assim, Andreia Maduro deixa claro que “qualquer lesão que se prolongue além das três semanas sem sinais de melhoria ou cicatrização deve ser avaliada pelo médico para diagnóstico diferencial, nomeadamente, de cancro oral”.

10 cuidados para prevenir as aftas

Se tem tendência para sofrer de aftas, estes conselhos podem ajudar a prevenir o seu aparecimento:

  1. Pratique uma alimentação saudável, rica em vitaminas e sais minerais; 
  2. Evite alimentos picantes, salgados ou muito condimentados em geral;
  3. Evite fruta muito ácida;
  4. Tenha cuidado com alimentos demasiado rijos ou quentes;
  5. Modere o consumo de café e açúcar;
  6. Procure combater o stress e a ansiedade, reduzindo situações de tensão ou cansaço extremo;
  7. Mantenha uma boa higiene oral e opte por uma escova de dentes suave para evitar lesões;
  8. Evite pastas de dentes que contenham lauril sulfato de sódio;
  9. Se usa aparelho ou outro dispositivo dental, proteja a mucosa oral recorrendo a ceras ortodônticas apropriadas;
  10. Elabore um diário no qual regista toda a informação relacionada com a sua alimentação e estilo de vida, destacando os momentos em que surgem as aftas. É possível que, desta forma, consiga estabelecer algumas relações sobre o que, no seu caso específico, desencadeia o aparecimento.

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